Abril 07, 2018

Moreira foca no seu maior desafio

GUTO KUERTEN/AGÊNCIA ALESC

Nome lembrado para disputar o governo, no seu caso a reeleição, Eduardo Pinho Moreira (MDB) sabe que nada disso será possível se não manter, no mínimo, o ritmo de realizações e de solidez financeira da administração do antecessor Raimundo Colombo (PSD). Ao tomar posse no cargo, que já exercia desde 16 de fevereiro, Moreira explicitou que não mudará a fama de austero, desde quando administrou Criciúma ou em sua primeira passagem pelo comando do Estado, em 2006. Se não bastasse ter desativado 15 das 35 agência regionais e agora anunciado que manterá a Secretaria do Turismo, Esporte e Cultura, depois de pedidos mais do que convincentes do deputado Leonel Pavan (PSDB), que ocupava a pasta, e do futuro ministro da área, o atual presidente da Embratur Vinícius Lummetrz, não deixou dúvidas sobre uma das maiores cobranças dos prefeitos, o cancelamento do Fundam 2. Moreira informou que a situação foi criada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), que não aceita mais o modelo efetivado por Colombo, entre 2013 e 2015, para financiar projetos e pagar a fatura com recursos do Estado sem ônus para os municípios. Neste contexto, saúde e segurança pública, eleitas as prioridades das prioridades pelo novo governador, exigirão mais do que uma ginástica para equilibrar as contas do Estado.

 

Sombra permanente

Para conseguir os resultados que pretende na gestão, Eduardo Pinho Moreira já avisou que fará novos cortes de comissionados. O alvo é a mantida Secretaria do Turismo, Esporte e Cultura. Mas há fantasmas que tiram o sono de qualquer governante: o gasto com folha de pagamento, que já chega ao limite legal; e o pagamento da dívida com a União, que volta a ser maior a partir de julho - enquanto o desembolso, depois da renegociação, começou em torno de R$ 36 milhões (o que foi pago em dezembro passado), os valores devem superar os R$ 47 milhões por mês, pouco se considerado que chegou a R$ 90 milhões antes de Santa Catarina peitar a União. Além disso, o Estado deve cumprir o teto dos gastos, aprovado pelo Congresso e ratificado pela Assembleia para 2018 e 2019. 

 

ROBERTO AZEVEDO

ANTES DA POSSE

Funcionários públicos empunhavam faixas na entrada do Palácio Barriga Verde, sede da Assembleia. Alguns deles, cobravam mais atenção para os servidores das empresas ligadas à Secretaria da Agritultura e Pesca: Epagri, Cidasc e Ceasa. A eles duas notícias. A boa, de acordo com o governador, que a folha é ponto de honra. A ruim está no limite da arrecadação, da Lei de Responsabilidade Fiscal e do teto dos gastos públicos, o que indica nada de aumento à vista.

 

Poucos

Tucanos e pessedistas eram minoria na posse de Pinho Moreira. O que leva ao raciocínio de que é melhor não mostrar boas intenções agora. Quando as convenções chegarem será outra postura.

 

JOÃO PAULO BORGES/DIVULGAÇÃO

ASSÉDIO TURÍSTICO

Prestes a ser confirmado com o ministro do Turismo, o catarinense Vinícius Lummertz não escapou de fotos tiradas por presentes ao ato na Assembleia. O presidente da Embratur, que ainda luta pela transformação da autarquia em agência, para ganhar maior autonomia financeira, deve ser anunciado por Michel Temer, uma articulação que passou pelo apoio da bancada federal do MDB e do governador Eduardo Pinho Moreira. Efetivado, será ministro um emedebista do Estado a chegar à Esplanada depois de Dejandir Dalpasquale, que ocupou interinamente a Agricultura, no governo de Itamar Franco, em 1993. 

 

De saída

O ex-prefeito de Chapecó José Caramori (PSD) deixou a presidência do Badesc. Agradeceu a Raimundo Colombo e a Eduardo Pinho Moreira pela confiança e relatou os financiamentos de R$ 300 milhões a 70 municípios do estado sob a gestão dele. Por enquanto, o foco é na empresa de seguro que possui na maior cidade do Oeste, mas se desincompatibilizou em tempo de concorrer.

 

Sobre Lula

O teatro montado para inflamar a militância, uma reação até bastante natural se analisada a história do PT, não exime Lula do papel de líder que respeita a lei e deve dar o exemplo. O ex-presidente deveria ter respeitado a oferta do juiz Sérgio Moro, e se entregar à Polícia Federal às cinco da tarde da sexta (6). Lula foi presidente de todos os brasileiros por oito anos, mesmo dos que não votaram nele, e não apenas dos grupos que sempre estiveram alinhados com seu partido.

 

Já sabiam

Os petistas de Santa Catarina já sabiam com antecedência que Lula não se entragaria no prazo definido pela Justiça Federal. O secretário de Comunicação da sigla, Murilo Silva, informou que um dos motivos para adiar seria a missa pelo aniversário da finada Marisa Letícia Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, que será rezada, neste sábado (7), pelo bispo emérito de Blumenau, dom Angélico Sândalo Bernardino. A mulher de Lula morreu há pouco mais de um ano. 

 

ROBERTO AZEVEDO

MAIS TIETAGEM

Em uma daquelas coincidências, o prefeito Mauro Dresch (PSD), de Treze Tílias, estava com a rainha e as princesas da Expotílias, na Assembleia, no dia em que Raimundo Colombo entregou a carta de renúncia ao presidente Aldo Schneider. O jeito foi tirar uma foto com o ainda governador licenciado. A festa, de 20 a 22 deste mês, que faz parte das comemorações dos 55 anos do município, é composta por exposições de gado leiteiro, agropecuária e industrial. Entre as atrações de shows estão Gusttavo Lima, Maiara e Maraisa, e Fábio Júnior. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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