Maio 31, 2020

Moreira não quer o MDB no governo Moisés

Moreira não quer o MDB no governo Moisés
ARQUIVO SECOM/OUT 2018

Enquanto prega que o grande líder do processo deve ser o governador Carlos Moisés da Silva (PSL), exercer o cargo na plenitude, o ex-governador Eduardo Pinho Moreira tem a convicção de que, em momento algum, o MDB deve fazer parte ou ser convidado para cargos na atual administração estadual.

Esta posição Moreira passou a Moisés pessoalmente, há uma semana, quando foi convidado a visitar a Casa d’Agronômica, acompanhado da mulher Nicole e recepcionados somente pelo governador e pela primeira-dama Késia.
Tanto que afirmou que, se o movimento for feito, será o primeiro a sustentar publicamente e executiva estadual que isso não ocorra, fato que já foi ventilado com o apoio do presidente estadual, deputado federal Celso Maldaner, e pelo senador Dário Berger, no fim de 2019, e acabou abortado.

 

Justificativa

O argumento para a negativa de Moreira é o de que o MDB tem projeto político para 2022 e que Moisés precisa de interlocução com todos os partidos sem que coloque obstáculos nas conversas necessárias que já começaram.

Experiência não falta para o ex-chefe do Executivo estadual por duas vezes, vice por outras duas oportunidades, deputado federal constituinte, reeleito para mais um mandato, prefeito de Criciúma, secretário da Casa Civil (governo Paulo Afonso, 1997) e presidente da Celesc (2007-2009).

  

Conselho

Não foi só a troca de telefones, Moisés quebrou uma tradição e passou o número dele ao antecessor, com quem fez uma transição tranquila, pois dos primeiros conselhos de Moreira já houve eco, mesmo que o ex-governador não os assuma como resultado da conversa.

Na pauta, os encontros com o setor produtivo, as conversas com o deputado Julio Garcia (presidente da Assembleia) e a visita de Moisés a Joinville, o sair da toca, quando o atual governador conversou longamente com o prefeito Udo Döhler (MDB), uma sinalização de que há possibilidade de apoio ao nome do deputado Fernando Krelling (MDB) à prefeitura, fato que ainda precisa ser pesado na balança das repercussões.

 

Mais político

Em síntese, Moreira vislumbra um Moisés mais humilde, sem o efeito do glamour do cargo, que pense em um mandato e se fortaleça no Legislativo para evitar o desgaste de um processo de cassação, coisa que garante os dois deputados emedebistas na CPI dos Respiradores (Moacir Sopelsa e Valdir Cobalchini) não desejam por não haver clima para tanto.

Sem acreditar em uma conspiração contra o sucessor, Moreira ainda avalia que o foco deverá ser no mandato, que Moisés admita os erros e os corrija, com posição firme para retirar do governo quem incomoda ou o leva para situações desastrosas, como no caso dos problemas na saúde, em plena pandemia, com Helton Zeferino e Douglas Borba – o inadmissível pagamento antecipado de R$ 33 milhões aos 200 respiradores -, ou o desgaste que Lucas Esmeraldino trouxe com os desmandos na direção do Porto de São Francisco do Sul – cuja diretoria teve que pedir para sair.

 

Lembrança

A Moisés, Moreira, que é médico cardiologista, lembrou os ensinamentos do ex-governador Luiz Henrique da Silveira, de que não devemos fazer política a olhar pelo retrovisor.

Portanto, uma dica ao atual inquilino da Casa d’Agronômica é o de que esqueça o passado e os governadores anteriores, faça a sua própria história, estratégia que o governador, que é evangélico, concordou e lembrou da  mulher de Ló, na passagem bíblica da destruição de Sodoma, em que, por olhar para trás, transformou-se em uma estátua de sal.

 

Avaliação

Serão momentos difíceis que Moisés terá que atravessar, a partir de agora, principalmente no Legislativo, mas poderá se sair bem se nenhuma grande denúncia o comprometer.

Esta é a opinião de Pinho Moreira em termos gerais sobre o contato com Moisés

 

Efeitos

Na passagem por Chapecó, Moisés citou, com elogios, pelo menos por duas em público o presidente da Assembleia Julio Garcia.

Os contatos entre ambos têm se intensificado nos últimos dias.

 

Todos juntos

Nem dá para escolher um responsável direto, mas o governo do Estado e a Secretaria da Agricultura tiveram papel importante para que, a partir desta segunda (1°), a planta frigorífica da JBS, em Ipumirim, no Oeste, volte a  funcionar e com isso seja impedido o abate sanitário de 650 mil aves, um enorme impacto ambiental.

A unidade doi fechada por conta de casos de Coronavírus entre os funcionários e ajustiça do Trabalho, no último sábado, desinterditou o local. A vice-governadora Daniela Reineher também gravou um vídeo para comemorar a decisão.

 

Aplausos

Não como esquecer o empenho das autoridades em Brasília, mas o setor do agronegócio aplaudiu o empenho do governador.

E nem poderia ser diferente, pois Santa Catarina é o maior produtor de suínos, o segundo maior produtor de aves e o quarto maior produtor de leite do Brasil, sendo que o setor responde por mais de 30% do Produto Interno Bruto do estado e por 70% das exportações no primeiro quadrimestre de 2020.

 

Também valia!

Praças da Polícia Militar e do Bombeiro Militar reclamaram da medida de incentivo aos profissionais da saúde, anunciada pelo governador, até porque estão na linha de frente n combate ao Coronavírus.

A justificativa de que muitos procedimentos que acrescentavam aos salários de enfermeiros e auxiliares de enfermagem e de médicos foram suspensos com a Covid-19, por isso a recuperação, não convenceu a Aprasc, que partiu para o ataque e afirma que a troa foi esquecida.

 

TULIANA ROSA/DIVULGAÇÃO

O POVO PRECISA SER OUVIDO

Antes da reunião do Fórum Parlamentar Catarinense com a participação de integrantes da Fecam, o deputado Daniel Freitas (PSL), que coordena o grupo de parlamentares, conversou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre o adiamento das eleições. O dilema à mesa é levar o pleito de outubro para dezembro e esperar, a partir das orientações das autoridades da saúde e do prazo para a testagem das urnas, uma necessidade técnica imposta pelo TSE. Durante o encontro virtual (foto), Freitas ouviu manifestações pelo adiamento mais prolongado, com prorrogação de mandatos e a unificação do calendário eleitoral, algo muito difícil de se dar agora. Os debates passam pelo Congresso, pela Justiça Eleitoral, pelo governo federal, mas o povo não pode ser ignorado, a sociedade tem que se manifestar e ser ouvida, até porque R$ 4 bilhões para cada dois anos de eleição em um país que precisa se recuperar economicamente, é um absurdo, inominável.

 

Complexo

Há um grupo de trabalho criado o Congresso para debater a questão da unificação ou não do calendário eleitoral e muitas dúvidas, já que, aqui acolá, alguns prefeitos rejeitam a recondução automática com a permanência no cargo por mais dois anos.

Na reunião, além de dezenas de prefeitos de todos os cantos do Estado, participaram a líder do governo na Assembleia, deputada Paulinha da Silva (PDT), e a vice-governadora Daniela Reinehr (Aliança Pelo Brasil).

 

Direto de Brasília

Ao lado do senador Jorginho Mello (PL), o deputado Daniel Freitas (PSL) participou da manifestação em apoio ao presidente Jair Bolsonaro, neste domingo (31), em Brasília.

Ambos surfam na popularidade que Bolsonaro tem em Santa Catarina. Freitas até tirou a máscara em determinado trecho – ele que já teve a Covid 19 – pra acompanhar o estilo do presidente, que umprimentou populares. A questão parece ser ganhar likes, já que, assim como no evento deste domingo onde os presentes empunhavam faixas contra o STF, pediam o fechamento e intervenção militar, não faz muito tempo bradavam contra o Congresso, local de trabalho, com mandato de Jorginho e Freitas, um contrassenso e tanto.

 

DIVULGAÇÃO

COM BOLSONARO!

A advogada e jornalista Julia Zanatta também esteve em Brasília com a filha, a pequena Helena, e o marido Guilherme, quando foi recebida pelo presidente Jair Bolsonaro. Em vídeo, gravado durante a visita, a pré-candidata à prefeitura de Criciúma pelo PL sugere que o presidente visitará a maior cidade do Sul catarinense em breve. Julia, uma entusiasta de primeira hora da campanha do então deputado federal ao Palácio do Planalto, desde o final de 2016, ganha pontos quando sai ao lado do presidente e até pode dizer que não se trata de oportunismo. Assista ao vídeo:

 

Desabafo

Não é de hoje, mas quando quer o ex-senador e governador Jorge Bornhausen, um político sabidamente de direita, faz avaliações críticas sobre a postura do presidente Jair Bolsonaro.

Para Bornhausen, em síntese, a sugestão é a de que “em vez de máscara, Bolsonaro deveria usar mordaça”.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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