Julho 17, 2019

Moro: a oportunidade perdida

Moro: a oportunidade perdida
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Moro é o brasileiro que está modificando o Brasil, para o bem. Mas, com certa limitação. Ele faz tudo a partir de seu instinto ético anti-corrupção e do seu ‘know-how’ jurídico convencional. Quando é preciso ir mais longe. Revolucionar a democracia e o estado brasileiros. Está faltando a ele a criatividade revolucionária dos grandes pensadores. Isso ficou bem claro nos depoimentos que deu ao Senado e à Câmara dos Deputados.

A grande oportunidade que ele teve de demonstrar a criatividade revolucionária dos grandes pensadores foi no momento em que um dos deputados lhe pediu que assinasse uma autorização para se abrir, tornar público, o conteúdo informacional de todos os mecanismos informacionais-comunicacionais envolvendo sua vida, celular, internet, registros bancários, etc. Se estivesse raciocinando o objetivo e o mecanismo para levar até o fim a sua campanha, a sua obra, Moro poderia ter se revelado um pensador tão grande quanto Marx, Adam Smith, Antony Giddens, para nos fazer deixar para trás essa polarização idiota entre esquerda e direita tradicionais, e com isso transformar o Brasil no líder supremo mundial da futura democracia informacional. Que está sendo exigida pelo mundo, para tirar a política do cemitério da esquerda e da direita obsoletas. 

Bastava ele ter respondido à proposição que lhe foi feita pelo deputado, dizendo que assinaria o papel se o deputado assinasse um papel igual também. E se todos os indivíduos envolvidos com política ou com governo, de todos os partidos e ideologias, de todos os poderes, assinassem o mesmo papel também. Vida pública não é vida privada. Privacidade zero para quem se envolver com política ou com governo. Quem não quisesse assinar o tal papel proposto pelo deputado, que então não se envolvesse com política ou com governo. A Suécia já fez algo parecido. Mas não com essa grandeza. Que tornaria o Brasil o líder mundial da implantação da democracia informacional.

Moro perdeu a oportunidade de ser o propositor, para o Brasil e para o mundo, da democracia informacional, exigida pelo futuro da humanidade.

Simples, claro e abrange, como pediu Karl Popper para a implantação das grandes ideias dentro da humanidade. Utopia absurda para os que vivem envolvidos na vida medíocre da falta de pensamentos criativos. Que não foi o caso de Gandhi, por exemplo, que definiu tais utopias grandiosas como o mecanismo direcional do aperfeiçoamento da humanidade. A fórmula simples, clara e abrangente, como disse Popper, sem a qual a humanidade não vai adiante, direcionada para o seu aperfeiçoamento.

Moro perdeu a oportunidade de tornar realmente grande o Brasil. Propondo o mecanismo para zerar a corrupção política e governamental. O que só é possível, segundo Giovani Falconi, das ‘Mãos Limpas’, via informação. O que tem que ser concretizado via democracia informacional. Onde vida púbica não é vida privada, e todos que se envolvem com política ou com governo ficam submetidos a privacidade zero. Radical e violento? Sim. Como a corrupção que impera na democracia desinformada que está ai.       

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.   

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Redação Making Of

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