Julho 20, 2019

Mourão prega mais democracia liberal

Mourão prega mais democracia liberal
ACAERT/DIVULGAÇÃO

Durante uma hora, com um lúcido discurso onde transitou entre o momento delicado das relações entre países e a necessidade de fortalecimento e diversificação da economia brasileira, paralelamente à diminuição do tamanho do Estado, o comunicativo vice-presidente da República Hamilton Mourão falou para um auditório lotado na sede da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, em Florianópolis, em evento promovido pela Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e TV (Acaert), denominado Momento Brasil.

Mourão, um entusiasta das reformas da Previdência e Tributária, fatores que considera levarão o país a diminuir não só a dívida pública - que deixará um rombo de R$ 139 bilhões, este ano -, mas a facilitar a vida de quem produz riqueza e gera emprego, acentua que não há como trilhar este novo caminho sem que a democracia, no seu modelo liberal, conquiste esses espaços.

E adverte que será necessária uma reconstrução no sistema político-partidário para fortalecer as legendas e acabar com a enorme pluralidade de siglas, 26 representadas somente na Câmara dos Deputados, que, em essência, deixaram de representar o pensamento da população.

O vice-presidente elogiou a Câmara pela aprovação do primeiro turno da Reforma da Previdência e aplaudiu quando soube que 15 dos 16 parlamentares catarinenses votaram favoráveis ao governo.

 

Pilares

O envolvente Mourão trabalha com as perspectivas dos pilares defendidos por ele e pelo presidente Jair Bolsonaro: o pacto entre gerações, que estabelecerá um futuro para os mais jovens a partir das atitudes da geração atual; a democracia, como único fio condutor das mudanças; o capitalismo, que permite o crescimento; o Estado de Direito, sem os excessos de recursos e embargos no Judiciário; e a maciça participação da sociedade civil, sem a qual não haverá uma nova cultura de desenvolvimento.

 

PETERSON PAUL/SECOM

ELOGIOS AO PLANALTO

O governador Carlos Moisés da Silva fez um esforço diante do atraso de mais de uma hora para o início da palestra de Hamilton Mourão e acompanhou o início do evento. Não pode ficar no palco, onde havia o púlpito e duas cadeiras, sentou-se na primeira fileira de cadeiras e foi surpreendido quando chamado pelo cerimonial para discursar. Foi rápido, em cinco minutos agradeceu a proximidade do governo federal com Santa Catarina, até no dia da visita do vice-presidente, quando entregava 18 novas ambulâncias para o Samu – 80% da renovação da frota nas 23 unidades -, fruto de emendas parlamentares, além de lembrar a passagem recente dos ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Abraham Weintraub (Educação) pelo Estado. Moisés voltou a pedir pela inclusão de estados e municípios na Reforma da Previdência e a repactuação federativa, já que Santa Catarina recebe apenas 2,4% como retorno de tudo que arrecada.

 

Enorme

Nem a baixa estatura deixou o jornalista e publicitário Levir Fidelix passar em branco durante a palestra de Hamilton Mourão, certamente pelo expressivo bigodão, mais preto do que as asas da graúna, como diria o poeta.

Muitos estranharam a presença, porém foram socorridos pela informação de que Fidelix, ex-candidato à Presidência, ao governo e à prefeitura de São Paulo, e que não se elegeu deputado federal no ano passado, é o presidente nacional do PRTB, partido ao qual Mourão é filiado.

 

Filho da integração nacional

Como lembrou o presidente da Acaert, Marcello Petrelli, há uma singularidade que levou ao conhecimento da realidade nacional, “os muitos brasís”, na vida de Mourão.

Filho de pais amazonenses, nasceu no Rio Grande do Sul, e, a exemplo do pai, também general, seguiu a carreira militar, que é itinerante e o levou a servir do Sul ao Norte do país, até na Selva Amazônica.

 

Enquanto isso, em Brasília!

O presidente Jair Bolsonaro conseguiu, em poucas horas, reforçar a imagem de que não precisa de oposição para ser confrontado politicamente ou diante da opinião pública.

Críticas aos governadores do Nordeste, disparates sobre a fome que atinge milhares no país, declaração que tentou remediar mais tarde e quase voltou atrás e a insistência em torno da Ancine, não ajudam o governo, que vive um momento de debate de temas importantes como as reformas. Bolsonaro deveria ouvir mais Mourão, pois parece ter dificuldade para sair da campanha eleitoral.

 

Presentes

Os deputados federais Hélio Costa (PRB) e Daniel Freitas (PSL) e o senador Dário Berger (MDB) estavam entre os presentes à palestra de Mourão, na Fiesc, bem como o ex-senador Paulo Bauer (PSDB), assessor especial da Casa Civil da Presidência, além de secretários do Estado: Douglas Borba (Casa Civil), Ricardo Dias (Comunicação) e o coronel Araújo Gomes (Conselho Superior de Segurança Pública), e o deputado estadual Onir Mocellin (PSL).

 

Prestígio

O tamanho do prestígio da visita do vice-presidente pode ser medido pela lista dos convidados: o presidente do TRE, que também representava o Tribunal de Justiça, desembargador Cid Goulart Júnior; o presidente do TCE, conselheiro Adircélio de Moraes Ferreira Júnior; o procurador-geral de Justiça, Fernando Comin; o presidente da Fecomércio, Bruno Breipthaupt; o prefeito em exercício da Capital, João Batista Nunes (PSDB); o presidente em exercício da CNI, Glauco José Côrte; o presidente em exercício da Fiesc, Gilberto Seleme; a vice-presidente da Abert, Marise Westphal Hartke; e o empresário Ranieri Bertoli, membro do Conselho de Comunicação do Congresso Nacional

 

REPRODUÇÃO/FACEBOOK

A GARANTIA PARA O PROCON

O vereador Tiago Silva, que renunciou ao cargo na Capital e também se desfiliou do MDB, onde estava há cinco anos, realiza um sonho de comandar o Procon Estadual ao ser nomeado pelo governador Carlos Moisés, que o teria convidado por um interlocutor para expandir o atendimento do serviço ao consumidor. O anúncio foi feito via redes sociais (foto). Ligado ao senador Dário Berger (MDB), Tiago foi o responsável pelo Procon de Florianópolis, de 2010 a 2014, e abre espaço para o emedebista Celso Sandrini voltar à Câmara na condição de titular. Defensor das causas LGBT e homossexual, Tiago já foi patrulhado nas redes sociais do governador pela sua oirentação. Esqueceram de dizer que, antes de mais nada, é competente para o cargo.

 

A repercussão

No MDB a notícia da desfiliação chamou mais a atenção do que propriamente a nomeação, embiora fosse esperada.

Se estivesse no partido, Tiago Silva enfrentaria o desconforto de ter que explicar que aceitaria o cargo, o que não afasta a imagem de que, há muito tempo, o vereador da Capital, oriundo do PDT, procurava uma razão para se afastar da imagem desgastada da cúpula nacional.

 

Duas visões

Tiago está sem partido ao mesmo tempo que o prefeito Gean Loureiro, não necessariamente no mesmo projeto, ou seja, com planos para a disputa do ano que vem.

O diretor estadual do Procon, que poderá se filiar quando quiser, alimenta há muito o desejo de concorrer a deputado. Adepto a mensagens de autoajuda, Tiago enviou, na manhã de quinta (18), quando foi anunciado por Moisés, a seguinte frase: “Para cada vontade de reclamar, pensa um motivo para agradecer”.

 

Quase lá

Deve sair na semana que vem, o mais tardar, o edital para a contratação das agências que farão a divulgação do governo do Estado, algo que gera expectativa nos meios de comunicação.

Paralelamente será formada uma subcomissão técnica, formada em dois terços por funcionários do governo e um terço de agentes externos, todos com conhecimento profissional ou técnico com graduação em área de comunicação, depois de um chamamento público, para fazer a análise dos concorrentes. Esta, pelo menos, tem sido a exigência do Tribunal de Contas  

 

Com Toffoli

O espírito de corpo pesou na balança do Judiciário e os presidentes dos tribunais de Justiça, reunidos com o ministro Dias Toffoli, presidente do STF e do CNJ, em Cuibá (MT), divulgaram uma carta em apoio às decisões que suspenderam as investigações e processos baseados em dados do Coaf e da Receita Federal.

A posição de Toffoli, tomada durante a semana são relativas à “à "intimidade e o sigilo de dados bancários, fiscais e telefônicos" nas investigações criminais, como relata o documento, que pode ser lido em (https://bit.ly/2y1klME), e que tem, entre os signatários, o presidente do TJ de Santa Catarina, desembargador Rodrigo Collaço.

 

Em resumo

Foi uma resposta do Judiciário às críticas do Ministério Público, que reclama de interrupção de processos que envolvem, inclusive, facções criminosas e no combate à corrupção, ainda mais que Toffoli empurrou a decisão sobre o mérito para novembro, quando será decidido, em plenário, se os dados valem ou não sem a autorização da Justiça.

O presidente do STF, que, em março passado, abriu inquérito para apurar notícias falsas e ataques à mais alta corte e seus ministros, sem envolver o MPF, tem tocado em um ponto-chave, o fato de algumas investigações terem virado "devassas" na vida das pessoas sem que haja supervisão do Judiciário, e, em entrevista ao Estado de S.Paulo, declarou: "Isso é um Estado fascista. Vira investigações de gaveta que ninguém sabe se existem ou não existem”.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
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