Agosto 09, 2019

Mulheres fo...rtonas nas telas

Mulheres fo...rtonas nas telas
Charlize Theron arrebenta tudo em Atômica

A inspiração para a escolha do tema da semana veio do artigo do jornalista e escritor Roberto Cattani, exclusivo para a coluna, e da divulgação que o próximo agente 007 será ... uma mulher. Ah, e o mítico Thor será interpretado por Natalie Portman! A indústria cinematográfica encontrou um filão no politicamente correto, no movimento Me Too e afins, e tem se utilizado dele para aumentar a bilheteria. Como mulher de DNA feminista, fico contente, como cinéfila me incomoda um certo oportunismo que não necessariamente resulta em bons filmes.

Bem, vamos especular que histórias são essas. Fazendo uma retrospectiva, lembro o quanto me incomodava a mocinha sempre cair e torcer o tornozelo na hora fugir dos bandidos, obrigando o herói a voltar para buscá-la e carregá-la nos ombros. Vi isso começar a mudar com a Tenente Ripley em Aliens- O oitavo passageiro (1979), de Ridley Scott. Interpretada dignamente por Sigourney Weaver, do alto dos seus 1m82 e 28 anos, Ellen Rippley sobreviveu ao alienígena que acabou com todos os homens dentro da nave Nostromo. Depois lembro da Linda Hamilton, a mãe Sarah Connor de O Exterminador do Futuro (1984) e de ter pensado: que musculosa essa moça!!

Mas, a invasão de mulheres fortonas ( não confundir com mulheres fortes como as das edições de 18/10/2018 e de 18/04/2019) nas telas aumentou nos últimos anos, junto com a luta feminina por causas urgentes e necessárias e com a expressão empoderamento, já um tanto desgastada. As protagonistas femininas se tornaram quase tão importante quanto os homens em filmes de ação. Acontece o mesmo com as super heroínas, como a ressuscitada e renovada Mulher Maravilha.

No mundo real, isso não significa que as atrizes não precisem mais brigar pela igualdade salarial em relação aos colegas homens.

E você, cineseriéfilo, acha que é um ganho para as mulheres ou um equívoco essa imagem de fortonas para personagens femininos no cinema atual ? Sei que o assunto é polêmico, mas estamos abertos a críticas, opiniões diversas e ao bom debate.

Bueno, vamos aos filmes onde as mulheres são adeptas do combo tiro, porrada e bomba !

___________________________________________________________

 

A TODA PROVA – Steven Soderbergh -2012

Já que queriam uma mulher boa de briga , chamaram logo uma lutadora de MMA (artes marciais mistas) e estreante em cinema, Gina Carano. Ela contracena com grandes nomes como Michael Douglas, Ewan McGregor, Michael Fassbender e Channing Tatum. Soderbergh é um diretor respeitado e costuma fazer boas coisas, mas ainda não vi A toda prova.

Sinopse : Mallory Kane ( Gina Carano em sua estreia no cinema) é uma espiã altamente treinada que trabalha para um órgão do governos nos lugares mais perigosos do mundo. Após libertar um jornalista chinês de seus sequestradores, ela é traída e deixada para morrer por sua própria agência. Mallory, no entanto, consegue sobreviver e passar a utilizar todo o seu treinamento na construção de um plano de vingança e redenção.(Adoro cinema)

***


NIKITA – Criada para matar – Luc Besson – 1991

Gosto muito do original francês sobre a mulher acusada de matar um policial que recebe uma segunda chance se entrar para o serviço secreto, já que o governo acredita que suas tendências suicidas a tornam especial na hora enfrentar o perigo. Para não ser executada Nikita aceita trocar de identidade e tornar-se uma verdadeira máquina de matar, depois de um árduo treinamento . A linda Anne Parrilaud interpreta a agente e Tcheky Kario, ator pelo qual tenho grande simpatia, é o seu chefe e treinador. É um filme de ação, mas Luc Besson, responsável também pelo roteiro insere sentimentos como a solidão, tornando a história mais interessante.

O sucesso de Nikita – Criada para Matar deu origem  a duas séries de televisão, uma de 1997 (La Femme Nikita) e outra (Nikita), em 2010, além de uma refilmagem americana A Assassina, com Bridget Fonda. Nem preciso dizer que o original é muito superior, né?

***

 

RESIDENT EVIL - Paul W. S. Anderson – 2002

Baseado num vídeo game de mesmo nome, o primeiro Resident Evil: O Hóspede Maldito, fez tanto sucesso que virou uma saga. Agora já são seis, sempre com a atriz ucraniana Mila Jovovich como a protagonista, Alice.

A trama básica é a luta de Alice contra a Umbrella Corporation, responsável por criar o vírus T, que causa o apocalipse zumbi. Alice costumava trabalhar na segurança de companhia, mas passa a ser sua grande inimiga. Indiferente à opinião da crítica que não morre de amores pela franquia, Residente Evil já faturou US$ 1 bilhão nas bilheterias.

***

 

KILL BILL – Quentin Tarantino – 2004

Fiel a sua marca, a estética da violência, aqui Tarantino também usa e abusa dos banhos de sangue. A heroína, chamada apenas de "A noiva" é vivida por Uma Thurma, atriz xodó do diretor, uma ex-assassina que acorda do coma e decide se vingar do antigo chefe e amante que tentou matá-la no dia do casamento, mesmo estando grávida. Ela decide matar as cinco pessoas que destruiram o seu futuro, começando pelas perigosas assassinas Vernita Green (Vivica A. Fox) e O-Ren Ishii (Lucy Liu). O ex-chefe é interpretado por David Carradine, uma escolha inusitada do diretor. Bem, A Noiva prende, esfola, arrebenta um monte de gente e ainda tem fôlego para duas continuações. Pra se ter uma ideia foram utilizados 450 galões de sangue falso nos dois filmes de Kill Bill.

***

 

JOGOS VORAZES – Gary Ross – 2009

Aqui a heroína fod...é interpretada por uma das mais prestigiadas e bem remuneradas atrizes de Hollywood, Jennifer Lawrence. A trilogia é baseada nos livros homônimos da autora americana Suzanne Collins. Eu falei trilogia? Pois, a autora surpreendeu a todos quando publicou um quarto livro. Afinal há muito, mas muito dinheiro em jogo ( sem trocadilho).

Sinopse: Num futuro distante, boa parte da população é controlada por um regime totalitário, que relembra esse domínio realizando um evento anual - e mortal - entre os 12 distritos sob sua tutela. Para salvar sua irmã caçula, a jovem Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se oferece como voluntária para representar seu distrito na competição e acaba contando com a companhia de Peeta Melark (Josh Hutcherson), desafiando não só o sistema dominante, mas também a força dos outros oponentes. (Adoro Cinema)

***

 

MAD MAX – ESTRADA DA FÚRIA – George Miller – 2015

A saga Mad Max também encontrou uma fortona linda, no caso Charlize Theron. Ela é a Imperator Furiosa que tenta salvar um grupo de garotas, com a ajuda de Max, que também está fugindo do vilão.  Esse é quarto filme da série, que chegou 26 anos após a estreia de  Além da Cúpula do Trovão (1985).

O filme foi sucesso de público e crítica, apesar da guerra não ter sido só na tela, mas também na equipe. Leia mais abaixo, na seção Nos bastidores de Hollywood.

***

 

ATÔMICA – David Leitch – 2017

E olha ela aí de novo, Charlize Theron, desta vez interpretando Lorraine Broughton , uma agente disfarçada do MI6, enviada para Berlim durante a Guerra Fria para investigar o assassinato de um oficial e recuperar uma lista perdida de agentes duplos. Ao lado de David Percival (James McAvoy), chefe da localidade, a assassina brutal usará todas as suas habilidades nesse confronto de espiões.(Dados: Adoro Cinema)

Charlize se envolveu também na produção do filme  que é baseado na graphic novel The Coldest City, de Antony Johnston e Sam Hart. Ela disse que ter feito Mad Max a ajudou a desenvolver Atômica. São tantas cenas de ação e luta que a bela atriz quebrou dois dentes durante as filmagens.

___________________________________________________________

 

ARTIGO

                                                        Heroínas "machas"

                                                                                             Roberto Cattani, escritor e jornalista

 

Acabo de assistir um filme vietnamita, chamado em português Fúria Feminina, no qual uma mãe, para recuperar a filhinha raptada, desbarata praticamente sozinha um tráfico internacional de crianças e de órgãos. Muitas lutas marciais, mas sem as irritantes acrobacias voadoras dos filmes chineses. A moral da história, formulada por um bandido vítima de sua fúria, é  nunca cacem uma tigresa com filhotes, é perigoso demais: o que provavelmente é também o título vietnamita.

Fora o senso materno das feras, o cinema atualmente está repleto de filmes com heroínas mais ferozes e mais capacitadas que os maus (homens). Por acaso, assisti a semana passada a outro filme, inglês dessa vez, chamado Close, dirigido por uma mulher, sobre uma guarda-costas profissional (Noomi Rapace) contratada para proteger uma jovem herdeira caçada por assassinos de aluguel. Claro que Noomi acaba matando todo mundo e salvando a mocinha (sem nem comê-la, como faria um guarda-costas homem).

Agora é sempre assim: os papeis mais brutais, as aventuras mais doidas, são protagonizadas por mulheres, aqueles papeis que antigamente eram reservados ao brutamontes mais machos: agora elas sabem atirar com as armas mais poderosas, pilotar helicópteros de guerra, lutar artes marciais exóticas, e apanhar mais que Tyson sem proteção para as tetas e levantando apesar de socos na cara e chutes na barriga, para começar de novo.

Agora os filmes épicos chineses (um dos povos mais machistas) são protagonizados por mulheres (daqui a pouco chega o remake de Mulan), as cientistas mais destemidas para enfrentar dinossauros, tubarões gigantes, extraterrestres e vírus mortais são mulheres, as policiais que desbaratam quadrilhas inteiras são mulheres, até no Faroeste tem pistoleiras com caras de Penélope Cruz e Sharon Stone (aliás, na série Godless da Netflix tem até uma cidade inteira só de mulheres para resistir ao malvado) etc. etc. etc.

Se tiver um remake quando finalmente Stallone aposentar, será com certeza uma Ramba. Tudo ótimo, é claro. Os machões realmente cansaram (e, como o ótimo Schwarzenegger, perigam morrer de velhos no set), enquanto as heroínas ainda causam mais pena quando apanham. O problema é que está ficando grotesco, descarado, beirando a palhaçada. O #MeToo agora é eu também faço' filme pretensamente feminino/feminista.

Só que essa onda da moda não contribui em nada para condições mais équas para as mulheres, para acabar com o feminicídio (já que as mulheres se machucam e morrem na vida real), para suscitar respeito de verdade no dia-a-dia, diante dos Trump da vida, para reduzir a distância entre a incensação cinematográfica e as humilhações cotidianas. Já passaram cinco décadas de lutas feministas, e temos ainda retrocessos dramáticos, encarnados pelos Bolsonaros (00, 01, 02, 03...) e seus seguidores.

Vou sustentar aqui que essa onda de mulheres/machas dos filmes também é um retrocesso, em relação ao feminino e às conquistas do feminismo. Primeiro, porque é tudo  tão artificial, forçado e exagerado que não dá para acreditar um minuto (tudo bem, tampouco dava para acreditar que Bruce Lee fizesse tudo aquilo de verdade, mas a Penélope disfarçada de Wyatt Earp é demais). Sim, hoje tem mulheres soldados, mulheres top gun, tem até mulheres guarda-costas: mas, vamos convir, elas não são nada mais que a prova de que as mulheres podem perfeitamente transformar-se em homens. Isso é justamente patriarcado ao cubo, não igualdade.

Segundo, é bom lembrar aqui que a essência da feminilidade não é uma força equivalente e alternativa ao macho; está, pelo contrário, na capacidade de apaziguar, mitigar, serenar, e até dominar, mas com o bom senso, a sabedoria, a delicadeza, a suavidade firme. Sim, todas qualidades muito pouco cinematográficas, mas muito reais (e cada vez mais dessuetas, ultrapassadas, desdenhadas, hoje em dia). Que ainda existiam, na prática, quando a sociedade era outra que a capitalista-consumista-patriarcal atual. Um exemplo histórico: no século 18, a nação pele-vermelha iroquesa, uma sociedade de tribos agricultoras e guerreiras, tinha chefes (homens) de guerra, mas a maior autoridade federal, acima deles, era da gantowisa, a matriarca mais sábia e respeitada. É significativo que cabia à gantowisa resolver todos os conflitos internos à nação, entre as várias tribos e entre indivíduos - e tinha autoridade para isso. Mas quando os colonizadores franceses invadiram seu território e mataram em batalha todos os chefes de guerra iroqueses, a gantowisa liderou a guerra, até derrotar os invasores europeus.

Daria até um filme, mas com uma velha como protagonista? Seria difícil transformar a 'grande dama' inglesa Judy Dench numa matriarca iroquesa.

___________________________________________________________

 

FORA DE SÉRIE

Homeland – 7 temporadas – disponível na Fox Premium/Now/Net

Quando começou em 2011, o personagem principal de Homeland era um homem, Nicholas Brody ( Damian Lewis), um sargento que volta da guerra do Iraque como herói. Carrie Mathison (Claire Danes), uma agente da CIA, desconfia que não é bem assim e que Brody é ligado à Al-Qaeda. Não vou detalhar muito para não dar spoiler, mas a partir da quarta temporada quem assume a linha de frente é Carrie. Aí, coitados dos terroristas diante da fúria dessa mulher, não por acaso chamada de Crazy Carrie, já que tem um distúrbio mental forte como gostam de atribuir às mulheres.

Assisti as sete temporadas e recomendo para quem gosta do gênero: a série é boa, tem ritmo e é bem produzida. A 8ª e última temporada chega em fevereiro de 2020.

___________________________________________________________

 

NOS BASTIDORES DE HOLLYWOOD

Já que o filme está na nossa seleção de hoje, uma fofoca boa é a que envolveu os astros e o diretor de Mad Max-Estrada da Fúria. Até chegar ao bem sucedido resultado final, as brigas nos bastidores foram muitas. Os protagonistas Charlize Theron e Tom Hardy brigaram entre si. O diretor George Miller e Charlize chegaram a reclamar publicamente de Hardy, que tem fama de temperamental. Depois disso, a atriz quebrou o nariz do colega com uma cotovelada durante a gravação de uma cena de luta. Acidental ??

Além disso, Hardy e Theron não compreendiam a visão do diretor e se sentiam perdidos nas filmagens, sem entender qual era a motivação de seus personagens. Tom Hardy se desculpou publicamente durante a coletiva do filme no festival de cinema Cannes. O filme acabou sendo sucesso de bilheteria e as rusgas ficaram no passado. (Na foto, Tom Hardy, o diretor George Miller e Charlize Theron)

___________________________________________________________

 

OS FAVORITOS DE DEDÉ RIBEIRO

Produtora , colagista e dramaturga, Dedé Ribeiro possui um canal no You Tube onde ensina o "pulo do gato" sobre produção cultural (youtube.com/dederibeiro). Aqui, ela fala para Cine&Séries sobre seu amor pelo cinema, séries de TV e por Rick Gervais, premiado ator, comediante, roteirista, diretor, produtor de televisão e ex-músico pop britânico.

Minha ligação com o cinema : Tive a sorte de amigos interessantes (ou um dedo bom!). Já na faculdade, o grande programa era emendar o máximo possível de sessões de cinema. E não era qualquer coisa, só pedreira: Bergman, Godard, Hertzog, Glauber... Isso virava assunto para intermináveis discussões e deliciosos jogos de mímica. Como produtora cultural, nunca quis produzir cinema por uma única razão: queria manter essa reserva emocional.  Não quero saber da técnica usada, do custo ou do enquadramento, mas quero me deixar levar pela película como o diretor sonhou. Hoje, como muita gente, vou pouco ao cinema por comodismo (as TVs são melhores do que algumas projeções de cinema dos anos 80) e pelo vício nas séries, mas sempre que vou penso que deveria repetir, porque ainda é uma experiência única, ritualística e engrandecedora.  Mas vamos ao desafio de citar um só de cada categoria. Vou optar não pelos que considero melhores (senão seria tudo do Ricky Gervais), mas por terem algo especial.

 

Um filme: Vatell, um banquete para o rei   -  Os primórdios da produção cultural num filme forte e lindo

 

Um diretor: Jorge Furtado -  O mais profícuo diretor da minha geração cultural e que, como eu, não deixou Porto Alegre 

 

Um ator -  Ricky Gervais - Não consegui escapar

 

 

Uma atriz – A espanhola Carmen Maura - Precisa justificar?

 

Uma cena - O olhar de Jude Law no fim da abertura de O Jovem Papa ( série disponível no Now/Net)

 

Uma série de TVAfter Life, da Netflix (olha o Gervais aí, de novo...tá... chega...)

 

Uma trilha sonora: R.E.M, pela trilha de Man on The Moon, filme de Milos Forman (1999)

 


Vídeo postado por Quim Graça no YT-2018

___________________________________________________________

 

CINEMA & LIVROS – DICA

A Família Soprano e a Filosofia – Editora Madras – Coordenação William Irwin - 2004

Quem acompanha a coluna está careca de saber que minha série de TV favorita é Os Sopranos, a história do chefe mafioso com crise de pânico, magnificamente interpretado por James Gandolfini  ( que os deuses o tenham!), que precisa deitar no divã da Dra.Jennifer Melfi (Lorraine Bracco) escondido dos comparsas.

Imaginem a minha alegria quando saiu o livro A família Soprano e a Filosofia- Mato, logo existo, uma coletânea de textos analisando o impacto da série sob o ponto de vista filosófico. Busquei na minha estante para sugerir a vocês e deu vontade de reler para conferir se ainda percebo a história da mesma forma vinte anos depois ( a estreia foi em 1999).

Fica a sugestão do livro para quem é fã da série ou quem ainda vai ter o prazer de descobri-la, pois está disponível na HBO/Now/Net. Boa leitura.

___________________________________________________________

 

Gostaram ? Na próxima sexta-feira, uma edição melhor ainda. Não percam!

THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!