Maio 04, 2020

Não adianta bater na imprensa

Não adianta bater na imprensa
Reprodução

A agressão ao fotógrafo do Estadão e outros jornalistas que acompanhavam a manifestação de bolsonaristas, em Brasília, ontem, 3, foi condenável. E própria da covardia antidemocrática. Não será assim que irão calar a imprensa, sinônimo de liberdade.

Esse tipo de brutalidade surge em grupo. A maneira de punir os agressores é identificá-los, em fotos e vídeo, e mandá-los à Justiça. Ali não seriam mais ativos.

Ontem mesmo, os protestos pela covardia foram imediatos, de autoridades, políticos e pessoas de bom senso. O Estadão registrou: "trata-se de uma agressão covarde contra o jornal, a imprensa e a democracia. A violência, mesmo vinda da copa e dos porões do poder, nunca nos intimidou. Apenas nos incentiva a prosseguir com as denúncias dos atos de um governo que, eleito em processo democrático, menos de um ano e meio depois dá todos os sinais de que se desvia para o arbítrio e a violência". 

 

Silêncio

O governo catarinense está silencioso há três dias, depois das denúncias de compra irregulares de respiradores. O GAECO já está investigando o caso, já ouviu o empresário de Joinville, que disse ter recebido proposta de propina para participar da maracutaia, e também a funcionária que foi afastada da gestão de compras.

Há uma grande interrogação sobre: afinal, quem autorizou o pagamento antecipado de 33 milhões por equipamentos não entregues? Indesculpável o silêncio de Carlos Moisés, a menos que ele não saiba o que ocorre em seu governo.

 

Helton

Em entrevista ao Bom Dia Santa Catarina, da NSC, escolhendo com cuidados as palavras, o ex-secretário da saúde, Helton Zeferino disse não saber onde exatamente houve o problema de compra irregular dos respiradores. Mas deixou claro que, compra acima de 5 milhões com dispensa de licitação, obrigatoriamente tinham que ser autorizadas por ele.

Depois disso, o processo – este e outros – ia para a Superintendência de Gestão Administrativa, que tomava as providências seguintes, tais de quem comprar e quais equipamentos. Ou seja, a responsabilidade final foi dele, mas alguém corrompeu o processo.

Então, a decisão de sair, foi correta.

Quanto ao Bom Dia, fez o jornalismo que se espera, mais indispensável em temos de crise.

 

Furo

Foi de Renato Igor, da CBN Diário, a divulgação exclusiva, no feriado do Dia do Trabalho, que a deputada federal Carmem Zanotto foi convidada para nova Secretária da Saúde.

 

Futebol

É incompreensível – se não insensível - a pressão para que o futebol volte aos gramados em plena pandemia. É um imenso problema para todos - clubes, mídia e torcida - sem solução a curto prazo.

Para honrar com os patrocínios contratados, as emissoras de TV e rádio têm repetido jogos antigos da seleção e dos clubes. É bom rememorar certos eventos, mas os mais antigos foram gravados com número infinitamente menor de câmeras e em outro sistema. Na smartv de hoje fica uma imagem lastimável. Infelizmente.

 

Direitos

A Champions League 2021, o campeonato mais estrelado do mundo, está em discussão. As emissoras de TV que disputavam à tapa os direitos estão na defensiva. Ninguém colocou dinheiro na mesa.

A DAZN, que havia se revelado uma grande investidora do futebol, também está quieta, com uma grande perda de assinantes.

Uma bola de neve descendo morro abaixo, que ninguém sabe ao certo como, quando e onde vai parar.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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