Janeiro 07, 2019

Não há como desvincular a política do governo

Não há como desvincular a política do governo
PETERSON PAUL/SECOM

Sobram coerência por parte do professor Tiago Savi Mondo (ao centro), primeira baixa do governador de Carlos Moisés da Silva - sem sequer ter a nomeação ao comando da Santur publicada no Diário Oficial, pelo menos até à edição de 4 de janeiro - e entre os militantes e eleitores do PSL que reclamaram da indicação dele e fizeram campanha contra a efetivação. Savi declinou do cargo em função da repercussão que uma declaração dele, publicada no Facebook, durante à campanha presidencial, onde relacionou o então candidato Jair Bolsonaro ao ódio e declarava voto a Fernando Haddad, do PT. Jovem com pós-doutorado em Turismo, pela Universidade Federal do Paraná, o professor do IFSC e criador do Tourqual, modelo único de avaliação da qualidade de serviços no setor, Savi é um técnico reconhecido que caía como uma luva na equipe de Moisés. Porém, o professor não deve ignorar que a manifestação isolada, que motiva a sua desistência e que agora ele relaciona à politicagem, é o centro do debate que levou à eleição de Jair Bolsonaro (PSL), o antagonismo aos governos petistas, o que na nova, na velha ou na ultra-moderna política, que ainda virá, torna impossível dissociar este elemento de quem assume a atual administração pelo voto. Moisés, que não é Bolsonaro, chegou ao governo embalado por esta onda e o que alguns chamarão de caça às bruxas configura a responsabilidade de ter que respeitar quem escolheu a mudança.

 

Irônico

Há constrangimento no governo pela decisão de Tiago Savi, dois dias depois de anunciado para o cargo, porém o mais irônico foi o palco da discussão. A mesma rede social que serviu para o professor dar o apoio a Haddad e provocou as reações contra a ida dele à Santur, abriga a carta aberta de Savi para declinar da indicação, sinal dos tempos.

 

Não é o único

As baterias do PSL e de seus eleitores estão voltadas agora para Rita Maria da Silva, nomeada gerente de Educação da ADR de Lages, pasta que será extinta com a reforma administrativa, mas o cargo permanecerá. Rita é ligada ao grupo político do deputado Gelson Merisio (PSD), que disputou o segundo turno com Moisés e para quem ela fez campanha.  

 

Novo nome

O governo do Estado informou que a escolha do novo nome para presidir a Santur virá de uma consulta ao trade turístico. Ficou evidente que a administração desconhecia a manifestação pró-Haddad feita pelo professor Tiago Savi Mondo.

 

Disputa

Dentro do Centro Administrativo circula a preocupação de que exista mais do que uma simples manifestação de filiados ao PSL ou eleitores por trás do episódio que envolve a indicação para a Santur. Suplentes de deputado do partido esperavam ser chamados para ocupar algumas funções, com o apoio dos parlamentares eleitos, mas muitos deles não se enquadram nos critérios técnicos estabelecidos pela equipe de transição, e isso seria um problemão até porque a estrutura do Estado encolheu e ter filiação não está entre os pré-requisitos.  

 

Exonera e renomeia

Quem leu o Diário Oficial do Estado nas edições de 2, 3 e 4 de janeiro, identificou pelo menos uma situação curiosa. Algumas exonerações, publicadas em uma edição, foram anuladas na seguinte.

 

Na Comunicação

Dois casos ocorreram na área da Comunicação, agora parte da estrutura da Casa Civil. Os jornalistas Lúcia Helena Vieira, diretora de Imprensa, e James Tavares, repórter fotográfico que responde pela coordenação da área de TV da pasta, foram exonerados e reintegrados, de acordo com o secretário executivo, jornalista Ricardo Dias, devido a diminuição de funções comissionadas, de 37 para 27, e alguns nomes, equivocadamente, apareceram na lista. Lúcia Helena deve migrar para a Assembleia caso se confirme a eleição de Julio Garcia à presidência da casa, em fevereiro.           

 

Ele fica

Sem filiação partidária, o jornalista Gonzalo Pereira, um técnico que comandou a Secretaria de Comunicação no governo de Eduardo Pinho Moreira, foi nomeado para atuar junto ao gabinete de Carlos Moisés da Silva. Será um  consultor geral e que atuará na gestão, entre as atribuições a de fazer com que todos os números da administração estadual, em todos os níveis, sejam visíveis para Moisés, a equipe e a sociedade.

 

Gestão

Vale lembrar que Gonzalo Pereira, que passou pelas redações dos jornais Zero Hora e Diário Catarinense, além da RBS TV (hoje NSC TV), já fez esta consultoria estratégica na diretoria nacional da Operadora de Telefonia Oi e realizou trabalhos na mesma área, em Santa Catarina, para a Facisc e a Fecomércio. O resultado positivo de divulgação, contenção de gastos e otimização de ferramentas na gestão da Secom valeram a permanência no governo de Moisés.

 

Estrela

As missões de Michele Roncalio no governo de Carlos Moisés da Silva fazem jus à sua passagem pela administração anterior. Ela foi nomeada secretária adjunta da Fazenda e acumula o cargo com a direção do Tesouro Estadual, uma estrela ascendente no governo. 

 

Decidido

O novo diretor de Imprensa do governo do Estado, que, com a reforma administrativa, passará a ser gerente da área, terá atribuições diferentes de seus antecessores e sua função será coordenar a redação da Secom. Outra decisão confirmada pelo secretário Ricardo Dias é que uma equipe composta por operacional, repórter e repórter fotográfico ficará, de forma fixa, para acompanhar o governador. Este grupo, mais ligado à Casa Civil, que criará um vínculo com Moisés, será responsável por abastecer as redes sociais do governador e a Secom.  

 

CLAUDIO THOMAS/DIVULGAÇÃO

RECONHECIMENTO NO SUL

Entre o prefeito Clésio Salvaro e o vice Ricardo Fabris, ambos do PSDB, o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) foi um dos convidados de honra da inauguração do Parque dos Imigrantes, em Criciúma, no domingo (6). Homenageado por ter liberado recursos para a construção de uma área com equipamentos para a prática de esporte e de lazer. A reaproximação pode significar, mais à frente, uma construção política sobre a próxima eleição ao governo.

 

* Pelo menos um dos deputados estaduais eleitos pelo PSL, Jessé Lopes, se manifestou nas redes sociais sobre os episódios que envolvem Tiago Savi Mondo e Rita Maria da Silva, agradeceu a participação dos eleitores e militantes e afirmou que, ao entrar em contato com o governo, soube que providências seriam tomadas esta semana.

 

* Enquanto a situação da Santur monopolizou a atenção nos últimos dias, a indicação da doutora Ana Lúcia Coutinho para a Fundação Catarinense de Cultura provocou reações do setor da cultura catarinense.

 

* A troca de farpas entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, no Twitter, é algo dantesco, expondo ao público um bate-boca que não deveria mais fazer sentido em função do resultado das urnas. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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