Setembro 28, 2019

Não sabe que série escolher? Seus problemas acabaram

Não sabe que série escolher? Seus problemas acabaram
Phoebe Waller-Bridge e seus Emmys

Histórias seriadas não são novidade na TV. I Love Lucy, por exemplo é do final dos anos 50. Na década de 60, o público acompanhava com fervor : A Feiticeira, Jeannie é um gênio, Missão Impossível, Perdidos no Espaço,  A noviça voadora,Tarzan, Batman e Robin, Agente 86, Viagem ao fundo do mar e, claro, Jornada nas Estrelas. Os 70, trouxeram Cyborg-O homem de seis milhões de dólares ( e sua correspondente feminina, A Mulher Biônica), Os Waltons ( boa noite, John Boy, boa noite, Mary Ellen...rsrs), Casal 20, As panteras...São apenas algumas, mas daria para encher telas e telas. Nos anos 90, o que apareceu de melhor foi Seinfeld e Friends, seguidas de Arquivo X, ER-Plantão médico (que gerou outras como Greys Anatomy) e mais uma infinidade de séries americanas.

Os anos 2000 trouxeram um boom de séries, cujo padrão de produção foi elevado com Os Sopranos, minha favorita como sabe quem acompanha a coluna. Embora, injustamente, nem sempre ela apareça nas listas das "melhores séries de todos os tempos", atribuo à história de Tony Soprano, o chefão mafioso com síndrome do pânico que precisa procurar o divã da Dra.Jennifer Melfi escondido dos capangas, uma virada na dramaturgia seriada. É preciso fazer justiça ao elenco- encabeçado por James Gandolfini, o Tony - repleto de outras atuações inesquecíveis.  Com o sucesso do formato grandes nomes do cinema passaram a fazer televisão, invertendo o caminho habitual, onde a tela pequena era apenas o ponto de partida para a carreira de ator. Passamos a ver astros como Glenn Close, Kevin Spacey, Dustin Hofmann e Julia Roberts fazendo séries ou minisséries.

Logo o mercado do entretenimento se deu conta do filão que ressurgia e o que temos hoje são séries de várias nacionalidades como as inglesas (ótimas), espanholas, francesas, norueguesas, dinamarquesas, coreanas e brasileiras. Breaking Bad, Game of Thrones, Mad Men, Lost, House, Sex and city, Black Mirror, A Ponte...são algumas da safra dos anos 2000. O efeito colateral negativo é que, com tanta quantidade, muitas delas não têm qualidade e algumas que têm não fazem sucesso, perdidas no mar de ofertas dos sistemas de streaming como Netflix, Prime Amazon e afins. Então, o jeito é se informar, escolher pelo gênero favorito e conferir. Como não se paga por título ( na maioria dos casos), se não gostar, use o controle remoto e parta para outra.

Tamanho sucesso mercadológico transformou o Emmy Awards, o chamado "Oscar da TV, em evento badaladíssimo. Foi o que se viu no último domingo: um tapete vermelho repleto de astros e estrelas em busca da sua estatueta. Listei hoje algumas das séries premiadas, como sugestão para quem está as está descobrindo agora  e também outras não tão celebradas que merecem uma chance. Boa leitura, boas séries!

___________________________________________________________

 

PREMIADAS COM O EMMY 2019

Quem leu sobre minha torcida para o Emmy na edição anterior sabe que fiquei contente com as premiações como ator coadjuvante em série dramática: Peter Dinklage ( Game of Thrones), ator em série dramática: Billy Porter (Pose) , ator coadjuvante em comédia: Tony Shalhoub ( Mrs.Masel) e minissérie: Chernobyl. No mais, a vitória óbvia de Game of Thrones como a melhor série dramática, embora a última temporada tenha deixado a desejar. Mas como não premiar a despedida da série de maior popularidade da história?

Bem, mas não precisamos falar de Game of Thrones, né? Vamos ver outras ganhadoras menos arrasa-quarteirão...

 

FLEABAG – 2 temporadas – Amazon Prime Vídeo

O Emmy/2019 consagrou Fleabag em quatro categorias, entre elas melhor série em comédia, melhor atriz em comédia e melhor roteiro. A premiação confirmou que sua criadora e intérprete, a britânica Phoebe Waller-Bridge, é a nova menina dos olhos da indústria cinematográfica. Ela está cotada até para dirigir o novo 007.

Fleabag é uma adaptação da peça criada pela própria Phoebe Waller-Bridge, mostrando o cotidiano de uma jovem que tenta lidar com uma tragédia pessoal em Londres, na Inglaterra. O humor inglês, os diálogos rápidos, a ironia do texto e o drama fazem de Fleabag uma obra bem diferente. Na segunda temporada, a protagonista encontra um padre que a incentiva a ver o mundo de outra forma.

Tudo indica que, apesar do sucesso, não haverá uma terceira temporada de Fleabag. Nos bastidores do Emmy, Phoebe respondeu: "para ser completamente honesta, me parece o jeito mais bonito para me despedir dela, na realidade (...) ela está completa". Além disso, a criadora da série está sendo disputada por vários estúdios para voos maiores.

 

CHERNOBYL – 5 episódios – HBO

A minissérie sobre a tragédia nuclear de 1986 levou três prêmios: melhor série limitada, melhor direção e roteiro. Pena que o ator Jared Harris ( na foto com Stellan Skarsgård), meu favorito na categoria, não tenha saído com a estatueta. Ele interpreta de forma brilhante o cientista Valery Legasov, mas perdeu para o jovem Jharrel Jerome de Olhos que condenam (disponível na Netflix). É a história do vazamento da usina de Chernobyl, contada aqui a partir de homens e uma mulher que tentaram minimizar os danos do acidente, enfrentando os obstáculos políticos e burocráticos do governo soviético. Há cenas fortes dos efeitos radioativos nos trabalhadores da usina, mas não de forma apelativa. Era preciso mostrar o horror que os governos são capazes de causar em nome de poder e dinheiro.

___________________________________________________________

 

CRIMINAL – 12 episódios – Netflix

Se tem uma coisa que um série maníaco adora é descobrir um seriado do qual não esperava tanto e ser surpreendido. Comecei a ver Criminal sem saber muito a respeito, mas o ator David Tennant ( de Dr. Who) no elenco me chamou atenção e resolvi conferir. Do que se trata: policiais e investigadores tentam arrancar a confissão do suspeito de algum crime. A cada episódio, uma história diferente. O cenário e a situação são sempre os mesmos, mas a surpresa é que terminado os três episódios ingleses, vêm três franceses, três espanhóis e três alemães. A cada cultura, um jeito diferente de interrogar os suspeitos. Já tenho meu bloco favorito, mas vou deixar para vocês conferirem os seu. Que ideia interessante!

***

 

UM GALO PARA ESCULÁPIO – 1 TEMPORADA – TNT SÉRIES - NOW/NET

Já falei sobre esta série argentina antes, mas como já existe a segunda temporada e a primeira está num canal pouco visto achei oportuno mencioná-la de novo. A história se passa numa Buenos Aires bem diferente do charme da Recoleta ou do luxo de Puerto Madero. É a periferia da capital porteña, com roubos de carga, fraudes, briga de galos e gente tentando sobreviver. É ali que chega Nelson um jovem do interior em busca do irmão, carregando o galo Van Dan debaixo do braço. O irmão não aparece e Nelson tem que se virar na selva de pedra.

Agora, resta esperar pela boa vontade da TNT Séries colocar a segunda temporada de Um galo para Esculápio no sistema OD. Como já sabemos, TV paga é terra de ninguém, então a gente nunca sabe quando pode contar com o programa.

___________________________________________________________

 

PALAVRA DE LEITOR

Quem dá outras dicas de séries é o Wladimir Nequesaurt Pereira Neto (na foto, pedalando pelo mundo). Ele não faz distinção de gêneros, mas seu amor por viagens, fotografia, livros, cinema e música influenciam nas preferências. A ambientação da série Prófugos, por exemplo, traz recordações de sua viagem de moto pelo Chile, onde conheceu o deserto do Atacama; Better than us, remete aos livros de Isaac Asimov, como Eu Robô, e O Sabor das Margaridas traz lembranças da visita à Galícia e do sotaque local. Por tudo isso, Wladimir montou uma lista eclética e de respeito a pedido de Cine&Séries.

Twin Peaks, de David Linch

Fargo, dos irmãos Cohen

Better call Saul, spin off da cultuada Breaking Bad

True Detective – a ótima trilogia que abriu com a melhor de todas, interpretada Matthew McConaughey

Merlí – a série catalã do professor de filosofia pouco ortodoxo na maneira de ensinar

O sabor das Margaridas – série policial espanhola com sotaque da Galícia

My brillant friend (A amiga genial) – uma co-produção da RAI com a HBO, que mostra Nápoles

Trapped – um thriller interessante que mostra que a Islândia também produz boas séries

Border Town – idem a Finlândia

Hinterland – série que se passa numa pequena cidade do País de Gales, clima bem noir

River série inglesa com o ótimo Stellan Skarsgard, um investigador que vê (acha?) sua parceira morta

Better than us – a série russa sobre robôs humanizados que passam a fazer parte da vida de famílias e suas conseqüências

High Maintenance – série da HBO onde um traficante de maconha atende clientes bem neuróticos

___________________________________________________________

 

E NA TELA GRANDE ?

O que ver no FAM- Festival Audiovisual Mercosul 2019 ?

Documentário My Name is now sobre a vida de Elza Soares

My name is Now, Elza Soares, documentário musical dirigido pela cineasta e jornalista mineira Elizabete Martins Campos, é a grande surpresa da 23ª edição do Florianópolis Audiovisual Mercosul



Os fãs catarinenses da grande diva da música nacional Elza Soares vão poder assistir em primeira mão o documentário musical My Name Is Now, Elza Soares, durante a Sessão Especial Grande Prêmio do Cinema Brasileiro – Vencedor do Voto Popular. O filme será exibido no dia 02 de outubro, às 20h45, no Cineshow no Beiramar Shopping, e o ingresso já pode ser adquirido pelo site ingresso.com, na bilheteria do cinema ou a preço popular nos parceiros do Festival (Tralharia, Caos, Unisul e Mirantes).

Dirigido pela cineasta e jornalista mineira Elizabete Martins Campos, o filme conta a difícil trajetória de Elza na carreira musical, tratando de temas doloridos e delicados, como a infância pobre em Padre Miguel, os preconceitos sofridos e a morte do filho Manoel Francisco dos Santos Júnior, aos nove anos. Com uma narrativa pouco utilizada em documentários, a diretora permeia as histórias com versos recitados pela cantora e músicas de forte significado.

O documentário faz parte da mostra de filmes convidados que foram premiados pelo voto popular durante o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Além do filme de Elza, serão exibidos os documentários Chacrinha, o Velho Guerreiro, de Andrucha Waddington, e Uma noite de 12 anos, de Alvaro Brechner, sobre a história do ex-presidente do Uruguai, José Mojica, e seus companheiros.

___________________________________________________________

THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!