Junho 11, 2020

Não vale fazer espuma ou fumaça

Não vale fazer espuma ou fumaça
RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA AL

Era esperado e a Procuradoria Geral do Estado enviou ofício à Assembleia para reafirmar o que a Constituição Estadual assegura: a Assembleia não pode convocar o governador Carlos Moisés da Silva pra prestar esclarecimentos à CPI dos Respiradores.

A pirotecnia do deputado Ivana Naatz (PL), relator e propositor da comissão e do requerimento, tem a finalidade de reafirmar a falta de apoio de Moisés entre os nove integrantes da CPI, uma sinalização cujo objetivo era mesmo fazer espuma ou fumaça, o que depende da preferência do adversário.

No documento, aprovado por unanimidade pouco antes da reunião que fez a acareação entre a servidora Márcia Regina Geremias Pauli e os ex-secretários Helton Zeferino (Saúde) e Douglas Borba (Casa Civil), não constam as expressões convocação ou convite.

Polida, a PGE assegura, em nota, que o ofício enviado ao Legislativo atesta que Moisés pode, a qualquer momento, prestar esclarecimentos por escrito, algo que nos faz refletir sobre o objetivo da medida na CPI, formar a imagem de que o chefe do Executivo foge do debate, estratégia equivocada por parte de quem, como parlamentar, jurou a cumprir a Constituição.

 

Não basta ser maioria

A CPI dos Respiradores se perde em picuinhas e pensamentos fora do contexto da investigação, principalmente quando emite juízo de valor sobre a validade de medidas positivas como a do isolamento social ou aproveita para fazer política partidária ou eleitoral com o tema.

Agora, a partir do requerimento contra Moisés, solidifica o pensamento de que não é suficiente ser maioria numérica, deve espezinhar, manter sob pressão, enquanto a força-tarefa de Ministério Público, Polícia Civil e TCE avança, assim como a ação civil pública no Judiciário e até as sindicâncias internas no governo.

 

Transferidos 1

O advogado Douglas Borba foi transferido na manhã desta quarta (10), da sede da DEIC para o Presídio de Florianópolis, no Bairro Agronômica.

Foi um dia depois dos também advogados Leandro Barros e Cesar Augustus Martinez Thomas Braga, diretor jurídico da Veigamed, porque Borba prestou depoimento à CPI e só foi encaminhado ao sistema prisional na quarta pela manhã.

 

Transferidos 2

As informações sobre as transferências foram dadas pelo delegado Jeferson Prado, da DEIC, que confirmou que Fábio Guasti, empresário que fez a intermediação da venda dos respiradores entre a Veigamed e a Secretaria Estadual de Saúde, veio direito de Sorocaba, no interior de São Paulo, onde foi preso, para o Presidio da Capital.

Ainda de acordo com o delegado, o único preso na segunda fase da Operação Oxigênio que não está em Santa Catarina é o vereador Davi Perini Vermelho, presidente da Câmara de São João do Meriti, no Estado do Rio, que, por ter problemas de saúde, está detido em um quartel do Corpo de Bombeiros, no Rio de Janeiro. Tão logo tenha liberação médica, após o resultado de exames, será transferido para Florianópolis.

 

Fase crucial

O momento em que os detidos preventivamente chegaram ao Presídio é considerado o mais difícil.

São obrigados a seguir as normas dos que já cumprem pena, cabelo cortado e usar o macacão laranja. Há informações de que os advogados já tentam mudar o endereço provisório dos clientes sob o argumento de provocar depressão e da exposição a doenças infectocontagiosas.

 

Sem máscara

O chamada que o deputado Vicente Caropreso (PSDB), que é médico por formação, deu nos colegas que não estão a usar máscara em plenário e nas dependências da Assembleia parece não ser suficiente para sensibilizar a todos.

A lógica do uso é também proteger os outros além de si próprio, mas nem demorou muito e, em plena noite de terça, na reunião de acareação da CPI dos Respiradores, lá estavam no auditório as deputadas Ana Caroline Campagnolo (PSL) e a deputada federal Caroline de Toni (PSL) sem o adereço que pode evitar contaminações.

 

No lombo

Está correto Vicente Caropreso quando afirma o que a coluna já contemplou, os deputados estaduais têm papel preponderante na nova política de conscientização que regionalizou as decisões nas mãos dos prefeitos.

O relho vai no lombo dos mandatários na cidade, pois, até então, os parlamentares cobravam do governador, sem deixar de considerar que teve muito deputado que cobrou a postura equivocada de Carlos Moisés, em um hotel em Gaspar, e estava sem máscara no plenário.  

 

REPRODUÇÃO/FECAM

A BATALHA DOS MUNICÍPIOS

A Federação Catarinense de Municípios (Fecam) fez dois dias de rodadas de debates macrorregionais com as 21 associações de municípios sobre um tema crucial que precisa chegar à sociedade com mais clareza: a defesa da unificação dos mandatos, de vereador a presidente da República, em 2022. Prefeituras na bancarrota e um gasto de R$ 4 bilhões para realizar uma mobilização municipal, a maior das campanhas no país afora, porque o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), não quer a prorrogação de mandatos como o do prefeito Marcelo Crivella (REPUBLICANOS), do Rio de Janeiro, ou exista resistência dentro da Justiça Eleitoral, é um absurdo diante do delicado momento econômico que vive o planeta. O adiamento da eleição é pouco e a Fecam, unida a uma campanha da CNM, sustenta que não há ambiente para as eleições deste ano, também pelo ponto de vista jurídico. Outro ponto, o gasto de mais de R$ 2 bilhões para as campanhas em cidades com problemas agravados pela Covid-19.

 

Detalhe

Na foto, entre os prefeitos que participaram de um dos eventos comandados pelo novo presidente da federação, Orildo Severgnini, estava a prefeita de Maravilha, Rose Maldaner (MDB).

Ela é mulher do deputado federal Celso Maldaner, presidente estadual do MDB, e que terá voto e vez de se manifestar no Congresso.

 

Um mar de lama

Prefeitos que assumirem em 2021, caso seja levada adiante a ideia de fazer a eleição em novembro ou dezembro, receberão uma bomba-relógio nas mãos e passarão, sem dúvida, quatro anos a se lamentarem.

O maior prejudicado é o contribuinte que pagará várias vezes: pela eleição em si, pela recuperação das finanças arrasadas e ainda terá que se manter em um mercado prejudicial a quem é trabalhador ou empresário.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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