Setembro 13, 2017

Não precisamos do patrulhamento da mídia

Alguns veículos da mídia em extinção se apropriaram da ideia de identificar o que é "fake news", colocando tarjas naquilo que seria falso, como sinônimo de internet. É uma tentativa de reação ao crescimento descomunal da maior mídia do mundo, porém não vai durar muito tempo pela vida curta dos algozes.

Notícias falsas não são privilégio da internet, nem foram inventadas por ela. É verdade que há compartilhamento indevido sem checking, porque nem todos são tão críticos quanto deveriam. Mas é fato que muitos já estão entendendo o processo que a mídia orgânica abraçou ao buscar desesperadamente maiores recursos deixando entregar cada vez menos produtos satisfatórios.

Se agregassem valor como antes não haveria tantos usuários dispostos a passar a maior parte do dia a frente da tela do computador. Nem as crianças manejariam tablet ou console antes de aprender a escrever.

Ainda não é fácil para a maioria identificar exatamente as notícias falsas na internet e muito menos na televisão, rádio e jornais, porém aumenta a percepção que algo não está correto em certas informações que nos oferecem diariamente. Cresce o feeling que outros interesses estão por trás, econômicos e políticos.

Tudo é uma questão de hábito. Hoje já se sabe identificar as lorotas nos tweets de Donald Trump e em breve vamos saber a verdade que está por trás das linhas tendenciosas e adjetivadas. A questão sempre é: oferecem o que queremos ver ou o que querem que nós vejamos?

O noticiário sobre corrupção, por exemplo, assusta-nos diariamente. A Lava Jato presta um serviço inestimável mas o excesso de notícias sem critério seletivo está tumultuando o processo de divulgação, a ponto de não sabermos mais exatamente quem são os bandidos ou mocinhos. Os papéis chegam a se inverter de um dia para o outro.

O país cresce pouco economicamente mas cresce, a bolsa bate recorde histórico, mas o que é positivo, independente de quem fez, está perdido no mar de lama geral. Não se prega o escamoteamento da verdade, mas que se exerça o papel que a imprensa sempre ocupou, de selecionar e informar o que de importante ocorre, sem opinar, para que o usuário tire as próprias conclusões. É o mínimo que se espera de um paciente com credibilidade quase terminal.

E quanto a internet, a gente vai se entendendo por aqui. Em breve mais gente saberá distinguir o falso do verdadeiro, sem precisar de tutor ou patrulhamento.  

*Claiton Selistre é jornalista.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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