Fevereiro 14, 2018

Napoleão mira na majoritária

Quem imaginava uma batalha entre o prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes e o senador Paulo Bauer para decidir quem disputará o governo do Estado pelo PSDB pode sair decepcionado. Napoleão, advogado e professor universitário, bastante festejado e estimulado a concorrer em outubro, dá sinais de que estará inclinado a ser um nome para o Senado, mas não descarta outras hipóteses. O próximo desafio é a barreira legal, 7 de abril, próximo, quando terá que renunciar à prefeitura para concorrer em outubro.

Prefeito do terceiro maior colégio eleitoral do Estado e inserido na região que possui o maior número de leitores catarinenses, de Taió a Ilhota, sem considerar a influência na Foz do Rio Itajaí-Açú e na região de Brusque, Napoleão demonstra uma maturidade política de dar inveja, do alto dos 35 anos de idade – completará 36 em 28 de setembro deste ano – com duas passagens pela Câmara de Vereadores e no segundo mandato no Executivo local. Adepto da candidatura própria ao governo e engajado no projeto de Geraldo Alckmin à Presidência, o prefeito ainda precisa desenhar as suas próprias trilhas no jogo eleitoral.

 

“Triste e incômodo”

Napoleão Bernardes, citado em delação premiada de ex-executivos e executivos da empreiteira Odebrecht, por suposto recebimento de caixa dois,  vê o assunto como “triste e incômodo”, embora não esteja sozinho, já que, só em Blumenau, os também candidatos à prefeitura Ana Paula Lima (PT) e Jean Kuhlmann (PSD) foram relacionados na mesma lista. Napoleão pondera que enfrentou a Odebrecht, que tem uma concessão no serviço de esgoto da cidade, evitou prejuízo público e se apega ao posicionamento da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, que consideraram o fato fora do âmbito da Lava Jato.

 

Os caminhos

Qualquer que seja a montagem do PSDB nestas eleições, o nome de Napoleão cai bem. Em uma coligação com apenas outro grande partido, o prefeito surgiria como opção ao Senado. Se a chapa for puro sangue, Napoleão não estaria afastado da hipótese de ser vice ou concorrer ao Senado. Sem descartar a possibilidade real de estar na cabeça de chapa. Ou seja, o prefeito é uma opção e tanto estilo Bombril.

 

Aquela velha lógica

O ano no Brasil já começou muito mais forte depois do Carnaval. Neste, mesmo que as coisas tenham mudado, a posse de Eduardo Pinho Moreira no governo e as discussões da Reforma da Previdência na Câmara levam a considerar a máxima.

 

Expectativa

O retorno de Eduardo Pinho Moreira ao Estado trará, com certeza, novidades nas definições de seu governo. Mas é na probabilidade de surgirem novos nomes na equipe que reside a maior expectativa.

 

Presente

O governador Raimundo Colombo receberá uma obra de arte dos secretários executivos das Agências de Desenvolvimento Regional, na próxima sexta, durante a transmissão de cargo a Eduardo Pinho Moreira. Quem puxou a homenagem de agradecimento foi a secretária regional de Joinville, a ex-deputada Simone Schramm (MDB).

 

MAIARA GONÇALVES/DIVULGAÇÃO

JUSTA HOMENAGEM

A saída de Nelson Serpa do governo de Raimundo Colombo é o marco do término da gestão do governador. Chamado de primeiro-ministro pelo vice-governador Eduardo Pinho Moreira, que assume o governo nesta sexta (16), Serpa segurou as pontas nos momentos mais difíceis e ainda fez o pêndulo entre o Executivo e o Legislativo. O então secretário da Casa Civil não escapou das críticas dos deputados da base na Assembleia, porém soube atuar nas matérias mais delicadas com competência. O ato de pôr a própria foto na galeria de ex-secretários, desenvolvida por ele e equipe, foi um ato marcante.

 

Solidariedade

Desde que foi preso, o deputado federal João Rodrigues (PSD) passou a receber dezenas de apoios de correligionários e políticos, entre eles o senador Dalírio Beber (PSDB) e o ex-senador e governador Casildo Maldaner (MDB). Outros tantos prefeitos e diretórios pessedistas se manifestaram contra o que consideram um exagero na condenação do parlamentar. Falta mesmo o romper do silêncio do presidente do partido, o deputado Gelson Merisio, que tinha em João o maior adversário interno ao projeto de disputar o governo do Estado.

 

Lá do Oeste

Posições muitas claras são as de líderes oestinos do PSD e de outras siglas que gravitam a sigla do governador Raimundo Colombo: a prisão de João não reverteu coisa alguma em termos de apoio a Merisio, muito pelo contrário.  

 

RAFAEL WIETHORN/DIVULGAÇÃO

O TRIUNVIRATO

No mesmo registro e no mesmo ambiente, o governador Raimundo Colombo (PSD), de costas, que concedia entrevista, e o prefeito Udo Döhler (PMDB) e o deputado federal Jorginho Mello, presidente estadual do PR, que conversavam à esquerda, parecem reproduzir uma das tantas alianças que podem ser construídas até as convenções entre julho e agosto. O que falta equacionar são os interesses: Jorginho mantém firme a ideia de concorrer ao governo e por isso decidiu não integrar o governo de Eduardo Pinho Moreira (MDB), que tem tudo para concorrer à reeleição; Udo não se decidiu se renuncia em abril para concorrer e ainda teria pela frente a pré-candidatura de Mauro Mariani ou o apoio a Moreira; e Colombo terá que afastar o projeto de Gelson Merisio para manter a coligação com os emedebistas.

 

Transparência

Um pedido diferente feito pelo defensor público-geral do Estado, Ralf Zimmer Junior, foi entregue à mesa diretora da Assembleia: utilizar o Plenarinho da casa para fazer a prestação de contas de sua gestão à frente da instituição, entre os dias 15 (esta quinta) e 7 de março. É que no simbólico dia 8 de março, o Internacional das Mulheres, ele passa o comando para a subdefensora pública-geral, Ana Dihl Cavalin. Mas Zimmer Junior foi mais longe e protocolou junto ao TJ, a Assembleia, a Procuradoria Geral de Justiça (MP), TCE e OAB um ofício onde pede mais transparência.

 

O objetivo

A intenção do defensor público-geral de Santa Catarina é ampliar as informações e também dar uma cutucada. Ao TJ, por exemplo, pede a publicação de contratações sem concurso público e o responsável nas respectivas comarcas pelos atos de nomeação; e à OAB, a prestação de contas dos aproximadamente R$ 100 milhões recebidos pela instituição do governo do Estado para pagar advogados dativos, após 2013, quando já havia a DPE.

 

MARTINHO GHIZZO/PMF

MUITA GENTE

Mais de 200 mil pessoas passaram pelo Centro de Florianópolis para curtir os blocos de sujo e o evento da Skol, que misturou samba, funk e música eletrônica. Com tanta gente reunida, uma tendência nacional de lotar ruas, não faltou alegria, mas foram evidenciadas as preocupações com a segurança, entre furtos e agressões. A velha comparação do copo cheio e do copo vazio: bom para alguns e ruim para outros. Mas nem fatos menores, como o do pessoal a fazer xixi na rua, o que deixou o odor na região insuportável, deverá ser objeto de campanha e multa. Sobre a festa, não tem volta!

 

Que descoberta!

Carnaval e protestos sobre as questões sociais e as atividades políticas no país sempre tiveram uma sintonia fina, movimentaram blocos e escolas de samba, além de virarem tema de marchinhas a enredos. Críticas contundentes e bem-humoradas, na maioria das vezes. Estranho é ver a repercussão disso nas redes sociais e no telejornal de maior audiência do país. Estavam fora do país por décadas e retornaram agora?

 

DIVULGAÇÃO

ALERTA NO NORTE DA ILHA

Moradores já denunciaram às autoridades ambientais o que pode ser visualizado do mar, mas mal pode ser observado da rua, a Rodovia Tertuliano Brito Xavier, entre Jurerê e Canasvieiras, na altura do número 2.100. Foi aberto quase que um caminho, desmatado, em direção ao mar. O que ninguém sabe é se há autorização para o procedimento em área nobre no Norte da Ilha de Santa Catarina e a extensão de eventuais danos. A imagem assusta.

 

RÁPIDAS

* A maior arrecadação da história de Santa Catarina, registrada em janeiro, com mais de R$ 2, 22 bilhões, reforça o crescimento da atividade industrial e a relevância do movimento de turistas no Estado. E tem gente que reclama.

 

* Tem candidato a secretário na gestão de Eduardo Pinho Moreira que não sabe, mas os atuais padrinhos emedebistas, não escondem a rejeição pelo passado de apoio de gente influente ligada ao PSD.

 

* Pessoal que reclamou da prefeitura por cercar a Praça XV por conta de possíveis atos de vandalismo e dos exageros no Carnaval, em Florianópolis, foi o mesmo grupo que criticou a administração anterior por não cuidar do patrimônio público quando estátuas de bronze foram arrancadas do mesmo local.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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