Novembro 16, 2019

NO CINEMA, O FUTURO JÁ É PASSADO

NO CINEMA, O FUTURO JÁ É PASSADO

Bebendo nas águas da literatura, o cinema já fez muitas previsões de como seria/será o futuro do planeta. Em muitos casos ele já chegou e é sempre divertido comparar ficção e realidade. O autor acertou? Chegou perto? Errou feio? Antes de irmos ao mote deste tema, que é Blade Runner - como vocês lerão no artigo do escritor e jornalista, Roberto Cattani, exclusivo para a coluna - façamos justiça ao francês Julio Verne, um visionário capaz de criar em seus livros Semanas em um Balão (1863), Viagem ao Centro da Terra (1864), Da Terra à Lua (1865), Vinte Mil Léguas Submarinas (1869) e A Volta ao Mundo em 80 Dias (1872), muitos objetos e equipamentos que viriam a existir. Foi assim com as viagens à lua, submarinos elétricos, escafandros autônomos e o "fonotelefoto" (O dia de um jornalista americano no ano de 2889) muito antes da criação do computador e do smartphone. Várias de suas obras foram adaptadas para as telas, como Vinte mil léguas submarinas (1954), com Kirk Douglas e Charles Mason.

Já tivemos chance de checar o 1984, de George Orwell, cuja versão cinematográfica foi lançada justamente em...1984; o futuro tecnológico de Arthur C.Clarke e Stanley Kubrick de 2001-Uma odisséia no espaço, entre outros. E agora chegamos a 2019, ano chave em Blade Runner, livro de Phillip K. Dick e filme de Ridley Scott. E aí, e aí...? Calma, vamos saber já o quanto a bola de cristal cinematográfica acertou.

Selecionei outras obras de futurologia. Divirtam-se buscando semelhanças. Aliás, qual filme vocês acham que traz a visão mais próxima da realidade?

Boa leitura, bons filmes. Até a próxima sessão.

___________________________________________________________

 

EM... NOVEMBRO, 2019

É uma sensação curiosa, e um pouco melancólica, quando alcançamos o futuro.Quero dizer, quando o que nos parecia um futuro longínquo, se torna o nosso dia-a-dia.No começo do filme Blade Runner (a obra original, não a sequela recente), para quem assistir de novo, bem no começo aparece em letras grandes, enchendo a tela: LOS ANGELES, NOVEMBRO 2019.

É isso mesmo: o que era o futuro para Philip K. Dick (o autor do livro) em 1968, para Ridley Scott (o diretor do filme), e para os espectadores de 1982, quando foi lançado, é o mês que nós estamos vivendo hoje. De fato, não é a primeira vez que acontece. Já 'ultrapassamos' o futuro em 2001, quando não houve nenhuma missão tripulada para Júpiter, como no filme de Kubrick. Mas aquele era um filme ao mesmo tempo oracular e claustrofóbico, paleontológico e lisérgico, que poderia intitular-se 2049, ou 2101 - Odisséia no Espaço, sem que faça diferença nenhuma. Fora o vídeotelefone e os figurinos futurísticos, quase não havia distinção real com o nosso tempo, e com as fantasias óbvias de futuro espacial.Para Blade Runner é diferente. Scott nos mergulha no cotidiano sujo e caótico de um futuro sombrio, apocalíptico, no qual Los Angeles tem 600 milhões de habitantes, prédios de centenas de andares, e sobre a qual cai constantemente uma 'chuva negra' (para parafrasear outro filme de Scott), consequência da 'Guerra Mundial Terminal' que devastou o planeta. Onde não tem mais animais, os carros voam e, principalmente os andróides (fabricados com material orgânico) parecem tão humanos que só um psico-teste para distingui-los. Tão perfeitos que até acham que são mesmo humanos (Rachel), ou tão cansados da vida (ou melhor, da existência como replicante) que aceitam de ter que morrer (Roy).

Nossas cidades não superam os 20 milhões de habitantes, as mudanças climáticas ainda não mudaram a meteorologia a esse ponto, não houve guerra atômica, e estamos tentando não nos deixar levar para aquele pesadelo, conforme as exortações de Greta Thunberg (embora, curiosamente, ela própria pareça um pouquinho um androide caído na Terra).Mas a verdadeira questão que o livro de Dick (Do Androids Dream of Electric Sheep?) debatia de forma extensa (até do ponto de vista filosófico), e que ficou parcialmente de lado no filme, em nome da ação e do entretenimento, era a questão da Inteligência Artificial. Já hoje em dia a IA mostrou que precisa de sono, e quando será que começará a sonhar? Talvez só ovelhas elétricas, no começo: para depois evoluir, e até querer tomar o lugar do ser humano, como HAL em 2001. (Roberto Cattani).

___________________________________________________________

 

Viagem à Lua – direção: Georges Méliés (1902)



Quem nunca viu a imagem da nave que pousa no olho da lua? O filme conta a história de um grupo de amigos que decide fazer uma viagem à Lua. Ele previu, em 1902, um momento histórico para a humanidade: a chegada do homem à Lua, em 1969.  Seu Méliés não era fraco, não!

 

O quinto elemento – direção: Luc Besson  (1997)



O filme se passa no século 23 e mostrou algo que parecia um sonho: os carros voadores. Hoje, as indústrias chinesa e holandesa, por exemplo, trabalham em protótipos. Algumas empresas de transporte por aplicativos também estão produzindo robôs autônomos capazes de realizar entregas. Na trama, Bruce Willis é um motorista de táxi precisa encontrar e proteger o "quinto elemento", um elo de energia capaz de salvar a Terra de uma terrível ameaça vinda de outra dimensão.

 

Gattaca – A experiência genética – direção: Andrew Niccol (1997)



Bem antes das recentes divulgações de sequenciamento do genoma humano, o cinema já questionava até onde pode nos levar esse avanço científico. Por um lado, a esperança da cura de muitas doenças, por outro o temor de que seja usado de forma antiética. Gattaca traz algumas reflexões ao mostrar uma sociedade no futuro em que as corporações se tornam mais importantes que o Estado. A manipulação genética acaba criando duas castas sociais e raciais: os Válidos e os Inválidos. Aos primeiros, criados com o melhor DNA e quase imortais, os melhores empregos e oportunidades. Os outros são discriminados e proibidos de freqüentar certos lugares. A trama: Ethan Hawke é Vincent, um Inválido que assume a identidade de um integrante de uma elite genética que persegue a meta de viajar pelo espaço através da Corporação Aeroespacial Gattaca. Contudo, uma semana antes de sua missão, um crime coloca Vincent como suspeito. Com um incansável investigador em sua perseguição, uma aliada pela qual ele se apaixona e percebendo a possibilidade de ter descoberto seu disfarce, Vincent sonha em manter-se na identidade de outra pessoa. O elenco traz ainda Uma Thurman, Jude Law e até o escritor Gore Vidal.

 

 

Eu, robô e O homem bicentenário – baseados em livros de Isaac Asimov



Asimov foi um escritor e bioquímico nascido na Rússia e naturalizado norte-americano. Ele é um dos autores mais importantes do gênero ficção científica, mas o cinema não fez jus aos seus livros. Não gosto de O homem bicentenário, com Robin Williams no papel de um robô doméstico que começa a apresentar reações humanas , nem de Eu,robô, com Will Smith, que mostra os replicantes em 2035. Falta muito, talvez eu nem esteja mais aqui para poder checar o futuro previsto por Asimov em Eu, robô...rs. Bem, mas o que importa é que já em 1950, ou seja, muito antes de se tornar realidade, Asimov escrevia sobre algo que hoje se parece muito com a visão dele sobre robôs.

 

Por falar em Asimov

A Trilogia A Fundação é a obra mais "difícil" (e influente da literatura de ficção científica) de Isaac Asimov, imagine-se então transformá-la em série para a TV. A Apple comprou o desafio e os direitos dos livros, levou cinco anos para desatar todos os nós que envolviam a produção que deve ser lançada em 2020. A base da trama: a série narra a saga de mil anos da Fundação, um bando de exilados que descobre que a única maneira de salvar o Império Galáctico da destruição é negá-lo.Um gênio matemático e herege chamado Hari Seldon prevê a queda da civilização. 1.000 anos depois, uma entidade misteriosa começa a devastar a galáxia. Agora é aguardar !

___________________________________________________________

 

FORA DE SÉRIE

 

Star Trek – Jornada nas Estrelas - (1966/1969)  



O mega sucesso das séries de TV dos anos 60 e que resiste até hoje em sua versão para o cinema, mostrava a vida no espaço de maneira bem futurista. Entre as engenhocas criadas pelos roteiristas estava uma espécie de impressora 3D que produzia até peças para a manutenção da nave Interprise. O que parecia uma fantasia inalcançável hoje é realidade, utilizada inclusive pela Nasa.

 

Os Jetsons – série de animação – (1962)

Ah, eu não poderia deixar de fora a adorável família do desenho animado futurista, Os Jetsons! Era o contraponto de Os Flinstones, da idade da pedra. Mais de 50 anos depois, algumas invenções criadas para dar vida a George Jetson, seu filho Elroy, a filha Judy, a esposa Jane e o cão espacial, Astro, já existem realmente. Outras ainda parecem longe, mas tudo bem porque a história se passa em 2062, até lá muita coisa vai sair da ficção. Por enquanto, o que já vimos virar realidade: robôs domésticos, os telefonemas com imagem, o vestido elétrico/iluminado de Jane, entre outros.

 

___________________________________________________________

 

EM CARTAZ

 

Um programa imperdível, em Florianópolis, para quem curte cinema francês: a Mostra Aliança Francesa de Cinema, de 19 a 23/11. Entrada gratuita.

Dia 19, terça-feira, 19h
Le Poulain
De Mathieu Sapin. França. 2018. 97 min. Comédia. Sem classificação.
Arnaud, 25 anos, entra na equipe de campanha de um candidato à eleição presidencial francesa. Ele fica fascinado pelas técnicas e meandros desse mundo, assim como por Agnès, a diretora da campanha.

Dia 20, quarta-feira, 19h
Corniche Kennedy
De Dominique Cabrera. França. 2016. 94 min. Drama. Sem classificação.
Um grupo de adolescentes que aproveita o verão na praia de Marselha acaba se envolvendo com o tráfico de drogas.

Dia 21, quinta-feira, 19h
Primaire
De Hélène Angel. França. 2016. 105 min. Drama. Sem classificação.
Apaixonada pela sua profissão, a professora Florence percebe que o jovem Sacha é negligenciado pela mãe. Irritada com a falta de iniciativa dos seus colegas, Florence se dispõe a fazer de tudo para ajudá-lo.

Dia 22, sexta-feira, 17h
A socióloga e o ursinho
(La sociologue et l'ourson) de Etienne Chaillou e Mathias Théry. França. 2016. 78 min. Documentário. Sem classificação.
Ursinhos de pelúcia e brinquedos ilustram a discussão entre a socióloga Etienne Chaillou e seu filho, sobre o processo legislativo que ocorreu na França, entre 2012 e 2013, para legalizar o casamento entre casais do mesmo gênero.

Dia 22, sexta-feira, 19h
M
De Sara Forestier. França. 2016. 100 min. Drama. Sem classificação.
Lila, uma jovem tímida e com gagueira, se apaixona por Mo, um piloto de corridas clandestinas que esconde um segredo.

Dia 23, sábado, 15h
Mostra Aliança Francesa de Cinema Contemporâneo
Á voix haute: la force de la parole
De Stéphane de Freitas e Ladj Ly. França. 2016. 99 min. Documentário. Sem classificação.
Todos os anos, a Universidade de Saint-Denis realiza um concurso com o objetivo de eleger o melhor orador. Mas além da retórica, esse é um momento no qual os alunos podem aprender mais sobre si mesmos.

Dia 23, sábado, 17h
Wallay
De Berni Goldblat. França, Burkina Faso. 2017. 84 min. Drama. Sem classificação.
Um garoto de 13 anos é enviado de sua casa na França para morar com seus parentes na zona rural de Burkina Faso.

___________________________________________________________

Tchau e até o nosso encontro num futuro próximo!

THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!