Novembro 25, 2019

No futebol e na vida, emoções à flor da pele

No futebol e na vida, emoções à flor da pele

A mão que dá é a mesma que tira. Seja lá quem tenha inventado isso ou porque tenha feito a frase, foi o que muita gente pensou nos últimos dias extremos. De um lado a espetacular vitória do Flamengo sobre o River, os argentinos desafetos no futebol, e o retorno triunfal ao Brasil, carregado nos braços do povo, carentes de esperança e de vencedores.

De outro, a volta de um ídolo em um caixão, Gugu Liberato, um dos últimos heróis da TV aberta, vítima de um acidente doméstico. Ainda se pergunta como uma pessoa, com os recursos que ele tinha, foi subir quatro metros de altura para mexer em um aparelho de ar condicionado. Destino.

A hora de morrer não é a hora que se escolhe. Nem de vencer.

A hora é de festa popular pelo Brasil, que nunca será esquecida. Nem a lembrança de Gugu, que será velado pelos fãs no saguão da Assembleia de São Paulo.

Ídolos voltaram, outro se foi. As homenagens ao apresentador da Record foram intensas e verdadeiras. No ar, pilotando o helicóptero que o consagrou, o comandante Hamilton precisou pousar em um campo qualquer em São Paulo por causa da emoção ao lembrar o mentor. Assim como dezenas de artistas que Gugu lançou e prestigiou.

Um turista, ao acaso, pode ter tirado a última foto dele no embarque para Orlando, como um cidadão qualquer, afinal, é o que todos são fora de estúdios e redações. 

 

Globo

O infarto de Galvão, nas vésperas do jogo do Flamengo, jogou uma imensa responsabilidade sobre os colegas Luís Roberto, Junior e Casagrande. Enquanto o narrador começava a se recuperar fora da UTI, os três tiveram que encarar o jogo decisivo no clima seco e poluído de Lima. Desempenharam muito bem, sem esconder a emoção pela ausência do narrador titular. Foi um desafio e tanto vencido pelos três, que agora entram para a história esportiva das transmissões de futebol.

 

Revezamento

Já dissemos aqui que foi uma excelente ideia comemorar os 50 anos do Jornal Nacional convidando âncoras regionais para as edições de sábado. Só que agora cansou. Neste sábado, 23, que passou, um jornalista do Maranhão e uma da Minas apresentaram as notícias mais impactantes dos últimos meses, o título da Libertadores do Flamengo e a morte de Gugu Libertado. Chegou ao ponto que essa troca é uma reversão de expectativa, pois quem deveria estar li na bancada seriam os jornalistas conhecidos da Globo. Não é mais hora de apresentação festiva.

A Globo deveria aproveitar e encerrar a promoção enquanto ainda é uma boa ideia.

 

Ridículo

Gabriel Barbosa proporcionou alguns lances que não foram vistos pelos telespectadores. O primeiro, quando foi expulso ao final do jogo, por ter feito gestos obscenos para torcedores e o banco do River.

O outro, em pleno gramado, na festa de comemoração, quando o governador do Rio, Wilson Wizel, se ajoelhou aos seus pés. Gabigol cumprimentou e se afastou rapidamente. O político ficou ali, prostrado, de joelhos, flagrado pelo cinegrafista Edu Bernardes, da Globo.

Política e futebol nunca devem se misturar.

 

38

A frase da semana é do apresentador do Bom Dia Brasil, Chico Pinheiro. Foi dita após a informação do repórter de Brasília, Fabio William, com quem interagia durante o programa: "O número escolhido para a nova legenda é 38, como o calibre do revólver", disse ao falar sobre o partido lançado por Jair Bolsonaro.

Na resposta, Chico Pinheiro disse: "Pois é, lamentável esse dado para um país já tão violento”.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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