Maio 21, 2020

Nossa Jogada

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1 – À volta?

O fim da quarentena no futebol já rendeu reuniões com o governador, presidente, e as notas sempre terminam assim: "quando o governo autorizar". Mas nunca falam que é preciso perguntar para os prefeitos. Não entendo esta ansiedade, a pressa. Gary Lineker, inglês, artilheiro do Mundial de 1986, não entende também.

"O futebol serve de exemplo para a sociedade. No vestiário de um time de futebol tem preto, branco e amarelo; de qualquer lugar do mundo; bairros pobres e ricos; cristão, muçulmano e judeu, e não importava as diferenças se o atleta jogar bem. Mas nesta volta precipitada, estarão os assintomáticos e os positivos. Como será ficar na barreira, na cobrança de um escanteio, irão poder acossar o adversário, mas não festejar um gol?"

E rezarem junto, como é comum no Brasil, não poderão. Os reservas ficarão sentados, separados, onde deveria ter torcedores. As imagens na TV, com os torcedores em casa e os jogadores em campo com os estádios vazios, sentindo falta do clima, da torcida, cantorias, gritos...

A gente pode até se adaptar, mas não é a mesma coisa que gostaríamos de ver.

 

2 – Reduz salário e...

Contratam. Se podem contratar, não precisavam reduzir os salários de quem já está ralando desde o início do isolamento. Nesta semana, os dirigentes se reuniram, via "skype", com o presidente Rubinho, da FCF. Aprovaram mudanças no campeonato, que já começou com um regulamento: nos jogos do plays-offs – detesto mata-mata - os clubes poderão usar três novos contratados e aceitaram a regra temporária de cinco substituições e até seis se ocorrer prorrogação. Aprovaram uma virada de mesa.

 

3 – O que nos espera?

Um futebol asséptico, com o árbitro longe dos jogadores na hora do sorteio, sem as vozes dos torcedores, as comemorações sem graça, sem clima, com transmissão de rádio e televisão, pode? As cabines de rádio e TV não permitem uma distância de dois metros.

Gols sem abraços, menos broncas, menos faltas, mais substituições e tudo pela televisão. Poderão jogar onde bem entendem, pois com portões fechados, basta o gramado, vestiário e as marcações. Nos seus estádios, o custo será mais alto.

Começou na Alemanha e, pelo que vi, podem dizer que se trata de uma luz no fim do túnel, mas usando as palavras de Winston Churchill, lhes digo: – "Agora não é o fim, nem mesmo é o começo do fim. Mas é, talvez, o fim do começo".

 

4 – Homenagens

A – Albeneir: por onde andava carregava numa sacola muito dinheiro, que não sabia e não dava valor. No coração, carregou o Figueirense F. C. e retribuiu com carinho e gols.

B - Adão Goulart e Chiquinho: um brilhou no meio de campo do Figueirense F. C. e o outro na quadra da FAC, quando o futebol era de salão e se jogava no cimento.

 

5 – A Bolsa ou a Vida?

A volta aos campos de futebol talvez seja pela bolsa e não pelas vidas. Pelo medo. Pela falta de dinheiro. Muitos clubes irão desaparecer. Leram, terça-feira, a opinião do Claiton Selistre sobre o que pode acontecer? Esta semana li uma declaração de Karl-Heinz Rummenigge: "depois da crise do coronavírus, o futebol sairá respeitando velhos ideais de solidariedade e de moderação".

Como?

Se um prefeito diz sim e outro diz não! Cadê a solidariedade numa região que se diz metropolitana? Pra mim, prevalece a velha frase: - "farinha pouca, meu pirão primeiro".

 

6 – Veterano

Como o Avaí gosta de velho e de veterano. Agora chega Ralf, com 36 anos, Renato, com 30, depois de não vingar na Chapecoense, e o presidente Battistotti diz que o nome do terceiro ainda não pode divulgar. O dinheiro no Avaí está sobrando e a crise sanitária não afetou as economias do clube.

Enquanto isso, na França, Gabriel, jogador no Lille, que saiu com 18 anos do Avaí, está sendo cobiçado pelos grandes. Leia aqui.

 

7 – Vice-presidente da FCF

Marco Antônio Martins declarou para mim: "No momento, seria interessante se prosseguissem a regra das cinco substituições, uma medida provisória, pois o futebol se tornaria mais dinâmico". Mas como nos outros esportes onde o substituído pode voltar, no futebol não.

E sobre os jogos do play-offs, segundo ele: "a data da volta dos jogos de futebol, no Brasil, depende das autoridades e deve ocorrer obedecendo a ciência". Como começou, termina.

 

Fim.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC. Além de colunista no Portal Making Of é comentarista na Rádio Guarujá.

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