Junho 04, 2020

Nossa Jogada

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Foto Arquivo da BBC

1 – Racismo

Nestes dias de revoltas nos USA, fui buscar esta imagem da cerimônia de premiação dos 200 metros rasos, nas Olimpíadas do México, em 16 de outubro de 1968. Na foto, os americanos: 1) Tommie Smith e 3) John Carlos, protestaram, usando o símbolo Black Power, um slogan político em defesa da autodeterminação dos negros nos USA. O braço deveria ser o direito, como fez Smith, mas John Carlos levantou o esquerdo.

Na época, Martin Luther King havia sido assassinado, há poucos dias. Mas no momento que mostro a foto, lembro-me de um ditado espanhol que diz: "discutir política é como lavar a cabeça de um burro, perde-se tempo e xampu".

Os esportistas estavam no México, não defendiam e nunca estarão competindo para defender ideologias, raças e religiões. Por isso Michel, quando lhe pediram para tomar partido, na Carolina do Norte, aonde nasceu, em favor de um candidato democrata em uma eleição para senador, respondeu: "que os republicanos também compram Nike". Os católicos, judeus, novos cristãos, muçulmanos, fascistas, comunistas, democráticos e socialistas ligam a televisão para assistirem esportes e não protestos religiosos ou políticos.

Na foto, em segundo lugar: Peter Norman, prata na competição, um policial australiano.

 

2 - Figueirense

O Estatuto Social do Figueirense, como deve ser dos associados, dirigentes e conselheiros, não promove qualquer discussão ou manifestação de caráter político, religioso, partidário e racial. A torcida é heterogênea e plural, desta forma não poderá, por vedação do estatuto, caracterizar endosso por parte da entidade a qualquer ato político e ideológico. Um estádio de futebol é um local democrático ou tem gente que ainda não descobriu.

 

3 – Por que?

Acho engraçado jornalistas mostrarem torcidas organizadas de futebol apresentando faixas com o slogan “Antifascista”. Logo elas! Se existe nos estádios de futebol grupos fascistas, são as torcidas organizadas. Ei, pode parar. Marcam território, só quem está com eles sentam próximos, não aceitam contrários, nem mesmo do mesmo clube. Expulsaram a “Bobgueira” e quase mataram o Faylon Max. Imagine um encontro antifascista entre a Gaviões Alvinegros e a “Mancha Azul”? Sai da frente! Em São Paulo, não há, em dias de clássicos, que não se registre agressões ou mortes de algum torcedor adversário. Antifascista, “vcnm”!

 

4 - Noventa dias

Norton Flores Boppré preside o Figueirense FC há 90 dias, depois da administração desastrada da empresa Elephant. Neste período, o clube conseguiu se classificar para os playoffs e espera uma definição da FCF e do Governo do Estado para voltar a competição. Enquanto isto, os jogadores treinam e se submetem a testes e vacinação evitando a contaminação do novo coronavírus.

 

5 - Treinos

Os jogadores do Avaí treinam na Palhoça, no Estádio Renato Silveira, e em Biguaçu, no estádio do BAC, com os portões fechados, sem presença de público e obedecendo a um protocolo elaborado pelo doutor Luiz Fernando Funchal. Os jogadores chegam “uniformizados” e usando seus veículos particulares. Ralf, recentemente contratado, realizou exames e testes de Covid-19, quando foi registrado anticorpos, estando assim imunizado.

 

6 - Valério o craque

O doutor Murillo Capella, pediatra, escritor, ex-prefeito e diretor da FCF está coordenando a elaboração de um livro sobre Valério Matos, craque de futebol dos anos 60. Murillo convidou algumas pessoas que conviveram com Valério para escrever algumas linhas a respeito do craque de futebol, que defendeu a seleção catarinense nos anos 60 do século passado, quando haviam campeonatos brasileiros de seleções. Foi campeão estadual pelo Paula Ramos, em 1959, encerrou a carreira de jogador no Figueirense e nos anos 70, exerceu a função de Diretor Financeiro do Avaí, na gestão do Irineu Comelli.

 

7 – Marco Legal

Pepe Reina, campeão do mundo de futebol em 2010, na África do Sul, pela Espanha: “Não sou indiferente a mentira, injustiça e deslealdade. Sinto profundamente que alguém que defenda as liberdade e garantias de convivência em um marco constitucional, pode ser chamado de fascista. Divido minha vida profissional com pessoas de todas as etnias, condições sexual, crença religiosas e poder aquisitivo. O vestiário de um time de futebol é um exemplo para a sociedade. Mas como entender que em pleno século XXI ainda há quem pense em branco e negro, gostem ou não, da minha atitude. Eu penso assim – sinto”.

FIM

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC. Além de colunista no Portal Making Of é comentarista na Rádio Guarujá.

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