Junho 15, 2020

Nossa Jogada

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1 – O Mundial do Rei

O Mundial de 1970, que no dia 21 marca a conquista definitiva da Taça Julie Rimet, o tricampeonato da Seleção Brasileira de futebol no México, que serviu, também, para consagrar o “Rei”, onde marcou quatro gols, participou na metade dos pontos que o Brasil conquistou, sendo soberbo na final.

Até hoje recordamos os “gols” que o Pelé diz que fez durante a Copa de 70, mas não entraram: “Eu fiz o gol, mas Banks defendeu”, afirmou o Rei, ao recordar a cabeçada histórica que o goleiro da Inglaterra, que está na foto acima, não deixou entrar.  

Outros gols ficaram pelo caminho, a finta com o corpo deixando a bola passar para apanhar nas costas do goleiro uruguaio Mazuerkiewicz, caído na intermediaria, completando com um chute cruzado, raspando o poste; o chute do meio de campo sobre o goleiro Viktor da Techolováquia, que passou um dedo por fora da trave. O Mundial em que a...

 

2 – Televisão mostrou em cores

Pela primeira vez, todas as partidas foram televisionadas, direto, por satélites e em cores. O primeiro mundial com televisão foi na Suíça em 1954, mas não em todos os jogos, como no México. Pela primeira vez, se usou os cartões amarelos e vermelhos, se permitiram duas substituições, cinco jogadores no banco. Não foi registrada uma única expulsão.

O Mundial 70 aconteceu no México depois de cinco mundiais na Europa: Itália, França, Suíça, Suécia e Inglaterra. Ninguém reclamou da altitude e do calor. Uma seleção africana, uma asiática e uma em guerra: El Salvador, que estava em guerra com Honduras. Uma bola Adidas, batizada de Telster, nome de um satélite lançado no espaço nos anos 1960, com couro de primeira, revestido de poliuretano, material sintético flexível e um desenho inovador com 20 hexágonos brancos e 12 pentágonos negros para que todos pudessem ter uma visibilidade melhor na televisão.

O Mundial teve quatro seleções campeãs do mundo como finalistas: Brasil, Itália, Alemanha e Uruguai. 

 

3 – O prefeito disse não

Não vai ter. Foi o que disse o prefeito Gean Loureiro nesta semana. No dia 8 de julho não será liberado a realização de jogos de futebol, mesmo sem público, na Ilha e no Continente. Os presidentes de Avaí e Figueirense pressionaram, com a intenção de dar satisfação aos patrocinadores e à televisão, mas o prefeito não cedeu.

Avaí treina no Renato Silveira do Guarani de Palhoça e no BAC de Biguaçu, onde os prefeitos liberaram. O Figueira treina no seu CT, localizado no Aririú Formiga, em Palhoça.

Escrevi, falei e postei, que se quiseram jogar, que joguem sem público em Palhoça.

 

4 – Aprendeu o que?

Qual será o papel que o futebol exercerá na nossa vida? Neste tempo, aprendemos a lavar as mãos, a viver em família, dentro de casa e longe dos parentes. Que saudade do frango ensopado com macarrão na casa da mama!

Houve torcedores, que ligaram para a operadora de cabo, cancelando a assinatura. Agora, ligam para liberar o sinal novamente. O futebol parou! Pulse o play e o futebol volta à frente na TV. Antes, queremos que devolvam o dinheiro que pagamos, porque até agora só passaram jogos do passado, já tínhamos pagado para ver. Futebol com portões fechados não é o mesmo. Sem ruídos, gritos, brigas, sem bandeiras... e o que se ao fundo são imagens de chroma krey.

 

5 – Os 99 anos

As referências nas comemorações dos 99 anos de fundação do Figueirense vou deixar passar, principalmente pela palavra raiz. No meu entender significa: origem. No vídeo exibido, na festa e no carreteiro faltou o selo do Paulo Prisco Paraíso. Relevo também por causa da crise sanitária e do confinamento. Mas esqueceram de que tem gente viva, filho de presidente, rua e histórias penduradas nos postes no Bairro da Figueira. Falaram de uma coisa que não pesquisaram e não sabiam. Misturaram samba e era para falar dos 99 anos do Figueirense, um ano para completar 100, um século.

 

6 – Dinheiro

O filho da dona Cotinha andou conversando via Skype com a turma de Belo Horizonte, o futebol lá parece um sonho, uma ilusão. O Cruzeiro gastou o que não tinha, foi rebaixado, e começa com seis pontos negativos. O Atlético Mineiro pede adiantamento para a TV e quer receber um subsidio da CBF, no mesmo dia anuncia a contração de jogadores. Penso que deveria estar fazendo economia. Eles não aprendem e ficam gastando o que não têm.

 

7 – Racismo e ideias

Nunca vi o mundo se levantar a favor dos judeus, quando os franceses violaram os túmulos do Cemitério Israelita em Paris. Não vi ninguém protestar, derrubar e pichar estátuas, quando os iranianos explodiram no prédio da AMIA, em Buenos Aires, no dia 18 dede junho de 1994, matando 85 pessoas e ferindo outras centenas.

Eu sou do tempo do Clube Brinca quem Pode, na Ilha; de chamar os alemães de batatas. Até hoje eles não nos aceitam em Blumenau, no interior gostam de gritar "au, au pau no u da Capital". No tempo da Segunda Guerra Mundial, o senhor Nereu Ramos, interventor no Estado, obrigou os alemães a beberem óleo de “ricio”.

Ontem, no facebook, a Marja Luiza Wojcikiewicz publicou um documento, que a tia dela tinha que ter para poder viajar como acompanhante da esposa do governador, numa viagem ao interior do Estado. Ela era polaca e suspeita, mas foi por puro racismo e preconceito.  

Agora há uma turma que quer reescrever a história e esquecem que começaram a dividir o mundo com os servos, camponeses, revolução industrial, proletários, negros, índios, mulheres, gays, socialistas e capitalistas. Quem distingue e quem divide são eles. Como esta gente que se diz progressista e gostam de dividir a sociedade!

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC. Além de colunista no Portal Making Of é comentarista na Rádio Guarujá.

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