Julho 16, 2020

Nossa Jogada

Nossa Jogada

1 – Festa Vazia 

A TV Globo não transmitiu um Fla x Flu. O público em casa ligou o aparelho e esperou as imagens do Fla x Flu na Globo, do Maracanã, que não apareceram. Desta vez elas estavam no canal do Silvio Santos. A turma do Leblon e Ipanema não se conformaram. Silvio Santos, cria da Globo, tentou, pela primeira vez, bater o Ibope do seu “criador”. A cidade do Rio de Janeiro preguiçosa e pecadora estanhou em não assistir, pela primeira vez, o Jornal Nacional e a Novela das Oito, no horário.

O Capitão gostou!

A cidade não festejou o título carioca de futebol no Maracanã. Foi como no Último Baile do Império. A última festa da monarquia, em comemoração as bodas de prata da princesa Isabel e do conde d´Eu. Na semana seguinte, dia 15 de novembro de 1889, os militares deram um golpe e proclamaram a República. Desta vez quem deu o golpe foi o Flamengo, se libertando do passado.

 

2 - Fla x Flu

Sem público. Sem a galera da geral. Sem barulho. Sem bandeiras e com o Maracanã vazio. Que coisa triste. “Desde 1912, quando foi disputado o primeiro clássico da história do futebol brasileiro, o primeiro Fla-Flu[i]. Naquele tempo o palco transbordava de flores, frutas, plumas, damas e cavalheiros. Enquanto os cavalheiros comemoravam cada gol, as damas deixavam cair seus leques e desmaiavam, pela emoção, calor e do espartilho. O Flamengo tinha nascido pouco antes. Brotara do clube Fluminense, que se dividiu em confusões, ruídos de guerra e gritarias de parto. O Fluminense gerou sua própria maldição. Cada clássico uma nova batalha. Os dois amam a mesma cidade, o Rio de Janeiro, que se deixa querer, e se diverte oferecendo-se aos dois sem se dar a nenhum. Jogam para a ‘amante’ que joga com eles. Por ela se batem...”

 

3 - Campeão

Nesta última quarta jogaram mais uma vez. Pelas imagens do SBT TV, vi Felipe Luis pelo Flamengo, Egidio e Yago como ex-jogadores do Figueirense, Nino do Criciúma e Caio Paulista do Avaí defendendo o Fluminense. Quanto ao Flamengo, que com o empate já seria campeão, fez um gol de Vitinho, aos 85m, nos descontos e com este resultado levou mais um título carioca, seu 36º. Para quem assistiu, faltou habilidade e belas jogadas.

 

4 – A volta

Francisco José Battistotti e o Dr. Luís Fernando Funchal insistiram junto ao Governo do Estado e conseguiram: os jogos cancelados na sexta-feira voltam nos dias 28 e 29 deste mês. Mas os médicos dos clubes se comprometeram a refazer testes, encaminhar um inquérito clinico e afastar os positivos. Desta vez, com antecedência, terão que encaminhar um relatório médico a  Vigilância Sanitária. Assim, coube a FCF – Federação Catarinense de Futebol divulgar os dias e horários dos jogos de volta das quartas de final do Estadual 2020: dia 28/07 em Itajaí – Marcilio Dias x Criciúma às 18h30 e na Capital – Figueirense x Juventus às 21h; no dia seguinte – 29/07 em Brusque - Brusque x Joinville às 19h e na Capital Avaí x Chapecoense às 21h30.

Se a crise sanitária não evoluir, não haverá outro adiamento. 

 

5 - Cristiano Ronaldo  

É como um bom vinho, aos 35 anos, melhora. Segue criando gols. Faltam seis para alcançar Lewandowski, do Bayern que já está de férias. Até agora tem um recorde na Itália: marcou gols em 11 jogos seguidos e já tem 28, na Liga Italiana. Agora nos jogos que faltam tentará ultrapassar os 34 gols do “polaco” que joga no Bayern, da Alemanha, para alcançar a Bota de Ouro. E também bater o recorde de gols na Itália que está nas mãos de Huguaín, quando este jogava no Nápoles e marcou 36 gols, na temporada 2015/2016.

 

6 – Treinadores

Costumo dizer que treinar é uma coisa, jogar é outra.  E que para ser treinador de futebol não é preciso ter sido jogador, porque se pensarmos assim: para ser diretor de uma penitenciaria seria preciso ter sido preso. Como acredito que não precisa ter sido jogador, cito treinadores que nunca jogaram futebol: Lauro Burigo, José Mourinho, Claudio Coutinho, Rubens Minelli, Mário Travallini, Carlos Billardo, Alex Fergunson e professor Vilmar Dias.

 

7 – Morrer

Quando surgiu o rádio alguns acharam que o jornal iria desaparecer. Não desapareceu. Sobreviveu ainda, na época atual, a televisão e a internet. Mas o rádio continua como um veículo barato e de fácil acesso. Esta sobrevivência se deve muito ao gênero esportivo, os demais como: novela, informativos, programas de auditórios, humorísticos e musicais a TV levou até a grade de programação, as fórmulas, os profissionais e os anunciantes. Assim mesmo o rádio sobrevive.

 

8 – Mais dois tempos

Estamos na estação do inverno e assim mesmo inventaram o tempo de hidratação. Copiaram o que viram na Europa, através das imagens da televisão. Não se deram conta de que na Europa a estação é do verão. No Brasil faz frio. Na Europa calor. Copiam sem perguntar. Ah, e ontem à tarde a FIFA confirmou a manutenção das cinco substituições, em três tempos distintos, até o final da temporada 2021/2022 na Europa.  

 

9 – Brasileiro

Na quinta-feira (09/07) a CBF publicou a nova versão do calendário de competições masculinas do futebol brasileiro, que inicia dia 9 de agosto e terminará no dia 24 de fevereiro de 2021. Na próxima semana será revelado as novas Diretrizes Operacionais para realização dos jogos. Veja tabela da Série B aqui.

 

10  – Exploração

A mídia explora a indústria do entretenimento e o futebol, que é o gênero mais popular desta indústria. O futebol está sedimentado em todos os países do mundo, vive e sobrevive sem interferência de governos e regimes políticos. O futebol é universal. Se quiserem fazer diferente, crie o seu.

 

11  – Zelo

Corruptos e ladrões existem em todos os setores da economia e do entretenimento. Mas os ex-presidentes da CBF, e só Brasil, estão presos por lavagem de dinheiro. Mas como corrupção em uma entidade privada que tem seus estatutos e conselhos pode sofrer influência do STJ? Pois quando os juízes condenam é o STJ que solta, manda libertar para que esperem em casa o resultado dos recursos de Terceira Instância.

 

Fim

[i] -Galeano, Eduardo – Futebol, Ao sol e à Sombra. Editora L&PM, Porto Alegre, 1995.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC. Além de colunista no Portal Making Of é comentarista na Rádio Guarujá.

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