Março 23, 2020

Nossa Jogada

Nossa Jogada

Que saudades de dar um abraço.

O Miguel ficou sabendo e me respondeu.

Seremos diferentes! Não iremos nos aproximar como antes. O medo ainda nos manterá afastados nos estádios, nos bares, na rua e em família.

O Miguel Livramento também gostaria de abraçar o Cacau Menezes e com certeza iríamos abraça-lo pela Serena – a neta do Cacau. Ele é avô pela terceira vez. 

 

Quarentena

Na verdade, deveria ser 35 dias. Segundo o médico argentino Alfredo Miroli o resguarde de 40 dias foi determinado quando surgiu a Peste Bubônica – a Peste Negra e os estudos determinaram que fosse preciso isolar as pessoas por 35 dias, mas por garantia estabeleceu 40 dias – a Quarentena.

 

“Pestes”

Conte aí:

Peste Negra causou a morte de 50 milhões de pessoas de 1333 a 1351; Cólera em 1817; Tuberculose – sob controle desde 1882; Varíola – durou 3.000 anos, a vacina foi descoberta em 1796; Gripe Espanhola – entre os anos 1918 e 1920, 40 milhões de mortes; Tifo – transmitido pela pulga do rato; Sarampo – atinge a infância, a vacina surgiu em 1963; Malária – em 1880, contaminada por mosquito; AIDS identificada, tarde, em 1981, sob controle; Covid-19 ainda sem vacina e atinge de forma fatal aos velhos, acima de 60 anos.

 

Alma

O futebol alimenta a alma!

 

História

Assista a série “The English Game”, na Netflix, sobre a história dos primeiros jogadores profissionais: Fergus Suter e Jimmy Love escorces e do inglês Arthur Kimard, amador e rico. Suter foi considerado o pai do futebol moderno, ao impor o passe curto nas disputas da Copa da FA – The Football Association.

 

Profissionalismo

Tudo começou em 1863, quando duas associações de jogos de bola (futebol association e futebol tipo rugby) se separaram. Os partidários do "rugby" não aceitavam um jogo em que era proibido segurar a bola com as mãos. O que deu origem à The English Football Association, primeira associação inglesa de futebol, no princípio só poderiam atuar atletas amadores. Fergus e Love vieram do Partick, clube da Escócia. Eles foram os primeiros profissionais que obrigaram a FA a modificar o regulamento, ao serem contratados pelo Darwen FC que enfrentou o Old Etonians FC.

Em 1885 a FA mudou as regras permitindo que os jogadores se transformassem em profissionais e nenhum clube amador voltou a vencer a Copa da Inglaterra que se disputa até hoje; Arthur Kimard, que defendia o Old Etonians foi eleito presidente da FA, onde permaneceu por 33 anos, até falecer, em 1923. Ele, Fergus e Jimmy foram responsáveis pelo futebol moderno que atraia 4 bilhões de fãs no mundo.

 

Olimpíadas

Olimpíada no Japão devem ser adiadas. Por um simples fato: como os atletas irão se preparar para as disputas e muitos deles chegarão em desigualdade. Os dirigentes têm 15 dias para decidirem.

 

Redução de salários

Os clubes de futebol profissional apresentaram uma proposta para antecipar as férias e reduzir o salário dos jogadores no Brasil durante o período da quarentena. Caso contrário todos no mundo irão a falência. Os jogadores estudam a proposta.

 

Futebol e Vida

“Quando o essencial como saúde, economia e liberdade de movimento está em perigo, o futebol perdeu sua condição de entretenimento. Nem sequer as crianças podem ir ao parque ou as quadras correrem atrás de uma bola, o que é muito inquietante para a infância. O ciclo da vida do futebol fui interrompido e ele que alimenta a expectativa de incertezas e a polêmica. Não há jogos para se discutir e nem notícias para pensar”.

O texto é do argentino Jorge Valdano ex-campeão do Mundo em 86 e escritor.

 

Sem vida

Até os jogadores, consagrados como heróis, estão isolados e perdidos a luz que os distingue. O futebol desapareceu como espetáculo e a tabela de classificação que era a escada para nossas ilusões, só quebra a evidencia: da precariedade da indústria. Se não há jogos não se vendem entradas, não se cumprem os contratos de televisão e os aficionados deixam de ser clientes. A crise atual nos fez entender que o velho futebol e o novo negócio não podem sobreviver sem a ponte que os une; TV e público.

 

A questão!

“Claro que se pode viver sem futebol, mas se vive pior. Aprendi cedo. Não tinha mais de quatro anos quando me operaram as amígdalas. Na volta a casa, saí correndo para o jardim que na minha imaginação se converteu em um estádio. Os canteiros de flores eram adversários, a parede um generoso companheiro que me devolvia a pelota e o muro ao fundo a goleira. E a glória.

Mas minha mãe interrompeu a partida para devolver-me a cama com uma bofetada gritando que “hoje não é dia de jogar futebol”. Pouco depois, uma tia me viu jogando uma partida de verdade com amigos e se acercou para dizer-me, com infinita doçura, que “não era dia para jogar futebol” e devolver-me a atmosfera adulta e abatida do velório de meu pai.

Quanto mais futebol menos perigo, essa é a questão”.

 

E tem

Gente que não sabe quando isto acaba, como será a vida em sociedade, quando poderemos andar nas ruas, ir aos estádios e encontrar os amigos: quando a saúde, a economia e a liberdade de ir a vir, aí poderemos pensar como irão terminar os campeonatos e a fórmulas para poder adequar ao nosso calendário, que ainda não sabemos como será. Quem sabe no ano que vem. E antes de bobagem, como barroca anda dizendo, ninguém joga futebol no verão, nem na Europa, porque não há hotéis e passagens de avião para voar.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC. Além de colunista no Portal Making Of é comentarista na Rádio Guarujá.

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