Março 30, 2020

Nossa Jogada

Nossa Jogada

Grupo de Risco

Campeões dos Jogos Abertos de SC, de Lages, em 1966, na modalidade de basquetebol. A eles devo a honra e glória de ter sido campeão e agradeço, principalmente, ao falecido Carlos Brognoli - treinador que me convocou.

Continuo eternamente grato a estes que estão na foto e que me permitiram viver esta emoção e compartilhar momentos inesquecíveis.

Na foto, posando de pé, da direita para a esquerda: Carlos Brognoli - Banha (falecido); Felipe Simão; Orlando Pessi - Torrado (falecido); André Kowalski; Jaime Andrade - Capitão e Galego Dobes. Agachados: Vilson Pires (falecido); Donald de Abreu - Pato (falecido); Luis Carlos - Machadinho; César Barbi; Romualdo Andrade; Carlos Pessi - Carlinhos (falecido) e Paulo Brito.

Obrigado!

 

Mudanças

"O futebol está mudando. Acredito que no Brasil haverá, no futuro, cinco times grandes. A Espanha tem três; Alemanha tem dois; Inglaterra tem uns cinco”. A frase - cheia de bobagens, é de Rubens Menin, dirigente do Atlético Mineiro.

 

Cidades Desertas

Foi o futebol que deu o primeiro sinal, naqueles jogos sem público nos estádios. Ninguém se deu conta.

“Você já entrou, alguma vez, num estádio de futebol vazio? Experimente. Pare no meio do campo e escute. Não há nada menos vazio que um estádio vazio. Não há nada menos mudo que as arquibancadas sem ninguém”.

As frases são de Eduardo Galeano e que acrescento: “Não há uma viva alma na Rua Felipe Schmidt. Parece uma cidade fantasma, sem vida, se cor. Até as vitrinas estão fechadas”.

 

As ruas

“Caem as sombras sobre o estádio que se esvazia. Nos degraus de cimento ardem, aqui e ali, algumas fogueiras de fogo fugaz, enquanto vão se apagando as luzes e as vozes. O estádio fica sozinho e o torcedor também volta à sua solidão, um eu que foi nós; o torcedor se afasta, se dispersa, se perde, e o domingo melancólico feito uma quarta-feira de cinzas depois da morte do Carnaval”, Eduardo Galeano.

 

Mata-Mata

Não chega de mata-mata disputados nos Estaduais; Sul-Americana; Copa do Brasil; Libertadores; Copas Oeste; Verde; Mundial de Clubes; “Supercopas Estaduais” e Nacionais?

Que falta de imaginação.

Alguns dirigentes e jornalistas querem que a televisão e os patrocinadores paguem por 10 jogos, o mesmo que pagam por 38 partidas, com datas e jogos garantidos, contratos de pay-per-view em vigor. O que eles querem mais?

Na Copa do Brasil, os clubes ganham por jogo, como diaristas. No mata-mata quem perder as eliminatórias, não joga mais, fica parado. Jogador perde emprego e nem recebe prêmio por colocação.

As televisões disseram não. A TV Globo que paga para transmitir em canal aberto, paga mais. Hoje há um número enorme de canais esportivos - por assinatura, mídia social e casas de apostas que também pagam.

Quanto ao calendário de 2020? Ele será adequado até o final de dezembro ou...

 

Olimpíadas

Os dirigentes do COI – Comitê Olímpico Internacional e Comissão Organizadora das Olimpíadas no Japão pareciam a Orquestra de Músicos do Titanic.

O mundo afundando e eles tocando.

Em 130 anos de existências é a primeira vez que os JJOO são transferidos para o ano seguinte: 2021.

 

Chorei pelo Dominic

Fiquei alegre pelo Patric e Dominic. Pai e filho.

Dominic quando nasceu teve que amputar uma das pernas. Esta semana ele deu três passos sem andador. Patric ficou radiante. O pai de Dominic é aquele Patric, que você vaiou quando defendia o Avaí.

O mesmo que disputa, com Guga, a vaga de titular na lateral direita do Atlético Mineiro.

 

O retorno

Quando o futebol vai voltar?

O coronavírus arrebatou a atenção, a preocupação e os heróis nas telas, revistas e jornais. Os aplausos e as vaias não estão mais nos estádios.

Estão nas janelas e sacadas.

O futebol, mal-acostumado, resiste a sair do cenário nas televisões discutindo sobre como e quando a “festa” voltará.

Antes da liberdade de ir e vir, de superar os problemas da saúde e a economia normalizar, a vida precisa voltar às ruas, depois aos estádios...  

 

Comentaristas Esportivos

Que falta de propósito. Assim Jorge Valdano se referiu ao comportamento dos torcedores e comentaristas esportivos recordando Winston Churchill – ex-primeiro ministro Inglês, durante a Segunda Guerra, que contou certa vez a história de um homem que se atirou de um trapiche para salvar um menino que estava se afogando.

Uma semana mais tarde, o marinheiro foi abordado, na rua, por uma mulher que lhe perguntou:

- És por acaso o homem que salvou o meu filho?

- Sim, senhora.

- Então és o homem que procurava. Onde esta o boné que me filho usava?

Os comentaristas esportivos estão procurando o boné no meio deste caos social.

 

Mães

As mães dos árbitros de futebol agradecem a parada do futebol.

 

Importante

Não é por acaso que este é o momento mais grave que vive a humanidade desde a Segunda Guerra Mundial. O esporte e suas medalhas – acrescento a política e religião, são assuntos menos importante que as televisões, rádios, jornais e a mídia deveriam se ocupar.

 

Não entende de futebol

Ter Stegen, goleiro do Barcelona e da seleção alemã de futebol, disse que não se importa com futebol e estava mais preocupado em ajudar as pessoas:

“Nós temos milhões de seguidores. Podemos colaborar com a humanidade. Outro dia estava conversando com Alisson Becker, goleiro do Liverpool quando ele me deu conselhos de como deveria lavar as mãos. Antes nunca havia pensando nisso e compartilhei este conselho nas redes sociais com várias pessoas. Posso ter ajudado muita gente”.

 

Jogadores

Um grupo de trabalho junto a FIFA estuda um novo regulamento para tratar da transferência e dos contratos dos jogadores de futebol. Eles querem criar um fundo de apoio. Neste ano, no verão europeu, tenho certeza de que nenhum jogador ira custar 100 milhões de dólares.

Nós sabemos que os clubes, ligas, televisão, mídia e plataformas digitais serão afetados pela economia global que entrará em colapso em conseqüência da crise sanitária.

Só o presidente Bolsonaro que não sabe!

 

Férias Coletivas

Eles estão acostumados a tirarem férias no final do ano.

O trabalhador normal tira quando o patrão quer, dentro de um ano fiscal.

Os jogadores de futebol no Brasil não aceitaram reduzir os salários. Os dirigentes reunidos decretaram férias de 20 dias e irão avaliar dia 15 de abril se prorrogam ou não.

Sabem por que deram apenas 20 dias?

Os outros 10 dias de férias, que eles têm direito por lei, serão concedidos entre o Natal e o primeiro do ano de 2021.

 

Redução Salarial

Os dirigentes do futebol espanhol começaram a estudar uma adaptação do calendário para terminar a temporada 2019/2020. Houve acordo entre o sindicato e a Liga para reduzir o salário; aprovaram também uma pré-temporada de 10 dias para reiniciar o campeonato. Há possibilidade de ocorrer rodadas no Natal e Primeiro do ano como na Inglaterra.

 

Teleconferência

Apesar de se encontrar em casa, pela quarentena e se recuperando de uma isquemia, o presidente do Avaí - Francisco Battistotti participou da reunião, via teleconferência, na CBF, com a participação dos presidentes dos 40 clubes da Primeira e Segunda Divisão do futebol brasileiro.

Eles decidiram dar férias por 20 dias e no dia 15 de abril irão se reunir, novamente via internet, para avaliar a situação. Até lá terão informações sobre a situação em que se encontra a crise sanitária provocada pelo Covid-19, o novo coronavírus, que tem este nome por causa da sua fórmula de “coroa”.

 

Sabichões e entendidos

Nestes 45 anos de ofício conheci muita gente sabida: - entendidos em futebol, principalmente sobre como se faz calendário - sem saber o que é; sobre fórmulas de disputa; esquema de jogo e por incrível que pareça todos eles, que conheço, não sabiam nem como “lavar as mãos”.

Sabidos!

 

O jornalismo e a crise

Querem entender o jornalismo em época de crise?

Um jornalismo serio e sem militantes?

Leiam os livros: ARNETT, Peter - “Ao Vivo do Campo de Batalha”. 1994. Editora Rocco. Rio de Janeiro. BELTRÃO, Luiz, “Iniciação à Filosofia do Jornalismo”. São Paulo. Editora EDUSP, 1992.

 

AC e DC

Não esta escrito na Pedra.

Mas antes de Moisés descer do monte com os Dez Mandamentos gravado na pedra a fogo, o mundo naqueles últimos 5.000 anos, deu uma parada.

O mundo que me refiro é o de: Antes de Cristo e depois de Cristo.

Depois disso, nestes últimos 2.000 anos “DC”, a cristandade não conseguiu resolver os problemas da humanidade.

Aí você olha o cara na televisão, neste tempo de quarentena, preocupado com a fórmula e quando o campeonato estadual vai continuar.

 

Dona Cotinha

Era dona de casa. Mineira do interior, casada com o Rui, zelador do IMACO – Instituto Municipal de Administração e Ciências Contábeis, localizado dentro do Parque Municipal, no centro de Belo Horizonte. Uma escola idêntica a “Academia do Jacaré”, que funcionava onde está instalado o Instituto Histórico e Geográfico de SC e a Academia Catarinense de Letras, na Avenida Hercílio Luz.

Pois seu Rui, zelador da IMACO, teve um monte de filhos, entre eles Ruizinho, que não quis saber nada de administração e contabilidade. Neste colégio, o diretor era Francelino Pereira, senador, presidente da ARENA, responsável pela articulação do retorno do país a normalidade no tempo do Regime Militar, que governou o país até 1975, quando Figueiredo desceu do cavalo e como Dom Pedro I, bradou: “ou abre ou eu arrebento”.

Pois lembrei do filho da “Dona Cotinha” – O Ruizinho, porque no momento de uma tragédia parecida como esta, quando BH ficou inundada, Januario Carneiro - dono da Rádio Itatiaia, teve e lucidez de transmitir informações do alto do morro, onde “fincou” a antena da rádio, prestando serviço a população de BH, como nossas rádios tentam fazer agora.

A Itatiaia cresceu em prestigio. É mais ou menos o que está fazendo a Rádio Guarujá, com Cristian Delossantos e equipe, todas as manhãs no prefixo 1420. E lá no Alto do Aririú, na Palhoça, quase em Santo Amaro da Imperatriz, o Ruizinho – filho da Dona Cotinha, lembrou do Januário Carneiro, ele que é ouvinte assíduo da “Itatiaia”.

 

Quarentena

Ronaldinho Gaúcho e Assis – irmão perderam muito da imagem que construíram juntos pelo mundo a fora. Hoje estão tristes, mas como nós, de quarentena numa prisão no Paraguai.

Presos por falsificação no Paraguai, como dizia o “Cavalinho” ao “Santana”, quando os dois discutiam futebol, numa roda em frente do Café Ryan, em Porto Alegre:

- É o quadro da dor!

Fim.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC. Além de colunista no Portal Making Of é comentarista na Rádio Guarujá.

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