Setembro 03, 2020

Nossa Jogada

Nossa Jogada
Em pé: Jorge Ferreira, Rubão, Souza, Vilela, Orivaldo, Rogério I, Ari Prudente, Joceli e Afonso. Agachados: Paulo Roberto, Balduíno, Toninho, Zenon, Jaíco e João Carlos.

1 – Avaí, Avaíííí... Avaííííí!

Há 97 anos, na Ilha...

Na The Western Telegraph Co. Ltda., empresa inglesa que transmitia telegramas e funcionava na esquina da Rua João Pinto com a Rua Nunes Machado (o prédio ainda existe) Arnaldo Pinto de Oliveira, conhecido como Cocoroca, aprendeu com os diretores, de descendência inglesa, a gostar de futebol. Ali mesmo alimentou um sonho: criar um clube de futebol para homenagear os mortos na Batalha do Avahy, na época da Guerra Brasil x Paraguai.

Em 1923, no primeiro dia de setembro, a cidade estava enfeitada para reverenciar a Semana da Pátria. Arnaldo estava retido na Western. Mas estava pensando numa reunião que se realizava na casa do empresário Amadeu Horn, a Rua Frei Caneca, que começara às 17h. Os lideres da reunião eram Luís, Eduardo e Oswaldo, filhos do seu Amadeu. Eles pretendiam dar um nome ao time de futebol deles que representava o bairro da Pedra Grande. Cocoroca só sairia da Western às 18h. A vida na cidade estava mudando. O governador Hercílio Luz ordenara a construção de uma ponte pênsil entre a Ilha e a Terra Firme.

- O senhor só sai quando terminar o seu horário, Sr. Arnaldo!

Quando os sinos da Catedral dobraram, como de costume as 18h, anunciando a Hora dos Angeles, Cocoroca saiu em disparada pela rua Nunes Machado. A distância entre a Western a casa do Seu Amadeu, na rua Frei Caneca, era de 3 km. Cocoroca corria, e foi subindo a Rua do Veiga, pensando.  Quando entrou na casa do seu Amadeu, esbaforido e da porta mesmo,  perguntou:

- Qual foi o nome que escolheram?

- Independência Foot Club, respondeu Oswaldo.

A reunião estava terminando. Tudo estava registrado na ata da primeira reunião do novo clube de futebol fundado na Capital, em 1 de setembro de 1923. Cocoroca escutou, e não gostou.

- “Independência”? Não! Não, não pode ser. O nome tem que ser Avahy.

Eduardo, outro filho do seu Amadeu, retrucou: “Que Avahy o quê, Cocoroca”?

- Por que não Independência? – indagou Luís, reforçando a pergunta do irmão.

Cocoroca irredutível, não se dando por vencido...

- A camisa é azul e branca, não tem verde e nem amarelo. Como pode ser...

E com um argumento atrás do outro, Arnaldo, o Cocoroca não deixava ninguém interromper e falar. Aquela reunião seria histórica. A turma havia decidido: o nome do clube de futebol seria “Independência”, em homenagem a Semana da Pátria.  Era sábado, 1º de Setembro de 1923, e na casa do Seu Amadeu Horn, Cocoroca foi induzido pelo destino, depois de correr 3 km, pelas ruas da velha cidade, a mudar o nome de Independência F.C., do novo “time” de futebol.

Naquele início de noite, os meninos reunidos no sobrado da Rua Frei Caneca, ficaram em dúvida:

- Mas, Avahy, Arnaldo? Avahy?

Arnaldo conseguiu. Como ele conseguiu? Há uma versão moderna que descreve ao fim, sem nenhum outro argumento, que fosse registrado pela história, Luiz, Eduardo e Oswaldo, filhos do seu Amadeu, aceitaram a fantasia, a ilusão e a determinação de Cocoroca em mudar o nome que eles haviam escolhido, de Independência para Avahy F C. Cocoroca venceu a batalha, assim:

- Vocês não sabem. Eu sei! O Avaí terá a maior torcida de um time de futebol em Santa Catarina. Imaginem um gol e a nossa turma gritando: Independência, Independência... Não tem graça. O povo vai gritar:

“Avaí, Avaíííí. É o Avaíííí!”

Como agora, 97 anos depois.

 

2 – Era Moderna: 28 anos depois

Avaí campeão, quando completou 50 anos, naquele ano de 1973, o presidente Fernando Bastos queria o Avaí como o primeiro clube de SC no Campeonato Nacional de Futebol. Para conseguir trouxe alguns jogadores do Flamengo como: Paulo Henrique, Celsinho, Cardosinho, Ademir, Ubirajara e o treinador Walter Miraglia.

O projeto não deu certo.

Nos dois jogos eliminatórios, o time foi batido pelo Figueirense por 1 a 0, no Estádio Adolfo Konder, e empatou em zero, no Estádio Doutor Hercílio Luz, em Itajaí. Os jogadores do Flamengo não ficaram. Voltaram entre eles Américo e Ferreti. Apenas Ademir e Cardosinho permaneceram na Ilha. Celsinho saiu e voltou. Jorge Ferreira, treinador e campeão com o Figueirense, em 1972, assumiu o time. Irineu Comelli virou presidente, Valério Matos cuidou das contas e João Salum a diretoria do futebol. O médico era o Dr. Sérgio Francalacci, auxiliado pelo acadêmico e estagiário Mauricio Nunes.

No jogo final, daquele ano, realizado no Estádio Adolfo Konder, contra o Juventus do Lauro Burigo, o resultado foi: 2 a 1, gols de Rogério, Balduino e Baio, no dia 17 de dezembro de 1973, o Avaí conquistava o título de campeão estadual, 28 anos depois.

O clube terminou a temporada com estes jogadores: Rubens, Vilela, Ari Prudente, Cardosinho, Orivaldo, Ademir, Balduíno, Toninho, Zenon, Jocely Ferreira, Joceli dos Santos, Souza, Rogério, Jaíco, Celso, João Carlos, Leopoldo, Batista, Paulo Roberto, Eli, Hercílio, Lauro e Beto.

 

3 – Tem melhor?

Na moderna era do futebol, antes da pandemia, e quem sabe por mais anos, vocês têm a coragem de declarar um nome melhor do que Itá e Felipe Luiz para a lateral esquerda de um time de Santa Catarina?

 

4 – Uma vitória e uma derrota

Os dois clubes da capital continuam lutando, enquanto que a Chapecoense já esta no G4. Criciúma e Brusque, na C, lutam para retornar a Serie B. Sem os veteranos no segundo tempo, o Figueirense foi melhor, mas perdeu. O Avaí sem os velhos: Wesley, Sallinas, Ayrton, Bruno Silva, Rildo venceu e se recupera. A atuação de Valdivia qualifico como de um "peladeiro" que não sabe jogar para a equipe.

 

5 – Messi

Nesta queda de braço entre Messi e o Barcelona, nada ficou resolvido na primeria reunião. Aos 33 anos, Messi procura ampliar carreira com mais três anos de contrato com o Machester City e mais dois com o New York, filial do time inglês nos USA. Messi luta acreditando que ganhou a liberdade no dia 10 de junho, por causa do Estado de Alarma que vivia a Espanha, em virtude da pandemia. O Barça não entende assim. A luta pela liberdade continua.

 

6 – Pebolin

Assistindo pela televisão os lances de penalidades nos jogos Santos x Vasco e Palmeiras x Internacional, cheguei a conclusão que os jogadores dentro da área têm que agir como boneco do pebolim para evitar a bola na “mão”. Não se pode penalizar se não há intenção, como punir se jogador não pode atuar sem os braços? Nos dois casos não houve intenção e puniram.

 

7 – Louvar Jesus

Os estatutos da Fifa proíbem manifestações religiosas e políticas durante a realização de um jogo de futebol. A Fifa é uma instituição leiga e religião é uma atividade privada. Cada jogador pode ter a sua: católica, evangélica, muçulmana, judeus, presbiterianos, ortodoxos e até ateus. Você não pode fazer o sinal da cruz numa rua em Meca ou Medina, imagine num jogo de futebol naquelas cidades? Acho inconveniente jogadores se reunirem após um gol, como se estivessem em um culto, agradecendo a Deus a infelicidade do adversário. Imagine um time com muçulmanos ajoelhados no gramado, olhando para o leste, fazendo suas orações. Se os evangélicos podem...

 

8 – VAR e o Dr. Flávio Felix

Pensando como presidente: “Imagine o custo da arbitragem hoje em dia, com um arbitro principal, dois auxiliares, um reserva, delegados e o pessoal do VAR? Os custo de honorários, viagens, hotéis e despesas de refeição e isto tudo é cobrado ao time mandatário”. Joseph Blater disse e tem lógica: Na Primeira Divisão tem VAR, na Segunda Divisão não tem. Se é uma regra para o futebol, deveria ser e valer em todas as divisões.

 

9 – Ronaldinho Gaúcho foi solto

Depois de pagar uma fiança de 1,4 milhões de dólares para sair do Paraguai. Fiquei intrigado de onde saiu todo está “grana”, porque o dinheiro dele estava confiscado. O Zequinha, que quando não está tocando teclado ou cantando, também gosta de futebol, esclareceu:

- Brito, o Etoo, aquele jogador de Camarões, que jogou com ele no Barcelona, emprestou o dinheiro.

Eu queria um amigo assim.

 

10 – Cabeça de área...

Que vocês chamam de primeiro volante ou “Pit Bull”, não é como atua o Thiago Alcântara, filho do Mazinho, nascido na Itália e naturalizado espanhol. Mas... o que? Eu desejo que vocês abram e vejam (aqui) como joga um centro médio.

 

11 – A equipe do ano de 2020 na Europa

Fim.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC. Além de colunista no Portal Making Of é comentarista na Rádio Guarujá.

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