Julho 06, 2020

Nossa Jogada

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1 - A TV sustenta o futebol

Em 1987, a CBF alegou que não havia dinheiro para organizar um Campeonato Brasileiro. Os grandes clubes se organizaram e criaram o Clube dos 13, para juntos tentarem conseguir um patrocínio. Em 1988 a TV Globo que se interessou, e conseguiu que a Coca-Cola e da Coopersucar investissem, na compra dos direitos de imagens dos clubes, viabilizando a realização de um Campeonato Brasileiro de futebol. Anos depois, em 2011 os presidentes de clubes se desentenderam, passando a negociar individualmente, implodindo o Clube dos 13, até então: 2020. Este mês de junho, sustentado na Medida Provisória 984/2020, o Flamengo rompeu com o pacto coletivo. Penso que esta decisão inviabilizara a realização de todas as divisões dos campeonatos brasileiros de futebol, que só sobrevivem graças as negociações coletivas, porque parte desta renda, administrada pela CBF, possibilita que sejam recolhidos os impostos, que os clubes nunca querem pagar, como pagavam as empresas de aviação e os hotéis onde se hospedavam. É bom lembrar que clubes de futebol profissionais, que pagam milhões aos jogadores, usam estádios públicos, recolhendo cotas mínimas e sendo subsidiados pelo Estado. Sem o dinheiro da TVs, não tem Brasileirão. Aplicativo nenhum ou canal de transmissão de imagens, de um único clube de futebol, terá condições de arcar com as despesas.

 

2 - Vocação

A vocação do futebol, no seu inicio, não estava ligado aos benefícios econômicos, nem se imaginava um negocio rentável. O futebol agora é um entretenimento universal, proporcionado por gestores que distribuem, e vendem uma mercadoria de primeira qualidade: a paixão dos seguidores, ao publico e as empresas que investem em patrocínios. Mas com adversários fracos e sem dinheiro, não há como alimentar esta paixão, que não tem uma única bandeira, como quer o Flamengo. 

 

3 - Patrocínios

Tudo o que falam do Flamengo: direitos, história, torcida e publico nos estadios não se contesta. Com estes argumentos, os dirigentes deveriam deveria explorar, e negociar o uso de sua imagem com um único patrocinador estampado em suas camisas. Este negocio não depende apenas da sua torcida, mas de todo o público: nos estadios e na frente do televisor, não importando qual empresa de televisão mostre seus jogos. Os dirigentes comodistas seguem o atalho, acreditando que pegar o dinheiro de um aplicativo e “roubar”, o direito do adversário, possa viabilizar esta paixão. Não! O jogo de futebol não existe sem adversários.

 

4 - Divisão do $ da TV

Por exemplo: na Inglaterra não há transmissão em televisão aberta e/ou gratuita, apenas em tevês por assinatura. Lá os direitos internacionais chegam a uma cifra de 200 bilhões de reais. Só parar ilustrar, a Amazon[i] comprou 20 partidas, por 90 milhões de libras e as transmite via streaming. A arrecadação domestica é repartida assim: 50% iguais para os clubes; 25% pela posição na tabela; 25% pelo nº de partidas transmitidas, e, por ultimo, os 100% de renda adquirida na venda dos direitos internacionais, são repartidos igualitariamente à todos os clubes da 1ª divisão.

 

5 - Nos Estados Unidos 

Todos os clubes, de todas as modalidades esportivas, nos Estados Unidos recebem cotas iguais de direito de imagem. Como mandantes, cabe a cada um, o direito a arrecadação dos ingressos às suas arenas e a comercialização de tudo que negociam dentro e fora dos estadios. Este ano passaram a receber, individualmente, os negócios da venda do patrocínio na camisa, que são imperceptíveis. Quem joga mais, classificando aos playsoffs, arrecada mais

 

6 – Balanço do dinheiro

Até o dia 30 de abril os clubes brasileiros, por força de lei, são obrigados a publicarem seus balanços financeiros em jornais locais. Até ontem, Avaí, Chapecoense e CSA não tinham obedecido a lei. O Avai, por acaso, teve as suas contas aprovadas pelo Conselho Fiscal, e na ultima sexta-feira, pelo Conselho Deliberativo, em reunião ordinária virtual, por conta da crise sanitária. Pela terceira vez consecutiva, a administração de Francisco Battistotti, na contas referente ao exercício 2019, fecharam positivas, por um valor de R$ 3,8 milhões. 

 

7 - Números do Flamengo

Todos ficaram impressionados com os números divulgados pelo Flamengo, depois da experiência de ter seus jogos retransmitidos pelo aplicativo do You Tube: como um publico cativo de 2 milhões, e sendo visto de passagem por 41 milhões, que passaram pelo You Tube e não permaneceram na audiência.

Por que não ficaram vendo o jogo?

Você sabe que no Brasil existem 102 milhões de domicílios com aparelhos de TV e em cada domicilio vivem no mínimos duas pessoas. No pais existem, em uso 230 milhões de smartphones, aparelhos individuais. Então faça as contas: aos domingos a TV Globo tem um audiência de 30%, dos 102 milhões de lares brasileiros. Isto corresponde a mais de 30 milhões de aparelhos ligados, como media de telespectadores por casa é de duas pessoas, calcula-se um publico de 60 milhões de pessoas. Quantos aos canais de televisão por assinatura, no Brasil há 7 milhões da assinantes, nestes 102 domicílios. Agora me responda por que as 41 mil pessoas, que passaram pelo canal You Tube, não ficaram assistindo ao jogo do Flamengo e Boa Vista? Respondo que para um torcedor fanático pelo Flamengo, ele “assiste” a um jogo do seu time, até na radio.

 

8 - Analista de desempenho

O antigo olheiro, que o Lauro Burigo tinha um em Criciúma, não errava nunca. Querem ver: Ari Prudente, Sado, Lico, Veneza, Valdomiro e Marcos. Pois agora, o Figueirense tem um, que é conhecido como “analista de desempenho” e atende pelo nome de Enory Martins. Ele usa técnicas modernas, tipo as usadas por um personagem de um filme intitulado: “Moneyball”, em português: O Homem Que mudou o Jogo, tendo como atores Brad Pitt, Jonah Hill e Philip Seymour, filme que você pode assistir na Netflix.

 

9 - Quatro de julho de 1959

Guga, não esqueça esta data: 4 de julho de 1959 foi quando Maria Esther Bueno venceu pela primeira vez o Torneio de Wimbledon, em Londres. Maria Ester venceu os quatro grandes torneios: Open da Austrália, Roland Garros na França, Wimbledon na Inglaterra e US Open em New York. Seu nome está no Livro dos Recordes: na final do US Open de 1964, contra a americana Carole Caldwell Graebner, Maria Esther venceu a partida em apenas dezenove minutos e a vitória sobre Margaret Court[ii] na final individual de Wimbledon, em 1964, que é considerado por muitos, um dos 10 jogos mais emocionantes da história do tênis.

 

10 - Horário e data do Estadual

Os jogos das oitavas de final do Campeonato Estadual de SC, valido para o ano de 2020, terão prosseguimento dia 8/07 com Chapecoense x Avaí às 20h30 e Criciúma x Marcilio Dias às 19h; no dia seguinte, quinta-feira, 9, jogarão à tarde Juventus x Figueirense às 15h e à noite Joinville x Brusque às 19h. A indicação da arbitragem para estes jogos será divulgada hoje à tarde na sede da FCF. O Avaí agradece ao prefeito:

Créditos: Reprodução/TV Avaí

 

11 – Racismo

Max Verstappen, Charles Leclerc, Carlos Sainz Jr., Daniil Kvyat, Antonio Giovinazzi e Kimi Raikkonen foram os seis pilotos que, durante o ato antirracista não se ajoelharam, gesto considerado um símbolo da luta pela igualdade racial. Verstappen: "Estou comprometido com a luta pela igualdade e contra o racismo, Cada um tem direito de se expressar a sua maneira, mas também apoio as escolhas pessoais que cada um".

 

Fim.

 

[i] Amazon.com, Inc. é uma empresa transnacional de tecnologia dos Estados Unidos que foca em comércio eletrônico, computação em nuvem, streaming digital e inteligência artificial. Foi fundada por Jeff Bezos em julho de 1994, e sua sede localiza-se em Seattle, estado de Washington

[ii] Nome da quadra principal de Roland Garros, onde Guga venceu este torneio.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC. Além de colunista no Portal Making Of é comentarista na Rádio Guarujá.

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