Outubro 15, 2020

Nossa Jogada

Nossa Jogada

Jogaram: Raul; Pedro Paulo, Willian (Fontana), Procópio e Neco; Wilson Piazza (Zé Carlos) e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira. Técnicos: Airton Moreira (1965-1967), Orlando Fantoni (1967-1968) e Gérson Santos (1969).

 

1 – Que coisa triste

Escutar três vezes um não. Primeiro foi Lisca; segundo Felipão e terceiro Humberto Lozer. Lembro do Cruzeiro dos anos finais de 1960. O filho da Dona Cotinha deve estar triste. Andei por Belo Horizonte nestes anos. O Cruzeiro era o time da época. O primeiro clube mineiro a conquistar um título nacional: Taça Brasil, de 1966. Só se falava em Tostão, Dirceu Lopes, Piazza e Raul com sua camisa amarela. Era como assistir ao Santos de Pelé ou o Real Madrid de Di Stéfano e Puskas. No dia 1° de maio, de 1968, sai de Sete Lagoas, cidade vizinha a BH para assistir Cruzeiro e Boca Junior, de Rattin, líder da Seleção Argentina. Ele havia enfrentado os ingleses, em Wembley, no Mundial de 66 e quando foi expulso, relutou em sair alegando que não entendia o que o árbitro alemão dizia. A partir deste incidente, a FIFA a criou os cartões amarelos e vermelhos, que foram usados pela primeira vez no Mundial de 70, no México. Neste jogo, que terminou 3 a 2 para o Cruzeiro, o Mineirão recebeu 79 mil pessoas. Evaldo fez dois, Tostão um, Rattin e Marduga para o Boca. Este Evaldo lembrou recentemente que quando vai ao interior, as pessoas querem tirar fotos, perguntam sobre as histórias daquela conquista, como era enfrentar o Pelé... A meninada de hoje está ouvindo que treinadores dizem não ao Cruzeiro. Uma pena!

2 - Resultados

Que os torcedores não gostaram: do empate (1 a 1) do Avaí, em casa e da derrota (3 a 0) do Figueirense, em São Luis do Maranhão. E hoje acordei com as perguntas: Esse Alecsandro é o mesmo que jogava no Palmeiras? Esse Arouca é o mesmo do Santos? Esse Marquinhos é o mesmo do Roma e esse Valdívia é o mesmo do Internacional?

Então, por quê foram dispensados?

3 – Covid-19

Cristiano Ronaldo foi afastado do último jogo da Seleção Portuguesa por dar positivo no teste de Covid-19. Voltou para a Itália em um avião ambulância, onde continuará a quarentena e o processo de recuperação. No Avaí seis foram afastados, no Figueirense muito mais e até a Comissão Técnica. Tem gente que não acredita.

4 - Planejamento

Jean Martin não pode jogar por causa da Covid-19, sabem quem jogou no lugar dele?  Pedro Castro. Como? No setor de meio de campo do Avaí jogam: Ralf, Jean Martin e Pedro Castro. Quem deveria substituir Jean? Não tem. O PC teve que recuar... Pode? 

5 - Substituições

Era proibido substituir. Em 1970 permitiram duas. Aumentaram para três. Agora cinco. A mentalidade dos treinadores continua como se não pudesse substituir. Quando estão perdendo entram todos os atacantes que estão no “banco”, se estão ganhando os defensores. Nos minutos finais usam as substituições para ganhar tempo. Podem mudar metade do time, mas não há um plano, uma estratégia para mudar o jogo.

6 - Desigualdades

Tem gente que gosta de dividir. Battistotti entregou uma camisa do Avaí ao Presidente da República e publicou a foto. “Choveu canivetes”. Entregou uma camisa a um candidato à prefeitura, a foto foi publicada no site do clube e estou esperando a crítica. Fiquei surpreso, pensei que o crítico do Battistotti e das palavras deselegantes ao Amaro Lúcio da Silva, vice-presidente do Avaí -, torcesse pelo Figueirense.

7 - Especial

Que jogo! Você viu? Atlético Mineiro 1 x Fluminense 1. Que vontade, determinação, entrega e gama dos jogadores. O Atlético tentando virar o jogo e o Flu mantendo o resultado. Querem um detalhe? Estavam no gramado seis jogadores conhecidos: um do Atlético Mineiro - Guga; dois do Figueirense – Yago e Egidio; dois do Criciúma – Nino e Dodi e um do Avaí – Caio Paulista, que fez o gol do Flu. Estes merecem um lugar na história do futebol catarinense como estão tentando: Luan Silva; Rômulo; Getulio; Felipe e Zé Marcos.

8 - Desperdícios

Não aproveitar os espaços vazios nos estádios para estender faixas dos anunciantes, que aparecem nas camisas que os jogadores vestem em nossos clubes. Cartazes, como fizeram as seleções e não de organizadas, como a gente vê. A publicidade nos estádios é paga. As faixas das organizadas são de graça? Como? Se elas cobram mensalidades, vendem camisetas e ingresso lucrando com o futebol.

9 – Política e filme

Não bastou a esquerda, o coletivo dos jornalistas, e agora se meteu o MP num julgamento esportivo de uma atleta de voleibol. Julgamento esportivo por ter se aproveitado de uma oportunidade para pedir: “Fora Presidente”! Não será um julgamento civil. Há um estatuto, um regulamento que todo atleta deve obedecer. Quem não estiver de acordo não participe. Quem quiser ser contra e justificar um julgamento esportivo que vá estudar a história das Olimpíadas, a de 1936. Veja o filme “Raça”, na HBO ou Netflix, e entenda como a política não é bem vinda ao esporte.[i]

10 – Bike e ciclovia na SC/401

Terminou o “Tour de France” e agora assisto o “Giro”, um passeio pela Itália. Em cada cidade que os ciclistas passam ou chegam, da vontade de ir embora por causa da beleza da paisagem, das praias e das mulheres. Sentado na poltrona penso nesta moda de ciclovia, e nos bobos pedindo ciclovia ao longo da SC 401, sem se darem conta do deslocamento de ar provocado pelos carros, caminhões e caminhões rodando a 80 km/h bem ao lado dos ciclistas a menos de 2 metros.  

11 – Reservas

Sabem quem são os reservas do ex-juvenil do Avaí Gabriel Guimarães no Arsenal da Inglaterra, o campeonato de futebol mais visto no mundo? Pablo Neri, aquele do Flamengo e David Luiz, aquele da seleção de 2014. Diria um velho cronista: eles jogariam fácil no Avaí e Figueirense enquanto Gabriel ficaria no banco.

FIM.

___________________________________

[i] Nas Olimpíadas de Berlim de 1936, Hitler queria demonstrar a supremacia da raça ariana. O filme Raça conta a história de Jesse Owens, atleta americano que superou o racismo e não só participou dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, em pleno regime nazista, como conquistou quatro medalhas de ouro. Jeremy Irons interpretou o homem de negócios, Avery Brundage, personagem influente no Comitê Olímpico, que negociou com outros membros do Comitê, conseguindo os votos necessários para a ida da América aos Jogos Olímpicos de 1936, na Alemanha. As intenções de Brundage podem ser debatidas até hoje, uma vez que apresentavam conflito de interesses.

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Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

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