Setembro 24, 2020

Nossa Jogada

Nossa Jogada
No Metropol, a esquerda Idésio e Madureira, a direita Paulo Souza.

1 – Nunca vi igual. Parecido pode ser

O Metropol era um time fantástico. Se transformou em um livro do Zedassilva[i]. Ele escreveu, porque o Yan Boechat não acreditava no que o Zé contava do que tinha ouvido no bairro onde cresceu e na cidade que nasceu. O Metropol, um time de mina, de Criciúma, virou um TCC – Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo, em 1996, antes de virar o livro: "Histórias que a Bola Esqueceu". Quando fazia parte da banca examinadora, foi passando um filme em que revia as jogadas de Madureira contra o Grêmio, do controle de bola do Idésio: ”matando no peito, na perna e botando na terra”, como descrevia Sousa Junior, sargento do exercito, de pele negra, que narrava futebol pela Rádio Anita Garibaldi, uma propriedade do Dr. JJ Barreto, pai do Tuca. O lance inesquecível era a imagem da bola no “corner” do campo, na frente da sede da FCF, Paulo Sousa, zagueiro, acossado por Marino. O zagueiro colocou o pé sob a bola, deu um “chapéu” no jogador do Grêmio, pegou do outro lado e saiu jogando. Nunca tinha visto e jamais vi tanta coragem. Hoje vejo o Betão e o Alemão dando chutões, é quando volto ao Estádio Adolfo Konder e revejo a jogada do Paulo Sousa, naquele corner, jogando pelo Metropol contra o Grêmio, pela Taça Brasil, de 1962.  

2 – Por falar em zagueiro...

Foi no ano de 1973, 11 anos depois, era formado e estava aprendendo a fazer jornalismo esportivo. Perguntava e perguntava aos jogadores. Queria aprender. Um dia de verão daquele ano, no acanhado vestiário do Campo da Liga, Ari Prudente, ex-Avaí, Vasco, Comerciário e Athletico, aos 33 anos, respondeu a pergunta: Vai parar?

- Brito, agora é hora de correr atrás de contrato com outros clubes, “roubando” dinheiro de dirigentes que acreditam que ainda corro e jogo como se tivesse 20 anos de idade. Passados quase 50 anos ainda há dirigentes e ex-jogadores que acreditam.

3 – O Calvário e a falta de respeito

Passaram a semana toda analisando uma possível derrota do Flamengo em Quito. Passaram a semana derrubando Renato Gaúcho do Grêmio e o colocando no Flamengo. Muitos destes não pensaram ou desejaram a vitória do Flamengo. Que ganhou, e não contentes, tascaram lá a manchete com uma “ganhou no sufoco”!

O jornalismo morreu. Agora torcem e distorcem como se fossem um membro de organizada. Transformam uma derrota em um caos. Algumas vezes por puro preconceito. Nem a crise e o drama sanitário, de seis jogadores doentes, três dirigentes, do avião ter que voltar, nada disso. O problema era o rodízio. Pois o Flamengo com mais uma vitória passa para a fase seguinte. Poucos cronistas esportivos acreditaram que o Flamengo sairia de Quito vencedor. Ainda não acreditam, enquanto defendem a inscrição de 40 jogadores, na Libertadores, sem se darem conta de que é um torneio de apenas 10 jogos.

4 – Dispensa no meio do ano

Dos jogadores do Avaí, contratados para levar o time a Primeira Divisão, seis deles serão dispensados. Uma prova de que o planejamento foi para a cucuia. Anunciam entre seis ou sete dispensas, nunca sabem o número exato para dispensar ou contratar. Virão entre três ou quatro. Esta semana recebi um release, vindo do Avaí, com uma declaração de Marquinhos Santos: “tenho a consciência tranquila, o trabalho é de seriedade e honestidade. Estamos promovendo mudanças e contratando reforços”. Mas não eram reforços de renome? Ai anunciou Renatinho, conhecido no Paraná, mas que nenhum clube de Curitiba o quis. Mais uma aposta.

5 – Renatinho, que é?

Diz alguma coisa aí, o filho da Dona Cotinha! “Jogador de 28 anos, vindo do CSA, sem nenhuma estabilidade por onde andou: Athletico, Guarani, Mirassol, Paraná, Botafogo, Goiás. MS10 espera que o Avaí irá subir, como? O Valdívia vai sair do time? Renatinho não ficou em nenhum destes clubes”. E Marquinhos: “Com a vinda de Renatinho e mais alguns jogadores, a gente reforçará o elenco (estão inscritos 44 jogadores)”. E Renatinho disse: “Sou dinâmico, chego na área, faço gols e tenho vontade...”.

6 – Torcedor, agora é a sua vez...

De ser diretor de futebol do Avaí e me ajude a encontrar um lugar para o Renatinho. Quem você tira do time? Escolha entre estes: Adrian, Lourenço, Pedro Castro, Valdívia ou Thiaguinho. O Geninho coloca Ralf, Jean Martin ou Bruno Silva no meio. Vou mais longe, estão anunciando a chegada de mais um atacante. O Avaí tem 12 atacantes inscritos, entre eles: Jonathan, Rômulo, Da Silva, Getúlio, Amorim, Gaston, Rildo, Vinicius Jau, Renato, Tucão, Gaspar e Alemão. Só jogam dois e eventualmente três. Escolha seis. Os outros seis fazem o que? Se os que estão jogando não servem, imagine os reservas deles. Servem para que? Como dar treino para tanta gente? Faça de conta que você entende de futebol, é pago para planejar e ordenar, como faz?

7 – Pegou a doença, parece até vírus

O Figueirense está anunciando a volta de Bruno, 35 anos de idade. Começou no Guaraí da Palhoça, Figueirense, Fluminense, São Paulo e agora dispensado do Internacional. Ninguém o quis. Está no mercado. Não chega a ver o Marquinhos andando em campo, agora traz um lateral que era lento por natureza? Eles adoram enganar o torcedor com nomes passados.

8  – Veja como é no futebol organizado

O Real Madrid só pode inscrever 25 jogadores para disputar o Campeonato da Liga, a Copa do Rei e a Champions. Avaí e Figueirense só disputam o brasileiro da B e inscrevem 44 jogadores. O Real tem um planejamento de renovação do plantel e começa a pensar o que vai fazer com estes jogadores que passaram dos 30 anos: Modric (35), Ramos (34), Benzema y Marcelo (32), Bale (31), Nacho y Kroos (30). No elenco deste ano tem oito com menos de 22 anos: Rodrygo (19), Vinicius y Lunin (20), Odegaard y Brahim (21), Militao, Valverde e Jovic (22). Ah, mas eles tem um time B. E o Sub 23 de Avaí e Figueirense é o que?

9 - Neymar racista

É o que acusam os dirigentes do Olimpique de Marselha, com um vídeo em que o jogador brasileiro do PSG chama do japonês Sakai, lateral do Olimpique de: “ hino de mierda”! Neymar Jr. pode ser punido por racismo. O tiro pode sair pela culatra ao acusar o zagueiro espanhol Álvaro de racista.

10  – Clube empresa

Em janeiro de 1989, o Congresso de Deputados da Espanha estudava um projeto de mudança de status dos clubes de futebol, adaptando a legislação a respeito as exigências econômicas da Comunidade Europeia. A dívida fiscal dos clubes era igual dos nossos clubes. Ganhei cópias do projeto, anos mais tarde – no Brasil, entreguei o texto do projeto ao advogado Marcilio Krüger, que assessorava o Senador Geraldo Althoff na elaboração de uma lei que transformaria os clubes brasileiros em empresas. Mas por traz deste projeto havia uma intenção dos deputados de resolver a dívida fiscal dos clubes brasileiros, o que criou o tal de Profut. O assunto voltou à baila. O Senador Rodrigo Pacheco propõe uma nova lei, e o deputado Pedro Paulo propõe outra. A intenção dos dois é anistiar a dívida fiscal dos clubes de futebol. O Dr. Tullo Cavallazzi reuniu alguns especialistas e promoveu um debate a respeito: o italiano destacou que na Itália os clubes não são obrigados a se transformarem em empresas; em Portugal é obrigatório; na Espanha a lei permite a transformação em empresas ou seguir com o modelo tradicional. Valeu a iniciativa, mas com a certeza a importância está na gestão, sob a fiscalização do Estado e obedecendo ao fair play financeiro imposto pela UEFA.



11 - Lição de Marcelo Bielsa, treinador argentino

Respondendo a uma pergunta: “Porque não recuastes o time para defender a vitória de 4 a 1? Eles quase empataram? O jogo do Leeds contra o Fulham terminou 4 a 3. Bielsa: “É um erro pensar que, para defender o resultado, temos que recuar. Ao contrário temos que continuar atacando para aumentar o 4 a 1. O Leeds tinha que continuar atacando. O Leeds voltou a Premier League na Inglaterra depois de 16 anos jogando na Segunda Divisão.

12 – Melhor novembro

Não é. Estão anunciando Luiz Suarez no Atlético de Madrid depois de seis anos no Barcelona. Suarez saiu do Uruguai, em direção a Europa, para jogar no Ajax, de lá foi para o Liverpool, Barcelona e agora no Atlético de Madrid. Não é o melhor 9 na historia do Barcelona, Antes dele tem Kubala, Evaristo, Romário e Ronaldo Nazário.

 

[i] Em 1996, aos 22 anos, escreveu o livro: "Histórias que a Bola Esqueceu", sobre o Metropol, time que marcou época no futebol catarinense da década de 1960.

Tags:
futebol nossa jogada paulo brito
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Exclusivo

Nossa Jogada

Outubro 29, 2020
Exclusivo

Nossa Jogada

Outubro 26, 2020
Exclusivo

Nossa Jogada

Outubro 22, 2020
Exclusivo

Nossa Jogada

Outubro 19, 2020

Paulo Brito

Paulo Brito

Paulo Brito nasceu em Florianópolis, graduou-se em jornalismo na PUC RS em 1972, mas desde 1971 exerce o ofício de comentarista esportivo, tendo trabalhado em jornais, rádios e televisões nas praças de POA, SP, BCN e FLN. Foi professor do IEE: - Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, profissão que o levou a UFSC: - Universidade Federal de Santa Catarina onde permaneceu até 1998. Foi membro da Comissão que criou o Curso de Jornalismo na Federal de SC.

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!