Agosto 16, 2019

Nossos filmes bobinhos favoritos

Nossos filmes bobinhos favoritos
Reneé Zeleweger em O Diário de Bridget Jones

Quem acompanha a coluna semanalmente já deve ter percebido que tenho preferência pelos filmes densos, dramas profundos, tramas políticas ou como nós, cinéfilos, chamávamos: "filmes cabeça". Dividíamos o cinema em "de arte" ou "comercial" e olhávamos para o segundo com certo desprezo. Isso não impedia de eu ter, meio às escondidas, os meus filmes bobinhos favoritos. Hoje, não tenho qualquer pudor de expor minhas preferências, vou de Ingmar Bergman a Game of Thrones...hahaha. "Ah, a madureza, esta terrível prenda", como escreveu o poeta Drummond, também traz vantagens. Uma delas é assumir do que gostamos, sem nos importarmos com a opinião alheia. Ponto final.

Bem, depois dessa digressão filosófica, vamos ao que interessa. A inspiração para o tema desta edição veio depois de assistir a Podres de Ricos, a comédia romântica que foi fenômeno de bilheteria em 2018, trazendo todos os clichês do gênero, mas com uma roupagem asiática. O elenco é composto essencialmente por atores asiáticos, a locação principal é Singapura e a direção é de John M. Chu, filho de um chinês e uma taiwanesa. Isso faz toda a diferença. Apesar de ser uma variação da Cinderela moderna, moço rico, moça pobre etc...observar outra cultura, ver caras novas nas telas, dar algumas boas risadas, já traz uma lufada de ar fresco num gênero que tem sido maltratado nos últimos anos. "Ah, mas é um filme bobinho?"- Sim, é. Mas o filme – disponível na Netflix - proporciona 1h20 sem ler ou ver as notícias que andam nos puxando para o abismo do desânimo e da depressão, uma deliciosa fuga da realidade.

Listei alguns filmes dentro dessa ótica que me agradam. Pedi também a outras pessoas que abrissem o coração e confessassem aqui qual o seu "filme bobinho" favorito. Vamos assumir esta juntos, cineseriéfilos ? Digam aí, qual é o bobinho do coração de vocês.

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OS MEUS ...

DIRTY DANCING – Emile Ardolino ( 1987)

Dentre os meus filmes bobinhos favoritos, este é bem bobinho e bem favorito! Sempre que reprisa na TV, revejo as minhas cenas preferidas de dança. Jennifer Gray – que depois desse sucesso nunca mais fez outro – é Baby, a mocinha que descobre o amor e o sexo numa colônia de férias para onde foi com sua família careta. Patrick Swayze é o líder dos empregados que dançam para entreter os hóspedes. A analogia da dança com o amadurecimento e as descobertas de Baby é perfeita. A animada trilha sonora e a coreografia de encerramento I've Had) The Time Of My Life? continua copiadíssima em festas de debutantes e casamento. Às vezes acaba mal como aconteceu com o casal britânico Sharon e Andy Price que se chocaram um no outro durante o ensaio do número e foram parar no hospital às vésperas do casamento.

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O DIÁRIO DE BRIDGET JONES – Sharon Maguire (2001)

Apesar de ser ligeiramente inspirado em Orgulho e Preconceito, livro de minha querida Jane Austen, a sinopse do filme me manteve afastada dele durante muito tempo. Sem falar que não morro de amores pela atriz Reneé Zelwegger . Então, Bridget Jones já era um sucesso de público, quando finalmente venci o preconceito e resolvi assisti-lo. Me diverti muito com as trapalhadas da protagonista e com a "canalhice" do chefe dela, interpretado por Hugh Grant, além de Colin Firth ser ideal para o papel do amável Mark Darcy. Acabei vendo o segundo também e parei por aí.

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GIGOLÔ AMERICANO - Paul Schrader - 1980 e UMA LINDA MULHER – Gary Marshall – 1990

O que me fez ligar os dois filmes no mesmo post não é só a presença de Richard Gere em ambos, mas a similaridade da trama. No primeiro, Gere é um jovem gigolô que se apaixona por uma cliente casada e rica, sendo correspondido e "salvo" por ela. No segundo, todos sabem, ele é o milionário "salvador" da linda prostituta interpretada por Julia Roberts. Há uma diferença de tom entre os dois filmes, já que em Apenas um gigolô, a profissão de garoto de programa é mostrada de forma menos glamourizada. Uma linda mulher é mais leve, calcada na sempre infalível história da Cinderela revisitada.

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OS BOBINHOS DOS OUTROS ...

Um convidado bem trapalhão ( Blake Edwards - 1968 ) Uma comédia bobinha, onde brilha o gênio de Peter Sellers. (Gilberto Motta, jornalista)

O casamento do meu melhor amigo ( P.J.Hogan - 1997) – De vez em quando gosto de desopilar e ver um filme água com açúcar como este. (Beth Nogueira, jornalista)

Encantada –Kevin Lima –Estúdios Disney – 2007 - Tem números musicais incríveis. (Guilherme Votto, produtor cultural ).

Um dia a casa cai (Richard Benjamin- 1986 ) – Não consigo parar de ver ( Suzete, jornalista)

Harry & Sally – feitos um para o outro (Rob Reiner- 1989) – Cheguei a ter em DVD. Ainda choro nos depoimentos finais dos velhinhos. (Angela Bastos, jornalista)

Nota da coluna: Ouso discordar da Angela. Harry & Sally é a prova que nem toda a comédia romântica é bobinha. Bons diálogos, piadas que entraram para a história do gênero, a química perfeita entre Meg Ryan e Billy Cristal, mesmo que ele esteja longe de ser o galã típico hollywoodiano. Uma delícia!

Transformers Style -  Robôs alienígenas gigantes e explosões desnecessárias. Tem como não se divertir? (Leonardo Votto, gestor de implementação em Telecom)

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FORA DE SÉRIE

Mr.Selfridge – 4 temporadas – Netflix

Talvez não seja muito justo colocar Mr.Selfridge nesta categoria, pois tem taaaantas séries muito mais bobinhas disponíveis, mas desta eu gosto! Acontece que, se por um lado, ela é romântica e mostra as estripulias do criador do primeiro grande magazine ( que entendemos hoje como "shopping"), a Selfridges, tem como pano de fundo os costumes da época, incluindo a discriminação das mulheres no mundo do trabalho. A história é baseada na vida do empreendedor Harry Gordon Selfridge, que iniciou uma verdadeira transformação no mundo do varejo, ao inaugurar o primeiro endereço da Selfridge na famosa Oxford Street, em Londres, em 1909. O ator americano Jeremy Piven faz um ótimo Harry Selfridge.

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CINEMA & MÚSICA – DICA

Trilha sonora de Duets – Hollywood Records

 

Outro filme que não é nenhuma obra-prima, mas que já revi várias vezes é Duets. Gosto muito da história que junta seis pessoas com diferentes histórias em um concurso de canto, uma espécie de karaokê em um bar de Omaha, Nebraska. Não morro de amores pela Gwyneth Paltrow ( principalmente depois que ela "roubou" o Oscar de Melhor Atriz da Fernanda Montenegro em....hahaha), mas ela canta direitinho. Aliás, o filme é dirigido pelo pai dela, Bruce Paltrow.

Busquei na minha estante a trilha sonora, onde são os próprios atores que interpretam as músicas. Pode não ser a melhor versão, mas as canções são ótimas e acaba tendo um resultado delicioso. Entre elas está a lindíssima " Try a little tenderness", de Otis Redding, no filme interpretada por Paul Giamatti ( sim, além de tudo ele também canta!) e Andre Brauger. Eles formam uma das duplas mais inusitadas do concurso: Giamatti, um vendedor estressado que avisa em casa que vai comprar cigarros e pega a estrada sem rumo e dá carona a Brauger, um fugitivo da prisão. O filme é irregular, mas simpático, tem momentos adoráveis mesmo.

Está triste ? Coloca Duets na vitrola, aparelho de som, CD, DVD, MP3, Ipod, Spotfy... -ou o que seja- e dance! Vai por mim...

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Encerro com Elvira, a Rainha das Trevas, outra bobagem divertidíssima. Até a próxima!

THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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