Julho 08, 2019

Novas formas de vida e cuidados com o planeta!

Novas formas de vida e cuidados com o planeta!
Fotos divulgação

A Mostra de Documentários "Juntos", que acontece de quinta a domingo desta semana, no Cinema do Centro Integrado de Cultura - CIC, vai aquecer o inverno em Florianópolis - o evento ocorre com apoio do Cineclube Unisul e a entrada é gratuita.

Com direção da cineasta Letícia Marques, numa parceria com a Plural Filmes, “Juntos” é uma  série documental em 13 episódios (os primeiros já começaram a ser exibidos no Canal Curta!), que registra ações coletivas voltadas para a alimentação, meio ambiente, recursos hídricos, bioarquitetura, saneamento e educação.

Estas práticas visam respeitar os princípios da permacultura, que une técnicas ancestrais a novos conhecimentos, em prol de uma vida em sintonia com o ambiente, com os animais e entre as pessoas, entendendo a saúde como o resultado de um equilíbrio entre a terra e todos seus habitantes.

 

Nesta entrevista, a diretora, que nasceu em Curitiba (PR) mas cresceu em SC, conta como surgiu a ideia do projeto e qual sua expectativa ao levar histórias, inclusive de catarinenses, para o mundo. Leticia  é documentarista, formada em Cinema pela FAAP SP.

Com anos de experiência em Montagem em Publicidade, Moda e conteúdo web, hoje a cineasta tem o foco em desenvolver e criar projetos de documentário em Florianópolis pela sua produtora  Black Sheep Filmes. 

Seu primeiro curta metragem, “O Corpo Conforme”, ganhou prêmio de melhor filme pelo Júri Popular no 16 Festival Mix Brasil e no momento está a finalizar o seu primeiro longa metragem de documentário o Faça Você Mesma. 

Além da entrevista, divulgamos aqui a programação da Mostra com a sinopse de todos os episódios.

 

Letícia, o que a motivou a escrever a série Juntos?

Eu diria que o sentido de Juntos está relacionado com uma crise que não é só minha, do momento que começo a escrever a série, mas praticamente de todos que sentem que as formas de se viver e conviver no modelo sócio -econômico que vivemos não funcionam mais, se um dia funcionaram.

Vemos que estas formas começam a mostrar sinais de fraqueza e hoje, em 2019, estamos sendo alertados cada vez mais da mudança climática e que, para reverter este quadro, temos data limite.

Essa crise humana foi sentida por mim quando comecei a escrever a série e, indo de encontro a vivências de Permacultura, percebi e percebo como existem várias pessoas na mesma crise, em um ponto de virada de uma vida competitiva e de sobrevivência para uma outra que celebre um outro modo de viver.

E esse modo de viver é um de cooperação entre as pessoas, de trabalho coletivo, de autogestão, de se viver com a natureza harmoniosamente.

 


E qual é a sua proposta com esse projeto?

Então, além da série apresentar modos de se viver e conviver com a natureza, numa forma onde trabalhamos com ela e não contra, que consequentemente é contra nós mesmos, ela também apresenta estas histórias de pessoas que, em algum momento, sentiram um desejo de mudança de vida, e foram trabalhar da terra, em sítios.

Enquanto outras, como vemos na série, estão no processo de aprender a serem mais resilientes, a cuidar de si e da terra, para futuramente fazerem deste modo de vida seu presente.


Juntos, na verdade, são histórias de pessoas contadas através da imagem, não é?

Acho importante e essencial contar histórias que motivam inspiram, pois é assim que inspiramos outras pessoas. Estas histórias significam experiências de pessoas que fazem acontecer, que fazem por elas mesmas e o que as guia é uma força de vontade de fazer com que o ser humano permaneça e prevaleça com amor sob as adversidades sentidas no mundo.

E ainda diria que é uma série importante para instigar uma mudança de consciência, uma mudança de comportamento perante a vida, na forma como nos relacionamos uns com os outros e com a natureza (onde tudo faz parte).

 


E como foi gravar em Santa Catarina? Você destaca alguma experiência dessas gravações no estado?

Foi uma experiência gratificante poder filmar estas histórias em Santa Catarina e levá-las às telas para o Brasil afora. Sinto uma falta de histórias catarinenses no cenário do Audiovisual brasileiro viajando mais e então poder ter o alcance com o Canal Curta!

É importante para que mais pessoas conheçam nosso estado, sua natureza inigualável junto a ações sustentáveis e projetos inspiradores. 

A experiência de poder filmar na trilha de Ratones e Costa da Lagoa foi imensamente especial junto às crianças e todo aquele cenário natural, um local que poucos conhecem e que é de uma magnitude natural de tirar o fôlego. Acompanhar as crianças plantando na trilha, documentar estas ações junto à escola foi poder mostrar um pouco deste mundo mais isolado de quem vive na costa, e que ao mesmo tempo já convive com a natureza de uma forma diária  e intrínseca.

 


Como seu deu a parceria com a Plural Filmes?

Eu comecei a escrever o projeto em 2014 e no mesmo ano saiu um edital pelo Catarina Criativa, onde apresentei à Plural Filmes e a Marcia Paraiso ficou muito entusiasmada com o potencial do conteúdo.

Primeiramente era formatado para longa metragem e foi essencial a parceria em desenvolver o projeto junto à Plural se tornando então uma série documental.

Do desenvolvimento da série, fizemos reuniões com os canais de tv por assinatura até que o canal Curta! gostou do projeto e fomos afinando até de fato começarmos as filmagens em 2018.

A parceria foi bem sucedida, tive uma boa liberdade de criação (o que toda diretora deseja) e toda produção fluiu muito bem em termos de viabilidade. Foi uma grande experiência e oportunidade para eu dar o início em dirigir a minha primeira série documental e levar estas histórias e Permacultura para o mundo afora.

 

 

E qual é a sua expectativa para a mostra?

A minha expectativa é que estas histórias e temas toquem as pessoas de alguma forma, que elas se sintam tocadas e inspiradas pelas mesmas e que transmita esse sentimento  de que você pode ir e fazer por você mesmo, basta começar.

Que estas histórias inspirem outras a criarem suas próprias hortas, a conhecer e levantar agroflorestas, que sintam uma conexão com a natureza novamente e que as impulsione a sentir que tudo está interligado e que cada vez mais possamos sentir o fazer junto como um sentimento compartilhado por todos.

E que inspire sentimentos de amor, de compartilhamento e de esperança em tempos adversos e difíceis como estes que estamos vivendo. 


 

BATE-BOLA:

Uma mania - cheirar os grãos de café fresco nas manhãs. 

O que mais admira -  Ética e amor pelos animais e natureza.

O que não suporta - Desrespeito, antiética, misoginia, machismo, sexismo, ganância, destruição dos recursos naturais, exploração humana e animal. 

Um lugar - Portland Oregon 

Palavra - Amor

Saudade - Acordar cedo para assistir documentários e debatê-los, no mesmo dia, com um grupo lindo de mulheres.

Uma viagem - As florestas do Pacífico Noroeste dos EUA.

Uma bebida -  Café 

Um ídolo - Courtney Barnett 

Hobby -  Ver séries, viajar, surfar, acampar, shows de rock.

Felicidade para você é - Poder conhecer pessoas e histórias quando filmando, sentar na prancha em um mar liso e calmo esperando a onda e compartilhar meus melhores momentos com quem se ama, incluindo meus gatos.

 Um sonho -  Ir morar nas florestas do Pacifico Noroeste dos EUA.

*****

 

 


Sinopses por dia - início sempre as 20h30


Programa 1 - 5a feira - 90 minutos 


Somando Histórias

Tiago e Luciana trabalham com a bioconstrução no bioma do cerrado; Rafaelle leva a  experiência da permacultura para a pré-escola; Andréa regenera florestas e planta árvores com crianças; Aline e João se dedicam a projetos de agrofloresta na aldeia Guarani, território Morro dos Cavalos, e Dalva estimula o pensar na agricultura entre camponeses, enquanto Andrea Pesek transforma espaços urbanos - antes abandonados - em hortas. Histórias que se somam em um mundo em que se quer fazer a diferença e pensar junto novos caminhos.


Terra Ancestral

Antes de se falar em permacultura, agroecologia ou agricultura orgânica, os indígenas, povos tradicionais e ancestrais do território hoje brasileiro, já trabalhavam em comunhão com o meio. Na Tekoá Itaty, conhecida pelos não indígenas como Aldeia Cabeceira de Águas Limpas no Morro dos Cavalos, em Santa Catarina, os Guarani mantém a tradição de cuidar das águas, da terra e dos bichos, assim como sempre o fizeram, resistindo na forma de produzir e pensar o alimento.


Agricultura Orgânica

A agricultura sempre foi orgânica. Experiências de transformação do sistema tradicional com uso de veneno para o plantio de orgânicos junto a agricultores da região do Vale do Itajaí - Santa Catarina. 


Programa 2 - 6a feira - 90 minutos 


Bioconstruindo

A bioconstrução é um modelo construtivo que se utiliza de elementos naturais na construção civil.  Em pleno cerrado, o IPEC, instituto referência em Bioconstrução no Brasil, formando permacultores há mais de 20 anos, os mutirões possibilitam experiências de construção de casas nos moldes sustentáveis.


Plantando nas Escolas

No interior do Paraná, crianças da pré escola experimentam a permacultura e são estimuladas a sentir a floresta e o meio natural como parte integrante delas mesmas, compreendendo o ciclo do alimento a partir da observação e do convívio com as hortas.


Hortas Urbanas

Em 2014, o estado mais populoso do Brasil sentiu em seu principal centro urbano o colapso iminente, com a crise hídrica que cortou o banho, reduziu a lavagem de roupas e impactou no cotidiano e na cultura de vida do paulistano. Na contramão da crise hídrica, uma iniciativa de plantio de mudas e de proteção de nascentes revela uma cidade possível. Sim, existem horta e nascentes em SP.


Programa 3 - sábado - 120 minutos


Agrofloresta

Florianópolis, uma ilha cercada de mar, lagoas e Mata Atlântica, envoltas por uma cidade desigual e um trânsito que desafia projetos de mobilidade urbana. O sítio Çarakura proporciona às crianças de distintas escolas, especialmente das escolas públicas, a experiência de plantar árvores nativas, incentivando o pensar a agrofloresta e os espaços públicos e florestais.


Permacultores

Eles optaram pela permacultura como parte do existir. Vinicius trabalha em um mutirão de

recuperação de nascentes em SP, Alessandra instala fossas ecológicas e sustentáveis em

comunidades rurais de Minas Gerais; Cintia revoluciona a comunidade Chico Mendes com projeto de compostagem da Revolução dos Baldinhos; Karin regenera áreas degradadas pela agricultura tradicional pela agricultura sintrópica, multiplicando suas descobertas e conhecimentos no Epicentro Dalva.


Saneamento Ecológico

A fossa sustentável (BET), também chamada de fossa ecológica e sua implantação via sistema de mutirões envolvendo a comunidade, na zona rural de Extrema, Congonhas do Norte, veio transformar o modo de pensar e agir da localidade. Ao contrário de projetos com soluções ambientais, desenvolvidos e aplicados nos centros urbanos, a Ong Contraponto Educação possibilitou sua execução a partir de envolvimento das pessoas da comunidade rural.


Preservando Nascentes

A importância de se plantar árvores para se recuperar e manter nascentes - experiências de

recuperação de nascente no bairro do Butantã, em São Paulo. Em meio à sempre presente

ameaça da crise hídrica, iniciativas de cidadãos são um movimento que parece pequeno, mas que, somados ou isolados, são a transformação.


Programa 4 - domingo - 90 minutos


Cuidar da Terra

É sobre a experiência da chamada agricultura sintrópica como regeneradora de florestas e, ao mesmo tempo, produtora de alimentos, uma opção transformadora e enriquecedora para residentes do Sítio Epicentro Dalva, no interior de São Paulo.


Revolução dos Baldinhos

A compostagem de resíduos orgânicos feita na comunidade Chico Mendes - “revolução dos

baldinhos”- projeto premiado internacionalmente, impactou diretamente nas questões

relacionadas à melhoria da qualidade de vida da população e no aumento da auto estima dos moradores.


Sintropia na Floresta

Algumas técnicas e ferramentas possíveis da agricultura sintrópica e a agrofloresta a partir de um mergulho no Sítio Epicentro Dalva.

 

 

 


Ficha técnica da série:


Direção e roteiro - Leticia Marques

produção executiva - Marcia Paraiso - Helio Levcovtiz

direção de fotografia - Kike Kreuger

ass de câmera - Karim Rojas

som direto - Ju Baratieri

montagem - Nara Hailer

trilha sonora original - Constantina

edição de som e mixagem - Leandro Cordeiro

colorização - Kike Kreuger

coordenação de finalização - Yasser Socarrás

vinheta gráfica - Marcelo Butti

arte gráfica - Camila Baratieri

Tags:
social entretenimento Floripa Florianópolis gente festas eventos agenda
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Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

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