Setembro 05, 2019

O ativismo digital provoca crise na Assembleia

O ativismo digital provoca crise na Assembleia
RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA AL

Uma postagem nas redes sociais feita por Lucas Campos, lotado no gabinete do deputado Jessé Lopes (PSL), provocou a indignação do colega de bancada Sargento Lima (na foto, durante a sessão com Jessé) e se espalhou pelo plenário da Assembleia quando o assunto chegou à tribuna da casa, agitou a sessão no Legislativo nesta quarta (4) e serviu de catarse para aparar arestas de assuntos mal-resolvidos.

Em um print da manifestação via internet (reprodução abaixo), feita por Campos, Lima mostrou que a crítica apontava para um suposto acordo entre os “todos os deputados” com o governador Carlos Moisés da Silva estava em curso no parlamento, um acerto de “toma lá dá cá”, e que o “seu reinado estava ameaçado por uma única voz sincera e sem compromisso de poder com a ilicitude”, no caso, o deputado Jessé.

Ser colocado na vala comum não agradou a Lima, que afirmou não fazer parte de acordo algum nem com a ilicitude alegada e pediu providências à presidência da sessão, conduzida pelo vice-presidente da Assembleia, deputado Mauro De Nadal (MDB), que encaminhou a solicitação à procuradoria da casa, enquanto o isolamento de Jessé ficou evidente.

 

 

Tempo liberado

Com tempo liberado para que pudesse manter a sua denúncia, Lima teve aberto espaço pelo bloco PP, PSB e PV, mais o MDB e o PT.

O deputado pesselista recebeu apartes de apoio dos deputados Ana Caroline Campagnolo, Ricardo Alba e Felipe Estevão, todos do PSL, Laércio Schuster (PSB), Fernando Krelling (MDB), João Amin (PP) e Fabiano da Luz (PT), em uma repercussão imediata poucas vezes vista no plenário em meio a um clima de revolta.

 

O contraponto

O deputado Jessé Lopes, bastante ativo nas redes sociais e que tem disparado pesada bateria contra o governador Moisés, manifestou-se em dois momentos diferentes sobre o assunto.

Disse que Lucas Campos é seu assessor, não seu filho, e que ele tem vida intensa nas redes sociais e pediu desculpas a quem se sentiu ofendido, sendo que, mais tarde, declarou que o máximo que poderia fazer era pedir uma retratação ao comandado, além de reagir ao que já havia derivado para outras cobranças dos demais parlamentares sobre divulgações na internet.

 

TARCÍSIO POGLIA/DIVULGAÇÃO

 

O alvo

Eram os posts em que Jessé Lopes compara a economia que faz em seu mandato e gabinete confrontado com listas dos gastos dos demais integrantes da Assembleia.

O assunto estava entalado na garganta de muitos, com a mira igualmente apontada ao também deputado Bruno Souza (sem partido), que se manifestou, discretamente, em apoio a Jessé.

 

E as fake News

João Amin e outros parlamentares lembraram das notícias falsas, fake News, que são disseminadas nas redes sociais, sem citar autoria.

Amin falava de um projeto falso que levava seu nome, com a suposta liberação para que deputados pudessem praticar esportes fora do Estado e do país, com acompanhante, e do qual até hoje busca a reparação do ano junto são Judiciário.

 

Nem ela

Alinhada a Jessé Lopes nas cobranças ao Executivo, coube à deputada Ana Carolina Campagnolo (PSL) fazer um dos mais enfáticos depoimentos sobre o fato rumoroso nas redes sociais.

Disse que estava indignada com o post e não possui acordo nenhum com Moisés, só se for o dele “não atender o que eu peço”.

 

Corrigido

O Ministério Público corrige a informação da coluna de que a compra do helicóptero por R$ 8,2 milhões seja fruto de um Termo de Ajustamento de Conduta a partir de multas ambientais.

O correto é afirmar que se trata do resultado de um acordo judicial.

 

Não terminou

Sobre o acordo, o promotor de Justiça Isaac Newton Belota Sabbá Guimarães instaurou na tarde de quarta (4) um procedimento investigatório para apurar se o valor do helicóptero, com todas as suas peculiaridades, corresponde ao valor de mercado.

Sabbá Guimarães reiterou a lisura do que foi definido pelo Judiciário, mas já requisitou informações ao Comando Geral da Polícia Militar e à empresa Helisul, e também ouvirá os responsáveis pela aquisição do aparelho.  

 

REPRODUÇÃO/INTERNET

O CADERNO DE MOISÉS

Uma ferramenta digital apresentada pelo governador Carlos Moisés da Silva à bancada federal catarinense pretende servir de referência para a elaboração de emendas pelos parlamentares no Congresso. Ao lado do coordenador do Fórum Parlamentar, o deputado federal Rogério Peninha Mendonça (MDB), Moisés reforçou que, com dinheiro público cada vez mais escasso, é fundamental que os deputados e senadores conheçam o que o governo do Estado executa em obras. Ao pregar a união de forças, o governador lembrou que o caderno ajudará na stransferências voluntárias, que ingressaram, em 2018, em 58% dos valores por emendas parlamentares.Os integrantes do Fórum, quase todos presentes ao encontro, aplaudiram a ideia, tendo sido representados por Peninha e pelo senador Joreginho Mello (PL) na coletiva, que frisaram a importância do caderno por esclarecer as prioridades do Estado.

 

No forno

Projeto Rescaldo, que recupera os incentivos fiscais dos setores que ficaram fora da nova política de concessões do governo do Estado, está prestes a chegar à Assembleia.

A informnação é a de que chega no Palácio Barriga Verde na semana que vem.

 

DIVULGAÇÃO

EM BUSCA DE INVESTIMENTOS

A visita do prefeito Clésio Salvaro (PSDB) ao empresário Clóvis Tramontina (foto), da gigante do setor da metalurgia que leva o nome da família, em Carlos Barbosa (RS), foi uma das muitas realizadas durante a semana. Salvaro quer atrair novas empresas para o município e também tem visitado grandes empresas catarinenses. O prefeito leva na bagagem os resultados positivos do Caged que mostraram a criação de 1.080 postos de trabalhos, em 2018, e outros 1.851, este ano, até o momento, além de impressionar com os investimentos em escolas públicas com aulas de robótica.

 

* CCJ do Senado aprovou o relatório de Tasso Jereissat (PSDB-CE) da Reforma da Previdência e agora começa a contar o prazo para a matéria seguir a plenário.

 

* Para ter todos os diretórios municipais em dia nas eleições do ano que vem, o presidente estadual do PSDB, Marco Tebaldi, já enviou a documentação para autorizar convenções extraordinárias, de 21 de setembro a 6 de outubro.

 

A Câmara dos deputados aprovou uma "brecha" para aumentar o Fundo Eleitoral, um escândalo que provocou a reação dos deputados Rodruigo Coelho (PSB) e da bancada do MDB, com os deputados Celso Maldaner (presidente estadual), Carlos Chiodini e Rogério Peninha Mendonça.

 

* Os recursos virão, em parte, de 30% das emendas de bancada, ou seja, mexerá naquela verba abençoada que é repassada aos municípios.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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