Fevereiro 15, 2020

O cinema coreano faz história no Oscar

O cinema coreano faz história no Oscar

Eis que ao final de uma cerimônia chatíssima e careta (deu saudades do Rick Gervais apresentando o Globo de Ouro), a edição 92ª do Oscar tinha uma surpresa guardada: pela primeira vez um filme internacional ganhou o prêmio principal. A proeza coube ao diretor sul-coreano Bong-Joon Ho e seu Parasita, vencedor também de Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Direção. Não é pouca coisa, não.

Nem o próprio Bong-Joon conseguia acreditar e cada vez que subia ao palco dizia que " agora já podia relaxar e tomar um drink". Depois de levar 4 estatuetas (também a de Melhor Roteiro Original) deve ter entrado em coma alcoólico... hahahaha.

Bem, piadinhas à parte, foi pena ele não ter aproveitado o espaço de fala como fez no Globo de Ouro onde discursou que "se os americanos aprendessem a gostar de ler legenda teriam uma infinidade de filmes maravilhosos para assistir". Desta vez, meio deslumbrado com razão, ele esqueceu o tom político. Aliás, 95% dos vencedores agradeceram a mãe, o pai...e perderam a chance de fazer como Joaquin Phoenix, Oscar de Melhor Ator, que tocou o dedo na ferida dos males do planeta.

No mais, os resultados foram previsíveis: Brad Pitt (melhor coadjuvante), Laura Dern(melhor coadjuvante), Reneé Zelwegger (melhor atriz). Na categoria Melhor Documentário também deu o favorito American Factory, da produtora do casal Obama. Mesmo assim o Brasil esteve presente nas imagens  para o mundo todo com Democracia em Vertigem, da Petra Costa.

Por falar no Brasil, é bom que se diga que o cinema coreano –que tanto sucesso faz no mundo- tem financiamento público desde a preparação, execução e distribuição. Um ótimo tema para a nova Secretária de Cultura, Regina Duarte.

Bom, vamos ao que interessa: em homenagem ao cinema coreano, Cine& Séries Especial vai republicar a edição de 05 de março/2019, cujo título perguntava: E o cinema sul-coreano, hein?. A resposta definitiva veio ontem, na voz de Jane Fonda ao anunciar o grande vencedor da noite.

Joh-eun dogseo! Boa leitura!

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OLDBOY - direção: Park Chan-Wook- (drama/suspense- 2005)

Coloco este filme entre um dos mais surpreendentes que vi nos últimos 10 anos. Não é para todos os gostos, tanto que chocou júri e público quando estreou no Festival de Cannes em 2003. Há cenas fortíssimas e também de humor "seco" (nova expressão para humor negro). Mas em tempos de "já vi esse filme antes", ou seja, histórias cada vez mais previsíveis, Oldboy é uma aula de originalidade e provocação. O desfecho totalmente amoral não se repete no remake americano de 2013. Faltou coragem para Spike Lee, quem diria? Aliás, pra que refilmar, né?  No Brasil, a versão com Josh Brolin na papel principal recebeu o subtítulo de "Dias de Vingança".

Sinopse: Oh Dae-su é um homem comum, bem casado e pai de uma garota de 3 anos, que é levado a uma delegacia por estar alcoolizado. Ao sair ele liga para casa de uma cabine telefônica, para logo em seguida desaparecer, deixando como pista apenas o presente de aniversário que havia comprado para a filha. Pouco depois ele percebe estar em uma estranha prisão, onde há apenas uma TV ligada, no qual ele recebe pouca comida e respira um gás que o faz dormir diariamente. Através do noticiário da TV ele descobre que é o principal suspeito do assassinato brutal de sua esposa e sem ter outra opção, ele passa a se adaptar à escuridão de seu quarto e a preparar seu corpo e sua mente para sobreviver à pena que está sendo obrigado a cumprir sem saber a causa. (Disponível na Netflix)

 

A INVASÃO ZUMBI – direção: Yeon Sang-ho (terror - 2016)

O título em português não me incentiva a ver esse filme, mas segundo a crítica ele é bastante original num assunto super batido como "zumbis". Pai e filha estão viajando de trem quando a Coreia sofre uma "epidemia de zumbis". Claro, que um se instala no trem e, a partir daí, é salve-se quem puder. Uns pensam no coletivo, outros só em si mesmo. Pra quem curte adrenalina nas telas, um prato cheio.

 

A CRIADA – direção: Park Chan-Wook (drama erótico- 2017)

Do mesmo diretor de Oldboy, a história se passa na Coreia do Sul, nos anos 1930. Durante a ocupação japonesa, uma jovem é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Na verdade, a empregada e um vigarista planejam desposar a herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório. Mas as coisas saem bem diferente do previsto. Para não cometer spoiler, digo apenas que as cenas de sexo são bem, bem explícitas... ( Disponível no Now/Net)

 

EU VI O DIABO – direção: Jee-Woon Kim ( suspense- 2010)

Há quem considere este filme melhor que Oldboy, mas ainda não tive "coragem" para conferir. Os dados da sinopse de "Adoro Cinema":existe um psicopata sanguinário à solta na Coreia do Sul que mata qualquer pessoa para obter carne humana, sem piedade por mulheres grávidas ou bebês recém-nascidos. A polícia tenta capturá-lo há décadas, sem sucesso. Quando a noiva de Soo-hyun, um agente secreto, é assassinada por este homem, o agente decide procurar sozinho pelo responsável. O encontro entre os dois homens ocorre rapidamente, mas  o agente decide que a morte não é suficiente: será preciso torturá-lo, muitas vezes, para que o outro aprenda todo o mal que causou. Além de ser impróprio para menores de 18 anos, na Coreia, o filme precisou ser reeditado para ter liberação de ser exibido em salas comuns de cinema.  Pelo que tudo indica, precisa nervos e estômago fortes.

 

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FILMES DO DIRETOR KIM KI-DUK

 

Primavera, verão, outono, inverno, primavera – 2003

Kim Ki-Duk traça um paralelo entre as estações do ano e o ciclo da vida, na convivência de um monge e seu discípulo. Um história que podemos chamar de zen, com seu ritmo calmo como convém à trama e lindas imagens.

 

Casa vazia – 2004

Um jovem vagabundo invade a casa de estranhos e mora nelas enquanto os donos estão fora. Para pagar a estadia ele realiza pequenos consertos ou faz limpeza na casa. Ele costuma ficar um ou dois dias em cada lugar, trocando de casa constantemente. Até que um dia encontra uma bela mulher em uma mansão, que assim como ele também está tentando escapar da vida que leva. (Adoro Cinema)

 

O Arco – 2005

Um velho pescador cria uma menina no barco para casar com ela quando fizer 17 anos. O arco simboliza o masculino e o feminino, ao mesmo tempo é um instrumento musical, arma e ferramenta de arte divinatória, também conduz as tensões e distensões que definem o ritmo ao longo de todo o filme. Alguns críticos torcem o nariz para o filme, considerando que o diretor faz muitas concessões para agradar o público ocidental.

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FORA DE SÉRIE

Há várias séries na Netflix para quem quer conhecer a produção sul-coreana para a TV. Escolhi uma representante, mas há vários gêneros disponíveis em streaming.

Kingdom – direção: Kim Seong-hun06 episódios

Para fãs de histórias épicas e dramas da nobreza, mas a série traz também ...zumbis. A trama: Lee Chang é um jovem príncipe coreano do século 15. Filho bastardo de um rei à beira da morte por conta de uma doença misteriosa, Chang precisa lidar com as maquinações dos nobres e da rainha inescrupulosa, que almejam tirar-lhe o direito ao trono, conspirando para acusá-lo de traição. A produção é visualmente fantástica.

A primeira temporada está disponível e a segunda vem chegando... Vai encarar ?

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UHUU! LEVEI O OSCAR TAMBÉM!

(*) Fotos reprodução/divulgação

THE END

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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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