Abril 17, 2018

O Cinema em alta velocidade

Velozes mas não furiosos

O cinema já produziu ótimos filmes sobre uma paixão, principalmente, do público masculino: a velocidade nas pistas. Atualmente, os filmes sobre o assunto focam mais em alucinados motoristas que – além de correr - dão muita porrada. Contar uma boa história tornou-se secundário. É assim com a franquia de "Velozes e Furiosos" que já chegou ao seu oitavo mega sucesso. Muita correria, roteiro fraco. Mas, tem películas que juntam as duas coisas: velocidade e qualidade cinematográfica.

Separei alguns, mas a lista segue aberta para o que vocês quiserem acrescentar, claro. Vruuuummm...

cineseries@portalmakingof.com.br

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A corrida do século ( direção:  Blake Edwars -1965)

Blake Edward nos deu belas comédias, como "Victor ou Vitoria", "A Pantera Cor-de-Rosa", "Um convidado bem trapalhão" ( que já revi 100 vezes e continuo rindo muito...).  "A Corrida do século" mostra um grupo de pessoas participando de uma corrida em seus carros excêntricos, de Nova York a Paris. Elenco ótimo: Jack Lemmon, Tony Curtis, Natalie Wood, entre outros.

 

GRAND PRIX (direção : John Frankenheimer – 1966)

Ao se recusar a filmar os carros em baixa velocidade para depois acelerar na edição, Frankenheimer se tornou "o" diretor de cenas de corridas. Ele usou todas as câmeras Panavision que existiam na época e o resultado transformou "Grand Prix" num dos melhores filmes de automobilismo. A história:no Grande Prêmio de Mônaco o piloto americano, Aron,  vivido por James Gardner, dirige um Jordan-BRM e ao ter problemas na caixa de marcha faz seu carro mergulhar no mar. Quem sai seriamente ferido é o piloto inglês, seu companheiro de equipe. Aron é demitido e contratado pela equipe japonesa Yamura. Aron acaba  se envolvendo com a mulher do inglês . Já o piloto francês ,vivido por Yves Montand, e o piloto italiano também se envolvem com belas mulheres. Grandes cenas nas pistas. Filmaço!

 

500 Milhas ( direção: James Goldstone – 1969)

Paul Maravilhoso Newman é Frank Capua, um piloto obcecado para vencer as 500 milhas de Indianápolis. Sacrifica até a vida pessoal e sua mulher acaba encontrando consolo nos braços do grande amigo e rival dele. A disputa passa a ser dupla. Newman contracena com sua mulher , a grande atriz Joanne Woodward , com quem foi casado por 50 anos. Ele acaba se apaixonando pelo esporte. Chegou a ter uma escuderia ao longo da vida. Outro filmaço.

 

As 24 horas de Le Mans ( direção:  John Sturges – 1971)

Outro apaixonado por carros de corrida na vida real, Steve McQueen, produziu esse filme que está centrado no automobilismo e não nas histórias amorosas dos pilotos.McQueen era ícone das cenas de perseguição de carro , como "Bullit" e "Crown, o magnífico". Aqui, ele vive um piloto americano que retorna a Le Mans, na França, determinado a vencer mesmo tendo quase morrido na prova anterior.

 

Corrida sem fim ( direção:   Monte Helmann  - 1971)

Sinopse oficial: Dois homens, conhecidos apenas como Piloto e Mecânico, dedicados exclusivamente ao seu Chevy 55, apostam com um estranho desconhecido uma corrida até Washington, outro lado do país. Durante a viagem a estrada e as experiências vão alterando os rumos dos competidores.

Ah, tem também a Garota, que surge na primeira cena ao som de "Hit Road, Jack". Uma curiosidade: o cantor e compositor James Taylor é o intérprete do Piloto. Um road movie sem firulas ou excessos, bacana de se ver.

 

Corrida contra o destino ( direção: Richard C. Sarafian - 1971)

Não é automobilismo de pista. É na estrada que as coisas se desenvolvem. Tem corrida, ação e crise existencial. Acaba sendo uma bela metáfora das nossas inquietações e busca sem fim. Lembro que me impactou, mas há muito não revejo, não sei se não "envelheceu" com o tempo.

Um cara recebe a missão de levar um Dodge Challenger 1970 de Denver, Colorado, até São Francisco, na Califórnia. Ele aposta com um amigo que fará isso  em menos de 15 horas. Viajando em alta velocidade, a polícia passa a persegui-lo, mas passa a ser auxiliado por Super Soul , um radialista cego que acompanha a comunicação entre os policiais.

Há um remake de 1997, com Viggo Mortensen, mas quem acompanha a coluna sabe o que eu penso sobre refazer um filme quando ele já é bom no original.

 

Dias de Trovão ( direção:  - 1990)

Ok, não é exatamente um filmaço, mas não dá pra deixar esse sucesso do Tom Cruise de fora. Ele e o diretor Tony Scott já tinham trabalhado juntos em " Top Gun", que lançou Cruise ao primeiro andar dos astros de Hollywood. Aqui, ele interpreta um piloto iniciando na Stock Car tendo que enfrentar um badalado piloto veterano . Quem entra na história para ajudar é o grande ator, Robert Duvall. Cruise divide a tela com a sua amada na época, Nicole Kidman.

 

Outros:

"Jack Stewart, o fim de semana de um campeão ( do Polanski!) , "Corrida Maluca", "Se meu fusca falasse", "Life on the limit-doc" , "Nascido para correr", "Quem não corre, voa", " 60 segundos"...

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O LIVRO QUE VIROU FILME

CORRIDA PARA A GLÓRIA (RUSH) – TOM RUBYTHON

O ano de 1976 sempre será lembrado pelos amantes da Fórmula 1 como um dos mais emocionantes da história do esporte. Dois pilotos dividiram os holofotes — o inglês James Hunt e o austríaco Niki Lauda —, e a liderança do campeonato foi disputada ponto a ponto. Quando a temporada de 1975 terminou, Hunt estava fora da Fórmula 1, seu contrato com a Hesketh Racing chegara ao fim e não havia perspectiva de um novo acordo. Porém, sua sorte mudou quando Emerson Fittipaldi rescindiu o contrato com a McLaren, e a escuderia passou a buscar desesperadamente um novo piloto. Mulherengo e bonitão, Hunt tinha a personalidade completamente oposta à do campeão Niki Lauda, que seria seu maior rival. Determinado, Lauda, um apaixonado por automobilismo desde a infância, contrariou os desejos de sua família e entrou de cabeça no esporte. Piloto da Ferrari desde 1974, havia sido campeão da temporada de 1975, e era apontado como favorito ao título do ano seguinte. O campeonato de 1976 teve dezesseis corridas, que estiveram entre as mais épicas da história da Fórmula 1 - o campeão só ficou conhecido no último Grande Prêmio, nas pistas molhadas do Japão. Fama, dinheiro, mulheres e sexo. Acidentes, falhas mecânicas e humanas. Naquele ano, dentro e fora das pistas, a vida dos dois protagonistas dessa disputa correria em alta velocidade. Corrida para a glória é uma grande reportagem sobre a vida contrastante desses dois corredores: James Hunt, lendário conquistador e estrela dentro e fora das pistas, e o extraordinário Niki Lauda, que sobreviveu a um dos mais graves acidentes da história do automobilismo. (Resenha oficial).

 

O FILME : RUSH – NO LIMITE DA EMOÇÃO ( direção: Ron Howard- 2013)

O filme não conta tudo sobre a vida pessoal dos dois pilotos como o livro, principalmente os rumorosos rompimentos de Hunt e Lauda com suas respectivas mulheres, mas mesmo assim dedica a primeira metade a nos fazer conhecer os homens por trás do macacão. Lá está também o grave acidente de carro de Niki Lauda, cujas queimaduras e cicatrizes afetaram a visão dele na chuva durante a corrida decisiva no Japão.  As cenas nas pistas são ótimas, sem muita apelação para efeitos especiais. Quem acompanha o esporte sabe como acaba, mas mesmo assim, é emocionante. Palmas para os dois atores, principalmente para Daniel Bhrul, que interpreta Niki Lauda. Enfim, foi o melhor filme recente sobre o tema que vi.

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É COISA NOSSA

Senna- O brasileiro. O herói. O campeão (direção: Asif Kapadia – 2010)


Nada mais nosso que aquele homem que enchia nossas manhãs de domingo de alegria. Claro, estou falando de Ayrton Senna. O documentário mostra a trajetória do maior ídolo brasileiro da F-1 e um dos melhores pilotos da história.

O documentário é uma coprodução de Brasil, França, Estados Unidos e Reino Unido e mostra Senna, desde o início da carreira, sempre de forma favorável. O resultado final não agradou Alain Prost, o maior rival de Senna nas pistas, pois o francês considerou que não mostraram todos os lados do brasileiro, nem as mudanças que ocorreram com ele à medida que foi se tornando tricampeão e uma lenda do automobilismo.

Mas, para quem sente falta daquelas manhãs de orgulho nacional, vale para matar as saudades do ídolo. Há depoimentos de outros grandes pilotos como Michael Schumacher, Nigel Mansel, Nelson Piquet e, claro, Alain Prost.

Nota: há um musical sobre Senna chegando aos cinemas no dia 1º de maio, quando se completa 24 anos da morte trágica do brasileiro, em um acidente na prova de Ímola, Itália.

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EM CARTAZ

Sessões gratuitas  de bons filmes em Florianópolis. Aproveite !

 

Mostra de Cinema Russo

Dias: 17, 24 e 25/ abril – 20h – CIC - Centro Integrado de Cultura

17/04 -Um homem de boulevard des capucines  (comédia)

24/04 – O fascismo de todos os dias  (documentário)

25/04 -  Sonhos ( fantasia )

*Realização MIS-Museu de Imagem e Som/FCC SC e CPC-Umes

 

Cineclube Unisul – Cinema do Cic-Centro Integrado de Cultura

Dia 19, 20, 21 e 22 de abril - 20h

El Mate

Drama brasileiro com direção de Bruno Kott

Sinopse: Armando é um assassino de aluguel e mantém um russo como refém em casa. Quando o evangélico Fábio bate à porta trazendo a palavra de Deus, dois seres de mundos diferentes se unem de forma inusitada.

 

Cineclube Infantil

Cinema do CIC- Centro Integrado de Cultura

21/04/2018 – 16 h

Lotte e o segredo da pedra da lua animação -75min

Sinopse: Uma noite, dois estranhos entram rastejando em Gadgetville, em busca de uma mala pertencente a Klaus, o velho cão viajante, e são surpreendidos por Lotte, uma jovem cachorrinha. Aí começa uma grande aventura em busca das misteriosas pedras da Lua.

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HASTA LA VISTA, BABY !

Frases de Cinema

"Há uma mentira que os pilotos contam pra si mesmos: a morte é algo que acontece com os outros.

É assim que você arruma coragem para entrar no carro. Mas mais poderoso que o próprio medo é a vontade de vencer."

 

(Rush- No limite da emoção)

 

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MENS@GEM PARA VOCÊ

Sobre a edição anterior " O cinema e a memória dos anos de chumbo):

Parabéns, Portal, parabéns Brigida! Há temas que nos cortam o coração e que por isso escolhemos ignorar ou esquecer. Mas os temas que mostram o perigo da dualidade, intolerância e indiferença ao sofrimento alheio não devem ser colocados para baixo do tapete. Como sempre a arte do cinema é incessante para nos lembrar de que é perigoso esquecer. Como sempre, a Brigida escolheu nos lembrar de filmes fortes, corajosos e sempre com informações preciosas sobre os mesmos. ( Neuza Vollet)

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Assunto oportuno, filmes que mostram sem falsas ilusões ou romantismo como foi duro aquele tempo no Brasil. ( Biaguiar)

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Agora é só esperar uma carona. Fui.

THE END

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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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