Março 14, 2020

O cinema vai à ópera

O cinema vai à ópera
Madonna em Evita

Ação, intriga, assassinatos, tortura... Um filme de Quentin Tarantino? Não, uma ópera. Esta semana vocês vão me permitir um tema que não é unanimidade, mas -assim como eu- tem leitor que aprecia. Numa madrugada dessas vi um programa no canal Arte1 sobre a ópera Tosca, de Giacomo Puccini. O apresentador e maestro conversava com uma plateia  jovem e explicava porque Tosca é tão importante, enquanto ia mostrando trechos da apresentação. Não é um monte de gente apenas cantando (ou gritando, como reclamam alguns), há uma história sendo contada, um drama sempre intenso. No caso, esta ópera de Puccini é focada em três personagens principais: o pintor Caravadossi e Tosca estão apaixonados, porém ele é simpatizante de Napoleão e por isso perseguido por Scarpia, que é obcecado por Tosca, uma cantora de ópera. Está pronta a tragédia! Não sou nem de longe uma expert no assunto, apenas gosto do canto lírico e algumas árias realmente me comovem.

Para quem deseja assistir a um espetáculo operístico e não tem como fazê-lo ao vivo, algumas salas de cinema apresentam sessões de "Ópera na tela". Tive a chance de ver Carmen, de Bizet, em 3D,  e me senti em uma taberna de Sevilha. Linda!

Bem, não se assustem, selecionei filmes que apenas têm a ópera como pano de fundo, alguns bem populares. Espero que gostem e, se tiverem curiosidade, busquem saber mais sobre o bel canto.

Boa leitura, bons filmes, boa ópera... La donna è mobile qual piuma al vento,  multa d'accento di pensiero...lálalá..lalalá....

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UMA NOITE NA ÓPERA – direção: Sam Wood - (1935)

Os impagáveis Irmãos Marx transformaram esta numa das comédias mais famosas da história. Oitenta e cinco anos depois ela ainda diverte!

A trama: um esperto agente de negócios e dois amigos malucos tentam ajudar dois cantores de ópera a alcançar o sucesso. Eles não são bem aceitos como tenores, e os três irmãos Marx vão tentar eliminar o concorrente através de muitas palhaçadas e brincadeiras, bem típicas do grupo.

 

CARMEN – direção: Carlos Saura ( 1983)

A mais popular das óperas, composta por Bizet, se baseia no romance de Prosper Merimee, virou balé e foi parar no cinema pelas mãos do diretor espanhol Carlos Saura. Na tela a história se desenvolve  durante os ensaios do balé, tendo como pano de fundo a Espanha dos anos 80, cheia de emoções e conflitos sociais. A jovem dançarina Carmen disputa o papel principal. Durante os ensaios, o coreógrafo se apaixona por ela e começa a agir de forma obcecada, como seu personagem. Os acontecimentos da peça, com amor, ciúme, ódio e tragédia, vão se transformando  em realidade nas vidas dos artistas. O coreógrafo é vivido por Antonio Gades que, digamos assim, é a Ferrari dos bailarinos de flamenco...hahaha. ( no vídeo, Gades e Laura Del Sol dançam Habanera)

Obs:uma das coisas pelas quais valeu a pena estar neste planeta foi eu ter tido a chance de ver Antonio Gades dançar Carmen ao vivo no teatro.

 

ADEUS, MINHA CONCUBINA – direção: Chen Kaige ( 1993)

Ganhador da Palma de Ouro, em Cannes, e do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, este é um dos maiores sucessos do cinema chinês.

Sinopse: Dois homens se unem pelo destino e pela arte, trabalhando para a tradicional Ópera de Pequim. Assim Cheng e Duan se tornaram atores famosos representando a cortesã e o Rei na famosa Ópera 'Adeus Minha Concubina'. Mas, no auge da fama, Duan se apaixona por Juxian , a prostituta mais desejada de Pequim. Pressionado pelo amor e pelo ciúme de seu companheiro de palco, Cheng passa a ter comportamento muito estranho. E, entre brigas e reconciliações, o diretor faz um apanhado da recente história da China, mostrando os resquícios do Império, a ocupação japonesa e a Revolução Cultural com as violentas transformações históricas do Século 20. Indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro.

 

FARINELLI – direção: Gérard Corbiau ( 1994)

Lembro do impacto que me causou quando assisti o filme pela primeira vez e descobri a história dos castrati! Farinelli é o nome artístico de Carlo Broschi, um jovem cantor do Século 18. Para preservar sua voz, ele foi castrado na infância, um método usual na tradição barroca italiana, para que os homens pudessem tem o mesmo alcance vocal feminino. Carlo, juntamente com o irmão e compositor Riccardo cumprem o sonho de seu falecido pai de não se separarem. Só que a partir do momento em que o grande compositor George Friederich Haendel lhes faz ver que a voz de Carlo merece muito mais que a música medíocre de Riccardo as coisas mudam.

 

EVITA – direção: Alan Parker ( 1996)

Às vezes esqueço o quanto gosto dos filmes do diretor Alan Parker, um deles Evita, a versão cinematográfica da famosa ópera rock da Broadway. Outros são: The Commitments-Loucos pela Fama; O Coração Satânico; O expresso da Meia Noite; Fama; Mississipi em Chamas... Mas nosso assunto é ópera, então vamos falar do filme que revoltou peronistas na Argentina por consideraram uma versão indigna de sua quase santa, Evita, mulher do presidente Juan Domingos Perón. Rejeitaram inclusive a escolhida para o papel: Madonna ( para mim na melhor interpretação de sua carreira como atriz)! Mas o filme é empolgante, com Antonio Banderas no papel de Che Guevara ( liberdade do autor de misturar personagens) e Jonathan Price, como Perón ( ele acaba de fazer o Papa Francisco em Dois Papas, o que rendeu algumas piadas sobre um inglês fazendo papéis de argentinos). A trilha sonora é ótima, quase toda ela do original da peça de enorme sucesso, inclusive a mega famosa "Don`t cry for me, Argentina". A história de Evita foi contada várias vezes no cinema.

 

CALLAS FOREVER – direção: Franco Zefirelli (2002)

Uma frustração que carrego na vida? Não ter tido a oportunidade de ouvir e ver Maria Callas se apresentando ao vivo! Além da voz, a personalidade da soprano - que foi apaixonada pelo armador grego Aristóteles Onassis e trocada por Jaqueline Kennedy- foi matéria prima para vários filmes. Este é um recorte já do ocaso da grande diva. A trama: Aos 53 anos Maria Callas vive reclusa em seu apartamento, em nada lembrando a grande cantora que encantou público e crítica no passado. Após grande insistência, seu amigo Larry Kelly consegue vê-la. Achando-a muito abatida, Larry faz a Callas um convite inusitado: que seja a estrela de um especial para a TV, interpretando uma de suas famosas peças. Por causa do desgaste de sua voz atual Larry quer que Callas seja dublada no especial, o que faz com a cantora revisite sua carreira em busca do trabalho ideal para seu retorno.

A linda francesa Fanny Ardant vive Callas ao lado de Jeremy Irons, no papel do amigo Larry Kelly.

 

O FANTASMA DA ÓPERA -  direção: Joel Schumacher (2004)

Talvez o filme mais famoso e versionado para o cinema da nossa lista! Escolhi a última, mas todo mundo já deve conhecer a história de um gênio musical, Erik ,que vive nos porões da Companhia de Ópera de Paris, no século 19. Solitário, possui o rosto desfigurado. Por isso, usa uma máscara pra proteger sua identidade. Para que tenha suas vontades atendidas, o fantasma ameaça lançar um castigo sobre os membros da companhia caso desobedeçam suas imposições. O fantasma apaixona-se pela jovem Christine, que substitui a antiga soprano Carlotta , após um chilique. Encantado, ele empenha-se em transformar Christine na maior estrela da companhia. Ao mesmo tempo em que a ajuda sendo seu professor, exerce um estranho controle sobre a mente da jovem. O dilema de Christine aumenta quando reencontra Raoul , um amigo de infância com o qual inicia um romance. Gerard Butler, que depois ficou mais famoso com 300 e outros filmes de ação é o "fantasma" nesta versão.

 

APENAS UMA CHANCE – direção: David Frankel ( 2014)

Baseado na história real de Paul Potts , um tímido vendedor que surpreendeu o Reino Unido ao interpretar impecavelmente uma ária de ópera no programa Britain's Got Talent. Ser cantor de ópera sempre foi o sonho dele. Parecia impossível, mas o vídeo de sua primeira apresentação somou milhões de visualizações no Youtube e o cantor tornou-se uma estrela do dia para a noite. Aquele tipo de filme simpático que dá pra rir e chorar.

 

MARIA CALLAS EM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS-direção:Tom Wolf (2017)

Olha a grande diva aí de novo, só que neste documentário é Callas por Callas ! A vida e a carreira da grande soprano são reconstituídas através de entrevistas, imagens raras de arquivo, filmagens pessoais e cartas íntimas. Maria nasceu na cidade de Nova York em 1923, numa família de imigrantes gregos. Incentivada pela mãe a desenvolver dotes artísticos desde cedo, teve aulas de canto lírico com Elvira Hidalgo no Conservatório de Atenas e não tardou a ser reconhecida internacionalmente como a melhor cantora de ópera de todos os tempos. (Trailer na abertura)

 

BÔNUS

Embora não sendo um musical nem um filme sobre ópera, não resisti a postar aqui uma das cenas mais simpáticas de Uma linda mulher, justamente quando a prostituta interpretada por Julia Roberts vai a um espetáculo lírico pela primeira vez. Ela se emociona diante da beleza da ária de La Traviata, não por acaso sobre uma cortesã.

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ÓPERA NA TELA

Para quem ficou curioso sobre uma montagem operística, o cine Paradigma (SC-401, Florianópolis) vai exibir no dia 15 de março, domingo, às 10h30, A viúva alegre, opereta em três atos de Franz Léhar. Depois haverá mais quatros exibições sempre aos domingos.

A história :
Hanna Glawari acaba de se tornar viúva e ameaça retirar sua fortuna do Banco Pontevedro, a instituição financeira que pertencia ao seu marido. Para evitar que isso aconteça é preciso a todo custo encontrar um novo esposo que a convença a deixar o dinheiro ali. Contudo, o candidato mais provável, Danilo, é um funcionário dado a bebedeiras e com uma queda pela vida boêmia. Esta apresentação aconteceu no Teatro da Ópera de Roma.

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FORA DA PAUTA

Uma palavrinha sobre a morte de Max Von Sydow, o ator franco-sueco que morreu no último dia 08, aos 90 anos. Nas notas sobre o falecimento, seu trabalho mais mencionado foi em O exorcista. Mas, ele foi o grande intérprete de um dos maiores cineastas da história, o sueco Ingmar Bergman. Como os filmes de Bergman povoaram minha juventude, tenho uma grande admiração por Max Von Sydow. É sempre como se fosse embora um amigo, alguém que fez parte da minha vida.

Ele atuou em diversos países e em várias línguas, incluindo sueco, norueguês, dinamarquês, alemão, inglês, francês, italiano e espanhol. Seu papel mais conhecido nos filmes do Bergman foi o homem que dribla a Morte em O sétimo selo. Quem não viu, não sabe o que está perdendo.

Descanse em paz, Max, obrigada.

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THE END

(*) Fotos reprodução/divulgação

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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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