Março 11, 2019

O Custo Brasil

O Custo Brasil
Selo divulgação

O maior evento de debate econômico, político e social de Santa Catarina acontece dia 14 de março, em Florianópolis. O 4º Fórum Liberdade e Democracia vai trazer personalidades como Zeina Latif e Gustavo Franco para discutir o “Custo Brasil”, não apenas sob o prisma da economia, mas seus impactos no desenvolvimento humano, saúde, educação, trabalho e aspectos da vida cotidiana da sociedade.

O evento será realizado nessa quinta-feira (14), das 13h30 às 19h30, na Associação Catarinense de Medicina (ACM), na Capital. No ano passado, o Fórum reuniu cerca de 800 pessoas na plateia em torno das debates, entrevistas, palestras e painéis. Para esta edição, a expectativa é um público em torno de mil pessoas.

 

Nesta entrevista, o presidente do Instituto de Formação de Líderes de Santa Catarina (IFL-SC), organizador do evento, Pedro Fernandes, adianta um pouco do que será o 4º Fórum Liberdade e Democracia.

 

Como foi a escolha do tema "Custo Brasil" para o Fórum deste ano?

O tema do Fórum é sempre objeto de muitas discussões na diretoria do IFL-SC. Começamos a pensar no tema ainda em julho de 2018, mas não tivemos nenhuma conclusão naquele mês.

Em setembro, o livro “Por Que o Brasil Cresce Pouco?”, escrito por Marcos Mendes, provocou-me uma reflexão: se crescemos pouco, estamos em desvantagem para competir pelas pessoas e pelas ideias mais brilhantes que surgem em nosso próprio país.

Exportando nossos talentos, perdemos a grande oportunidade de crescermos como país: em termos de renda e em termos de desenvolvimento — e esse é o verdadeiro "Custo Brasil". Então as perguntas que ficam são: como manter no Brasil nossos talentos?; como criar um cenário amigável para o empreendedorismo?; como escapar desse baixo crescimento e recuperar o tempo perdido?

Com essa reflexão, o tema "Custo Brasil" foi bem aceito pelos diretores e associados ao IFL-SC, bem como pelos apoiadores de edições anteriores e conselheiros do Instituto.

 

Grandes nomes foram convidados para palestrar no evento. Quais os destaques?

O Fórum deste ano conseguiu fazer convergir a agenda de grandes nomes nacionais e internacionais do debate público.

Os principais destaques desta edição são:

 

Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e mentor do Plano Real, que completou 25 anos recentemente;

 

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos (foto) e Augusto Nunes, jornalista e comentarista político com quase 50 anos de carreira;

 

Alexandre Schwartsman, consultor econômico e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central;

 

Lawrence Reed, presidente da Foundation for Economic Education.

 

O "Custo Brasil" ultrapassa a barreira da economia. Está em praticamente tudo que faz parte do nosso dia a dia. Como o Fórum pretende analisar um tema tão amplo?

Como um importante instrumento de conscientização da população catarinense, Fórum pretende demonstrar que o "Custo Brasil" é um problema, sobretudo, de desenvolvimento humano. Demonstrar que cobrar, em média, 35% de impostos sobre remédios tem impacto negativo sobre nossa expectativa de vida.

Demonstrar que o afastamento do Brasil do mercado global é deletério para a renda de cada brasileiro. Demonstrar que o nosso sistema de educação — desde o método educacional até a execução orçamentária dessa área — não tem a eficácia que o mercado global do século XXI exige.

Assim, o Fórum está organizado em 4 painéis e 2 keynotes para discutir educação, economia, empreendedorismo e política, examinando o Custo Brasil em cada caso.

 

Que tema específico cada palestrante deverá abordar?

Lawrence Reed fará um comparativo entre economias pautadas no protecionismo e economias pautadas no livre mercado.

Ana Carla Abrão e João Batista Oliveira realizarão um painel para discutir o sistema educacional brasileiro e o problema de produtividade que o País enfrenta.

Zeina Latif e Alexandre Schwartsman realizarão um painel para discutir os cenários macroeconômicos para os próximos anos do Brasil.

Joseph Teperman e Rocelo Lopes realizarão um painel para discutir o papel do empreendedor na solução do Custo Brasil. Joseph é especialista nas tendências do futuro do trabalho no Brasil e no Mundo; Rocelo é empreendedor no ramo das criptomoedas — um dos pioneiros do País.

Augusto Nunes e Eduardo Wolf realizarão um painel para analisar as dimensões políticas do Custo Brasil e do baixo grau de desenvolvimento do País.

Gustavo Franco encerrará o evento com uma palestra para discutir o Brasil após o Plano Real, traçar um paralelo entre as reformas que o País precisa hoje e aquelas reformas que foram realizadas entre 1994 e 2000.

 

Como situar Santa Catarina dentro deste quadro do "Custo Brasil"?

É uma questão importantíssima para discutir, e ainda é pouco discutida: ano passado foi noticiado que o estado de Santa Catarina teria um déficit de R$ 3 bi em 2019.

Ou seja, aquilo que o Estado arrecada não é suficiente para pagar seu próprio funcionamento — por ser demasiado inchado. Isso traz problemas severos de produtividade para a máquina pública, que precisa fazer seus esforços convergir para saldar o passado e deixando faltar no presente.

Dessa forma, o fato de essa conta não fechar normalmente se transforma em aumentos de impostos e redução da qualidade dos serviços prestados pelo estado. Novamente, perdemos muitas oportunidades em função desse atraso.

Por fim, é importante destacar que o "Custo dos Estados" é uma parte muito significativa do "Custo Brasil" e pouquíssimos estados estão fora dessa realidade, a exemplo do Espírito Santo, que teve uma administração fiscal exemplar nos últimos anos.

 

Que resposta ou conclusões você espera dar ao público ao final do evento?

Que o "Custo Brasil" não é uma matéria de pura abstração, ou tão somente reservada à economia — o "Custo Brasil" é um atraso de desenvolvimento humano que o País enfrenta. A reflexão que queremos provocar é que, se continuarmos onerando a inovação e o empreendedorismo com esse custo, estaremos presos a uma baixa qualidade de vida.

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Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de legal em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

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