Outubro 25, 2019

O dia em que acabaram os impressos da NSC

O dia em que acabaram os impressos da NSC

Bye, bye

Estão vendo essas capas de jornais? Se você teve alguma relação com algum deles, como assinante, leitor frequente ou eventual, lamente. A partir de hoje, 25, deixaram todos de existir.  O Grupo NSC decidiu fechá-los, investir no online e em uma revista semanal (ver aqui).

Diário Catarinense, A Notícia, Jornal de Santa Catarina e A Hora na prática estavam definhando há anos. A crise não pode ser atribuída somente a concorrência da internet, mas também a falta de estratégia adequada para enfrentar as notícias instantâneas. Enquanto elas estavam se tornando mais relevantes na vida das pessoas, os jornais impressos deixaram de ter investimentos nas redações e de trabalhar com mais profundidade os temas de interesse.

Uma coisa levou a outra: queda na qualidade do produto, menos leitores, menos vendas, prejuízo, redução de equipe, menos qualidade...

 

Concorrência

Os quatro jornais comprados da NSC representaram um projeto ambicioso da RBS na comunicação catarinense. O Diário Catarinense foi criado em 1986, para ser um modelo regional, com sucursais e correspondentes em todo o Estado, ligados via mainframe. A ideia era combater diretamente o Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, e A Notícia, de Joinville, este com forte representação estadual.

Na prática, isso foi extremamente difícil. Solução: comprar os concorrentes. As negociações foram demoradas com empresários locais, porém a empresa gaúcha acabou comprando os dois, em 1992 e 2006 respectivamente.

Administrados em pacote dentro do grupo, acabaram perdendo a identidade, no tamanho – de standard para tabloide, na dimensão e alcance. Foram pasteurizados.

 

NSC

Nas mãos da NSC, na compra da RBS SC há três anos, os jornais literalmente murcharam, levando ao fechamento, nesta sexta, 25, registrada em uma matéria na página 16 do Diário Catarinense.  O título: “As páginas que contaram a história cotidiana de Santa Catarina”. Cada um mereceu um breve histórico, sob o ponto de vista dos atuais donos. As melhores lembranças, no entanto, estarão na memória dos que foram leitores e dos que produziram textos e fotos desses periódicos que acompanharam a vida catarinense em todos esses anos.

A forma de consumir notícia mudou. Hoje será um dia para entrar na história. Certamente, motivo de consulta na Wikipedia no futuro, quando alguém pesquisar a história da imprensa catarinense, o dia em que acabaram os impressos nas mãos da NSC.

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multimidia claiton selistre bastidores comunicação TV rádio jornal
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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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