Junho 07, 2020

O FEITIÇO DO TEMPO

O FEITIÇO DO TEMPO
Bill Murray em Feitiço do Tempo

Dando um tempo no formato temático da coluna Cine & Séries, mas garantindo uma leiturinha semanal para os queridos leitores com as "Crônicas em Quarentena". Toda sexta-feira uma história do cotidiano em tempos de isolamento social, mas sem esquecer o Cinema, claro! Dicas de filmes, séries e streamings gratuitos.

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Crônicas em Quarentena - VI - O FEITIÇO DO TEMPO

Quando iniciou a quarentena muita gente dizia que finalmente ia ter tempo para fazer coisas que antes não conseguia. Dois meses depois vejo todos reclamando da falta de tempo. Que mistério é esse? Eu mesma acordei achando que hoje era quarta, mas já é sexta-feira ! O que aconteceu com a ideia de que os dias se arrastariam durante o isolamento social? Não ia sobrar tempo?

O tempo é sorrateiro. Ele pode nos consumir antes que o consumamos. Sento na frente do computador e, de repente, já se passaram duas horas. Deito no escuro e no momento seguinte o sol já entrou pela janela do quarto. E como assim já acabou o mês de maio ?

Quando a vida seguia seu curso normal com trabalho, viagens, ida ao cinema, festas, muitas coisas acontecendo, dava para entender porque o tempo passava tão rápido. Mas no confinamento estamos vivendo a mesma rotina diária. É como estar dentro de O Feitiço do tempo (Groundhog Day), o adorável filme de 1993, em que Bill Murray interpreta um repórter da previsão do tempo na TV que vai para uma pequena cidade cobrir o celebrado "Dia da Marmota". Por alguma razão, ele fica preso no tempo e sempre que acorda o dia anterior se repete.

Tenho um pouco a sensação de estarmos vivendo no dia da marmota durante a quarentena. Acordo, tomo café, converso,tomo banho, escrevo, preparo o almoço,leio,tiro um cochilo, converso nas redes sociais, escrevo, vejo um filme, durmo. Acordo, tomo café, converso, escrevo...

Mas era muito diferente antes do isolamento social? Um querido amigo se queixa de não poder sair de casa. Respondo que ele saía raramente mesmo. "Ah, mas eu sabia que podia sair se quisesse...". Seres humanos!

No fundo, entendo o meu amigo. Tenho a sensação de um certo desperdício de vida, uma interrupção injusta principalmente para os que tem poucos anos pela frente. Já nem imprimo mais o calendário mensal onde costumava anotar meus compromissos. Interrompi em março. Os jovens também reclamam: "justo agora que tenho tanto para aproveitar?".

Independente do que pensamos dele, do quanto tentemos compreendê-lo ou segurá-lo, o tempo segue, passa, voa...sem nos dar importância. Como escreveu e cantou Aldir Blanc - para quem o tempo findou este ano por causa da peste-Batidas na porta da frente /é o tempo/Eu bebo um pouquinho pra ter argumento/Mas fico sem jeito, calado, ele ri/ Ele zomba do quanto eu chorei/porque sabe passar e eu não sei...

(Brígida De Poli)

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O que os leitores falaram sobre "A Vacina do Abraço"

Na edição anterior, a crônica falava sobre a importância do abraço, suspenso em tempos de pandemia.

 

" A espera da sexta-feira gira em torno da coluna da Brígida De Poli. Substitui o encontro presencial com as amigas que o necessário isolamento social nos priva, no momento. Fortalece nossas esperanças de dias melhores. Gratidão ao empenho da nossa querida jornalista". ( Edna Merola)

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Nestes corridos tempos, nada melhor para amantes da sétima arte, receber ótimas indicações com comentários sucintos e diretos. (Nara Ferrari)

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Brígida, adorei a crônica "A vacina do abraço" ... muito bem denominado como "vacina" esse gesto tão simples - e tão poderoso - ao mesmo tempo. Que é capaz de desatar o nó interno em muitos sentidos, de curar feridas e acalentar um coração entristecido. Como nos faz falta o calor humano! Como precisamos dessa vacina!! (Zuleide Besen)

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DICAS * DICAS* DICAS*DICAS*DICAS

Dois documentários da Netflix para ajudar a entender a questão racial nos EUA que hoje vive fortes manifestações contra o assassinato de  mais um homem negro, George Floyd, pela polícia.

A 8ª emenda – direção: Ava Duvernay

Esse documentário discute a décima terceira emenda à Constituição dos Estados Unidos : "Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado" . O problema está em "salvo como punição de um crime" e a diferença de tratamento legal entre brancos e negros. Não por acaso, 40% da população carcerária é negra. Uma situação bem parecida com a brasileira.

 

Minha História – Michelle Obama

O documentário sobre Michelle Obama mostra uma realidade diferente, mas não deixa – claro – de abordar o racismo nos EUA. Ela reconhece que houve um avanço quando seu marido, Barack Obama, foi o primeiro negro a chegar à presidência, mas isso nem de longe resolveu a questão racial. Ela destaca que a violência policial contra a população negra continua. Atualizando a história do documentário podemos dizer: o recente assassinato do cidadão americano negro ,George Floyd,  por um  policial branco só reforça o que foi dito por Michelle.

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Dois filmes para entreter e aliviar a angústia em tempos de pandemia.

Hahaha – Cine Belas Artes

Essa comédia do sul-coreano Hong Sangsoo  recebeu o principal prêmio da mostra Un Certain Regard ("Um certo olhar") no Festival de Canne, em 2010. Agora é possível assistir no Cine Belas Artes à la carte. Sinopse: Um diretor de cinema faz uma viagem para uma pequena cidade costeira de Tongyeong, na Coreia do Sul. Lá ele encontra um amigo, o crítico de cinema, e os dois se sentam para conversar e tomar algo. Durante a conversa, eles falam sobre uma viagem que fizeram para o mesmo lugar, e acabam por descobrir que conheceram as mesmas pessoas: um poeta e guia cultural e uma encantadora mulher.

 

As primeiras férias não se esquece jamais – Looke

Essa comédia está disponível no Festival de Cinema Varilux, por enquanto ainda liberada para não assinantes do canal Looke.

A dupla Marion e Ben se conhece no Tinder e no dia seguinte já resolve sair de férias juntos. Eles vão para a Bulgária, rumo ao destino dos sonhos de cada um: Beirute para Marion, Biarritz para Ben. Sem uma programação decidida, eles são colocados em situações que mostram que suas concepções sobre férias dos sonhos são extremamente diferentes.

 

Paradigma Cine Arte

O polonês Corpus Christi  é o novo título da programação virtual do Paradigma Cine Arte. Você escolhe o filme, paga via cartão e pode ver em até três dispositivos, ficando disponível durante 72 horas.

Daniel (Bartosz Bielenia) é um rapaz de 20 anos que experimenta uma transformação espiritual enquanto vive em um Centro de Detenção para Jovens. Ele quer se tornar padre, mas isso é impossível por causa de sua ficha criminal. Quando é enviado para trabalhar na oficina de um carpinteiro em uma cidade pequena, na chegada, ele se veste de padre e acidentalmente assume a paróquia local. A chegada do jovem e carismático pregador é uma oportunidade para a comunidade local iniciar o processo de cura após uma tragédia que aconteceu na região.

www.cinemavirtual.com.br

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Opções para crianças no Prime Vídeo

O streaming da Amazon Prime Vídeo se firmou durante a quarentena como alternativa à Netflix. Ele oferece alguns filmes/animações para os cinéfilinhos.

 

Para idade pré-escolar:

Pete, O Gato /Cheiroso e Sujinho /Diários de Inseto /Whishenpoof!/Galáxia Criativa /Tumble Leaf /Se Der um Biscoito a um Rato /Um dia de Neve /Jessy e Nessy

Para os de 6 a 11 anos de idade

Uma Pitada de Magia /Perdidos em Oz /Uma Pitada de Magia:Cidade Misteriosa /Niko e a Espada da Luz /As Aventuras de Gortimer /Gibbon na Rua Normal /Costume Quest /Pequenas Grandes Fantastiquices /A Menina e o Ovo.

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ATÉ A PRÓXIMA...

(*) Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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