Novembro 25, 2019

O futuro de Moisés passa por Bolsonaro

O futuro de Moisés passa por Bolsonaro
MAURÍCIO VIEIRA/SECOM

Dissociar a imagem do governador Carlos Moisés da Silva do presidente Jair Bolsonaro serve para alimentar grupos mais radicais nas redes sociais, em busca de likes e de reação da militância, e à ala mais ativa da chamada direita conservadora, o que não chega à massa dos eleitores.

Ainda no PSL, Moisés é o melhor escudeiro de Bolsonaro na gestão pública, diminuiu o tamanho do Estado ao não contratar cargos comissionados (e ainda há muito o que fazer), cortou gastos, trabalha com recursos próprios para financiar obras e não aceita o toma lá dá cá para trocar apoio de deputados por indicações no serviço público.

O que seu críticos internos, agora a caminho da Aliança Pelo Brasil, qualificam de eventuais escorregões, como criticar as fotos do gesto com arminha na mão em entrevista à Folha de S.Paulo, algo quer jaz no passado recente, ou mesmo quando voltou atrás e evitou a edição de uma cartilha sobre a ideologia de gênero nas escolas da Rede Estadual de Ensino, só servem para dar discurso a seguidores mais engajados, pouco importa para a maioria da população.

O governador de Santa Catarina, um estreante na política partidária, não necessita, em regra, fazer qualquer movimento brusco ou entrar na “guerra”, como ele mesmo diz, com seus maiores adversários, hoje os deputados estaduais Ana Caroline Campagnolo, Jessé Lopes, Sargento Lima e Felipe Estevão, mas sim necessita administrar o Estado nos próximos três anos e mostrar o que os parlamentares, apenas do ponto de vista ideológico, terão dificuldades em angariar em apoios ou novos eleitores, daí a tática de jogar Moisés contra Bolsonaro.

 

Ser ou não ser

Tecnicamente, a Aliança Pelo Brasil ou por Bolsonaro não existe e ainda não está afastada a possibilidade se quer de estar registrada no TSE para dar guarida a candidatos a prefeitos e vereadores no ano que vem.

Quem não tem mandato (deputado estadual ou federal ou vereador pelo PSL) buscará outra sigla para concorrer e terá Bolsonaro como seu grande cabo eleitoral, efeito que testará uma outra realidade, a de que, nos municípios, a influência de caciques estaduais e federais sempre foi pequena, a ponto de não evitar alianças entre tradicionais e novos adversários ferrenhos, de esquerda, direita ou centro.

 

SOLON SOARES/AGÊNCIA AL

O BEM COTADO

Mesmo que não tenha sequer lançado seu nome à prefeitura de Blumenau, o deputado Ricardo Alba tem sido citado para concorrer no ano que vem, seja pelo PSL ou pela Aliança Pelo Brasil. Advogado, oficial de Justiça, ex-professor universitário e vereador, Alba, que vai completar 35 anos em dezembro próximo, é o mais experiente no Legislativo na bancada de seis deputados estaduais que chegou ao parlamento na esteira da onda Bolsonaro. Foi o mais votado (62.762) na última eleição à Assembleia. Admite que evoluiu nos últimos meses sem deixar de lado as bandeiras de direita, o alinhamento e a sintonia com o presidente da República. Por ora, Alba, que perdeu a liderança da bancada na reação de quatro colegas contra o governador Carlos Moisés da Silva, mantém a tranquilidade, embora considere que, para concorrer em Blumenau, necessitará de uma ampla aliança. As conversas estão adiantadas.

 

No radar

Ricardo Alba tem sido procurado por outros partidos e líderes blumenauenses para compor futuras coligações.

Mais do que uma alternativa, terá no cabo eleitoral Jair Bolsonaro um aliado poderoso no embate, principalmente com a campanha à reeleição de Mário Hildebrandt (sem partido), e a força de ter contato direto com Moisés, a quem já levou três vezes à sua base e com muitos recursos para distribuir.

 

Outro na lista

O deputado Coronel Onir Mocellin, também, do PSL, prossegue cotado para concorrer à prefeitura de Itajaí.

Vice-líder do governo Moisés, Mocellin deve, mais tarde, seguir com a Aliança Pelo Brasil, assim como Alba, mas não é decisão para agora, sem qualquer segurança jurídica.

 

ROBERTO AZEVEDO

AH, O MERISIO!

O deputado estadual Vicente Caropreso, o Dr. Vicente como prefere ser chamado, adotou uma postura conciliatória quando perguntado sobre a entrada do ex-deputado Gelson Merisio no PSDB. Para Caropreso, Merisio vai mais agregar do que provocar cizânia no ninho tucano, embora fique sem palavras quando confrontado com a debandada já inaugurada, principalmente no Oeste, ou quando provocado em função do perfil nada aglutinador do futuro colega de sigla. Ao lado de Caropreso, próximo à Assembleia, estava o prefeito Julio Cesar Ronconi, de Rio Negrinho, eleito pelo PSB e que agora está no ninho tucano. Ronconi foi deputado estadual antes de ser eleito e enfrentava a influência local do emedebista Mauro Mariani, que já foi prefeito da cidade por duas vezes.

 

No poste 1

Sabia que os postes da Celesc podem ter, no máximo, cinco cabos ou fiações diferentes.

A determinação é da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), embora a percepção de quem passa pelas ruas das maiores cidades do Estado não seja esta, onde cabos de operadores de telefonia, fibra óptica e empresas de TV por assinatura e dados poluem o visual e até prejudicam a integridade das estruturas.

 

No poste 2

A Celesc recebe pelo “aluguel” para que estes cabos utilizem a rede física de postes e não para por aí.

Procurada pela coluna, a maior estatal de Santa Catarina respondeu que: “A responsabilidade sobre a manutenção e retirada dos cabos de telefonia e internet é das empresas de telecomunicações. À Celesc cabe zelar e fiscalizar para que o compartilhamento de infraestrutura mantenha-se regular às normas técnicas”.

 

* PROBLEMA: Se o TSE abrir a porteira para que a Aliança Pelo Brasil tenha o direito de colher assinaturas em meio digital e não pelas fichinhas por escrito, outras 42 siglas devem usar o mesmo expediente, o que elevaria o número de legendas registradas de 32 para 74 novas legendas no país.

 

* PRESSA: Muitos adversários e até aliados do PSL, de olho em 2020, trabalham com a ótica míope de querer “matar” a administração de Carlos Moisés da Silva antes de completar um ano e esquecem que ele tem mais três anos de caneta na mão pela frente.

 

* TEMOR: O maior medo dos políticos tradicionais e de seus líderes e mandatários é o de que Moisés obtenha sucesso no jeito diferente de fazer política, isso sim um prejuízo e tanto para o pessoal que não vive sem um toma lá dá cá.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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