Julho 06, 2019

O MDB está mais do que próximo de Moisés

O MDB está mais do que próximo de Moisés
SUSI PADILHA/ARQUIVO/DEZ 2018

O secretário Douglas Borba (Casa Civil) deverá se encontrar na semana que vem com o presidente estadual do MDB, o deputado federal Celso Maldaner, para oficializar o que até os postes no entorno da Assembleia já sabem: um convite para o partido compor oficialmente a base de apoio do governo.

Seria um encontro como tantos, se o governador Carlos Moisés não estivesse junto na conversa, confirmação que, por ora, não tem data, depende da agenda.

Integrantes da maior bancada da Assembleia, com nove cadeiras, os emedebistas viverão uma situação inusitada na história do partido, votar com o governo sem receber cargos como contrapartida, com a única perspectiva de ter projetos regionais viabilizados ou receberem antes os recursos das emendas impositivas.

 

Ainda não

Reunido com os prefeitos da sigla, em Curitibanos, neste sábado (6), no primeiro encontro depois de eleito para comandar o partido, Celso Maldaner negou que já tenha sido sondado para dar o aval da executiva e abençoar a união, praxe na política.

Esta ida para a base é vista com desconfiança e contrariedade pelo senador Dário Berger, derrotado na última convenção, que aparece como pré-candidato ao governo, em 2022, e pelo ex-presidente e candidato Mauro Mariani. A diferença é que eles não votam e não têm que atender as demandas dos 99 prefeitos da sigla. Daí.

 

Realidade

O MDB já votou com Moisés na reforma Administrativa, mas espirrou o taco na questão de redução do duodécimo prevista na LDO, o que acendeu o sinal vermelho para o governador, que deve ter mudado de ideia para formalizar um grupo de apoio entre os deputados, principalmente às vésperas da polêmica análise da lei que reinstitui a política de concessão de incentivos fiscais.

Moisés tem sido hábil na conversa com parlamentares, e, sem oferecer espaços na sua gestão, já amealhou 11 votos do bloquinho, como é chamado o grupo que reúne PSL, PL e PDT, e teria facilidade em avançar mais, em direção aos deputados de PSC, PSB, PP, PV e PSD, e um dos tucanos, no mínimo 27 votos em um universo de 40.  

 

Em vias de

Senador Esperidião Amin reforça que não há “nenhuma sangria desatada” para que o ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Gelson Merisio se filie ao Progressistas depois de ter deixado o PSD, sigla pela qual concorreu ao governo, em 2018.

O prazo para quem pretende concorrer no ano que vem termina em março, e lembra que o caso de Merisio é idêntico ao do ex-prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes, com a diferença que o ex-tucano não pode concorrer à prefeitura.

 

Na dele

Baseado em Itajaí, o ex-deputado Paulo Bornhausen tem se dedicado à atividade privada, principalmente na atuação de seu escritório junto a empresas que têm muitos processos de compliance, o que o afasta de compromissos partidários, ou seja, nenhuma filiação à vista.

Bornhausen não nega, porém, que tenha orientado seu grupo político para se filiar ao Podemos. Age como conselheiro.

 

Indignado

Mas quando o assunto é o pedido do PSB dos mandatos dos deputados estaduais Bruno Souza e Nazareno Martins, por desfiliação, Paulo Bornhausen se irrita.

Explica que, no caso de Bruno – já que o de Nazareno teria sido um erro de sistema -, todo o procedimento foi seguido dentro da lei, com a liberação por escrito, enquanto a questão do parlamentar ter comunicado à Assembleia nada tem a ver com o instância partidária da antiga executiva.

 

Já em São José

Prefeita Adeliana Dal Pont (PSD), de São José, na Grande Florianópolis, surfa nos bons indicadores da prefeitura que administra, sem ter colocado um projeto político para quando deixar o cargo que ocupa pela segunda vez.

No ranking das 50 cidades com mais de 100 mil habitantes do país, que são avaliadas pela governança municipal pelo Conselho Federal de Administração (CFA), que avalia serviços de saúde, educação, gestão fiscal, habitação e recursos humanos, aparece em 36° lugar, à frente de Joinville e Florianópolis.

 

Importante

O índice do CFA com base no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, dados dos Sistema único de Saúde e do IBGE, traça uma radiografia positiva para a quarta maior cidade catarinense, que tem os índices de criminalidade em queda.

Vale lembrar que pelo Cadastro de Geração de Empregados e Desempregados (Caged), São José teve o segundo maior índice de novas vagas criadas, em maio deste ano, 4.650 postos de trabalho abertos contra 4.395 fechados, um saldo positivo de 255 vagas.

 

Reconhecimento

A jornalista Silvia Pinter assumiu a coordenadoria de Comunicação Social do do Ministério Público em Santa Catarina.

No mesmo ato, o procurador-geral de Justiça Fernando da Silva Comin nomeou o ex-coordenador, Carlos Rocha dos Santos, para a assessoria junto ao seu gabinete.

 

LUCA GEBARA/AGÊNCIA AL

À ESPERA DO FATO

A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia aprovou a admissibilidade de uma PEC que trata de mais transparência na hora do Estado firmar as parcerias público-privadas, que terão que passar pela aprovação do Legislativo. A proposta é do deputado Milton Hobus (PSD), que valeu-se de argumentos dos históricos desastrosos de canetadas para as PPPs no Brasil e até da ineficiência do modelo europeu levantado pelo Tribunal de Contas do Mercado Comum do outro lado do Atlântico. O problema é que, até hoje, nenhuma parceria foi firmada no Estado, embora exista a SCPar e até um fundo garantidor para tanto. Quem sabe a norma, que ainda tramitará em outras comissões de mérito antes de chegar ao plenário, dê sorte.

 

Alguém para cobrar

Os deputados federais mais próximos de alguns governadores do Nordeste serão os responsáveis por não incluir estados e municípios no texto geral da Reforma da Previdência e deixarão todo o trabalho capenga, com prazo de validade menor do a década em que a economia preconizada chegaria a R$ 1, 3 trilhão.

A pressão deles é tão evidente e contundente que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu, em evento com investidores e empresários, em São Paulo, que não é possível viabilizar a proposta, o que, nas contas dele, significaria perder “de 5º a 60 deputados que hoje não votam a reforma com inclusão de Estados e municípios”.

 

Na contramão

Depois estes parlamentares e governadores não querem ganhar a pecha de mais atrasados e retrógrados do país e ainda dirão que são vítimas de preconceito de quem mora no Sul e no Sudeste.

Estão focados apenas nos votos que perderão em função de mexer nas futuras aposentadorias e diante do quadro deplorável da miséria que marca grande parte da população da região que representam, ou seja, não querem evoluir.

 

* Comitê da Defesa da Competitividade da Economia Catarinense, coordenado pelo empresário Marcelo Alessandro Petrelli, reúne-se na próxima segunda (8) com o secretário Paulo Eli (Fazenda) e com deputados às 17h, para debater o projeto do governo que reinstitui a política de incentivos fiscais.

* Petrelli tem feito um périplo nos gabinetes dos deputados estaduais para defender a manutenção de uma concessão desigual, que chegava a beneficiar empresas de um mesmo segmento em detrimento de outras sem qualquer critério, e agora usa a pressão de que muitos empresários estariam dispostos a deixar o Estado e o país com o corte dos incentivos fiscais, com perdas de 35 mil empregos diretos.

* O secretário da Fazenda rebate e afirma que 99,9% das empresas que eram beneficiadas pelos incentivos terão mantidas as vantagens e que o Estado tem uma conta para fazer diante de uma renúncia fiscal de R$ 5,9 bilhões prevista para 2019, um aumento de quase R$ 1 bilhão nos últimos quatro anos, sem que se estabelecesse parâmetros.

* Será que o governador Carlos Moisés mudou de postura ao desenhar uma base de apoio na Assembleia mais permanente e não a cada empreitada, tudo diante da realidade política vigente.

* Encontro do presidente estadual do MDB com os prefeitos, em Curitibanos, tem tudo para render mais do que a possibilidade de hipotermia, muita comilança e chimarrão para aquecer a turma.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
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