Fevereiro 11, 2019

O MDB vive uma convulsão

O MDB vive uma convulsão
DIVULGAÇÃO MDB/OUT 15

A foto que ilustra a coluna representa um passado distante em um MDB catarinense cada vez mais atritado, logo onde parecia unido por estar afastado do currículo nacional de escândalos. Foi tirada em 19 de outubro de 2015, quando Mauro Mariani foi eleito presidente estadual do MDB, que, à época, ainda tinha o governador do Estado e um P na frente. Na noite desta segunda (11), o deputado estadual Valdir Cobalchini, vice-presidente da sigla, janta com Mariani, o senador Dário Berger e o deputado estadual Moacir Sopelsa. O cardápio vai da situação de isolamento dos dois deputados na bancada da Assembleia, com uma eventual troca de partido, até a remota possibilidade do consenso sobre a presidência do partido, sem contar a pressão de Cobalchini para ser o próximo candidato à presidência da Assembleia. Tal interferência não seria digerida pelos colegas de plenário. Antes das garfadas, Cobalchini reuniu-se com o senador Jorginho Mello, presidente estadual do PR, em busca de alternativas, caso seus pleitos não sejam considerados pela cúpula. A pretensão do deputado estadual, por três vezes o mais votado do partido no Estado, esvaziou-se, mas ainda poderia representar, desde que por consenso, um adiamento do que parece líquido e certo: um racha sem precedentes nos últimos 15 anos de MDB no Estado.

 

O empecilho

Dário quer o comando o MDB para tocar um projeto pessoal ao governo em 2022, algo que não funcionou bem em 2018, nem para a desastrosa campanha do MDB, com Mauro Mariani ao governo, nem ao que se escalou como arquirrival, o deputado Gelson Merisio (PSD). O eleitor percebeu o movimento, muito antes da onda Jair Bolsonaro.

 

Deu errada

A estratégia de Cobalchini virar presidente do Legislativo Estadual naufragou dentro da bancada do MDB e levou Sopelsa junto no turbilhão, enquanto Mauro De Nadal tornou-se vice-presidente da casa, muito próximo a Julio Garcia (PSD). A jogada foi afoita ou mal planejada e o deputado que representa o Meio-Oeste ficou de fora de tudo, sequer acabou prestigiado em uma comissão de peso, como a CCJ ou na liderança da bancada, posições abocanhadas por Romildo Titon e Luiz Fernando Vampiro.

 

Pode piorar

Trocar de partido não é, de longe, a melhor saída para Cobalchini, que, além de amplamente identificado com o MDB, historicamente e nas últimas quatro administrações estaduais, correria o risco de ser acusado de fisiologista em tempos de nova política dominante. E como se não bastasse, apresentou um projeto pra lá de polêmico sobre a retirada de radares móveis das rodovias estaduais e recebeu o troco, um dossiê em que aparece com 28 multas por excesso de velocidade, pelas quais ele culpa assessores ao volante. No inferno astral de Colbalchini os passos devem ser melhor medidos: está de mal com a bancada na Assembleia, em que deve ter um encontro nesta terça (12), no tradicional almoço que tem evitado, e ainda pode ficar sem comandar nada, inclusive dirigir, sem a carteira de motorista.

 

Ele disse não

Cansado da artilharia contra ele e seu grupo dentro do MDB, o ex-governador Eduardo Pinho Moreira admite desistir de disputar a presidência da legenda ou, em situação mais radical, deixar o partido. Moreira foi por 11 anos o comandante do partido em um momento de vitórias expressivas, estaduais e municipais, ao lado de Luiz Henrique, mas enfrentou, durante uma década, a contrariedade de Mauro Mariani e Dário Berger, que agora querem manter o comando sem mensurar a grande derrota que amargaram nas urnas, em 2018, inclusive com a perda de duas cadeiras na Câmara dos Deputados e uma na Assembleia. Política se faz com conquistas, não com bravatas.     

 

Só na deles
Quem sabe um tertius aparece, embora alinhado com este ou com aquele grupo na enorme estrutura do MDB. O deputado federal Carlos Chiodini viraria alternativa, tampouco pode ser esquecido algum histórico para fazer a transição, como o ex-deputado federal Edinho Bez.  

 

Nem aí

O site oficial do MDB de Santa Catarina parece abandonado, com poucas citações a ex-deputados federais e ao parlamentar Rogério Peninha Mendonça, que manteve o mandato. Não há uma linha sequer sobre a escolha do novo diretório em maio próximo. É o retrato do que ocorre na sigla, onde até ameraças de debandada e troca de agremiação política, seja lá quem for, não fasem cócegas ao menos.          

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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