Dezembro 24, 2019

O Melhor do ano. Por Jefferson Douglas da Silva

O Melhor do ano. Por Jefferson Douglas da Silva

Começando nossa retrospectiva, destaque para as personalidades que marcaram 2019:

O argentino Ale Vigil, enólogo chefe da Catena Zapata e head da bodega El Enemigo, foi nominado como Enólogo do ano por um dos mais influentes guias de vinho daquele país. O Vinomanos reuniu sommeliers, jornalistas e enólogos para eleger os melhores exemplares de Malbec da Argentina. Entre os 50 melhores vinhos, seis são criação de Vegil.

Uma alemã é a primeira mulher a vencer o prêmio de melhor sommelier de cervejas do mundo. Elisa Raus superou outros 79 competidores de 19 países no concurso organizado pela Doemens Akademie.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento instalou oficialmente a Câmara da Cerveja. E o catarinense Carlo Lapolli, presidente da Abracerva, foi escolhido para coordenar o grupo de trabalho que tem o objetivo de organizar as demandas do setor – o terceiro maior do mundo.

Já o bartender Gabriel Santana, do Benzina Bar, venceu a etapa nacional do maior evento de coquetelaria do mundo e representou o Brasil na final do World Class Competition 2019. Promovido pela Diageo, a etapa mundial foi na Escócia.

 

Entre os premiados do ano, alguns destaques...

Uma criação da destilaria boutique BEG, de Campinas (SP), conquistou o prêmio The Gin Masters 2019, promovido pela revista inglesa The Spirits Business. O gin Modern&Tropical leva infusão de ervilha azul, o que deixa a cor da bebida azulada.

A Bylaaard, de Luiz Alves voltou de Minas gerais com o maior prêmio da 29ª. Expocachaça, considerado o principal evento do setor. Na categoria extra premium a cachaça envelhecida por 18 anos conquistou a medalha “duplo ouro”. No total o Santa Catarina acumulou 13 das 62 medalhas em disputa.

Por aqui mais um ano o vinho Quinta do Morgado foi o campeão de vendas no Brasil. Produzido em Flores da Cunha (RS), o Quinta é responsável por números impressionantes: A produção de 175 milhões de litros por ano corresponde a quase metade de todo vinho engarrafado no Rio Grande do Sul.

A versão brasileira da poderosa revista Forbes, uma das mais prestigiadas do mundo, relacionou os 30 melhores vinhos do mundo. O estudo teve como base as avaliações feitas pelos usuários no aplicativo Vivino, e embasada em 40 mil críticas feitas a 1640 rótulos de 164 estilos. 

O vinho Seleção Rosé, da Miolo (que custa em torno de R$ 30) foi eleito o melhor do mundo da categoria pelos jurados do 7ª Rio Wine & Food Festival. A prova às cegas reuniu alguns dos melhores especialistas do país e avaliou os vinhos do festival, inscritos em 11 categorias. 

Uma vinícola de Guaporé (RS) conseguiu um feito inédito. Foi a única brasileira a garantir medalha no 7º Concurso Tannat al Mundo, realizado no Uruguai. O vinho Gheller Sempiterno Tannat 2014 voltou com o ouro, justamente do país que é o maior produtor mundial deste tipo de uva.

Vinícolas brasileiras voltaram da França com sete medalhas de prata. Foi durante o 17º Effervescents du Monde 2019, realizado em Dijon que reuniu mais de 564 rótulos de 22 países.  

Já no Concours Mondial de Bruxelles, três vinhos e três espumantes gaúchos ficaram entre os melhores do mundo. Na lista os já premiados espumantes Salton Brut Rosé e Casa Valduga 130 Brut Rosé. Destaque também para o Bueno Anima Gran Reserva 2015, da vinícola do global Galvão Bueno.

Já na 11ª. edição do Concurso de Espumantes Brasileiros, organizado pela Associação Brasileira de Enologia (ABE) medalha também para quatro vinícolas catarinenses: Abreu Garcia, Panceri, Pericó e a (ainda pouco conhecida) Vivalti.

Principal cervejaria paranaense, a Bodebrown retornou da Bélgica com três prêmios no Brussels Beer Challenge 2019, uma das maiores competições cervejeiras do mundo. A catarinense Lohn Bier (foto) também foi premiada no concurso. A propósito, a empresa catarinense foi reconhecida também como Cervejaria do Ano no South Beer Cup, realizado em Buenos Aires.

Cervejarias catarinenses conquistaram nove medalhas na Copa Cervezas de America, realizada em Valparaíso, Chile. Destaque para a Phare Farol de Santa Marta Australian Pale Ale, produzida em Garopaba, que voltou com medalha de ouro. Mais de 450 cervejarias, de 16 países, participaram do concurso.

Por fim, uma seleção do World Best Award fez um trabalho de pesquisa apontou que a melhor carta de vinhos do mundo em 2019. É de um restaurante de Pretória, Africa do Sul que tem na adega 75 mil garrafas das mais diversas origens.

Outras novidades bacanas:

A popular caipirinha, feita de limão, cachaça, gelo e açúcar, foi reconhecida como patrimônio imaterial do estado do Rio de Janeiro. A iniciativa foi da Assembleia Legislativa daquele estado, e marcou os 100 anos da criação do mais famoso drink brasileiro.

Curitiba ganhou uma rua temática, inteiramente dedicada à cerveja. A Carlos Laet, no Boqueirão foi batizada como Rua da Cerveja porque é sede da Bodebrowns e Swamp que costumam realizar eventos etílico-gastronômicos nos finais de semana. Outras seis cervejarias artesanais estão instaladas nas redondezas.

São Paulo também se articulou e organizou uma Rota Cervejeira. A Secretaria de Turismo do estado identificou e está promovendo cinco roteiros distintos pela capital e interior.

Para quem gosta de gadgets, uma lista muito interessante. O site Threelist relacionou dez invenções facilitar a vida de quem gosta de tomar uma boa cerveja – especialmente ao ar livre. São criações como o chiller que ajuda gelar rapidamente a bebida até o pequeno refrigerador flutuante.

Empresa responsável pelo tratamento do esgoto do rio Tejo, em Portugal, decidiu produzir uma cerveja com a água de efluentes. A Blond Ale e a American IPA foram produzidas em parceria com uma startup apenas para demonstrar que a água que passa pelas estações de tratamento da região de Lisboa poderia, em última análise, ter qualidade para consumo.

Quando o assunto é inovação, alguns destaques:

A cervejaria Colorado lançou um produto pet friendly. Uma “cerveja” para ser consumida por cães. A Cãolorado (?) foi elaborada com extrato de malte e levedo de cerveja, tem proteína líquida e nada de álcool.

Já em Curitiba, um empresário criou um boteco pet. O espaço foi montado no bairro Tarumã e, além de cervejas especiais para os donos, oferece vinhos e cervejas sem álcool para os cães. 

Cervejaria gaúcha Dado Bier lançou um lote de latinhas com 91 apelidos. A campanha bem humorada foi chamada de ApeliDado.

Um dos mais tradicionais pubs da capital inglesa começou a permitir que seus clientes tirem a roupa antes de tomar uma cerveja. A ideia de incentivar o nudismo surgiu por conta de uma disputa comercial com a cervejaria, que é dona do prédio.

A moda dos bares pop up, que são montados com prazo determinado, está com tudo. Diversas marcas de bebidas têm apostado no formato pra surpreender e criar uma relação emocional com o público. Um dos mais criativos é o bar da foto, que foi montado em uma lavanderia cenográfica de Londres.

Já a Goose Island, pertencente a Ambev, criou uma ação de marketing diferente para divulgar a “safra” 2018 da cerveja Bourbon County Stout. Instigou os consumidores a seguir pistas para localizar um bar secreto onde a cerveja foi servida – por tempo limitado.

Na serra gaúcha, opções temáticas ligadas ao mundo da cerveja. Gramado criou a Fabulosa Fábrica da Cerveja, considerada o primeiro parque temático do gênero no país. Outra opção é o Bier Park é um parque temático (e bem tecnológico) instalado em plena Rua Coberta.

Na linha de experiências bacanas, vinícolas, pousadas e hotéis de todo o mundo começam a investir em acomodações temáticas. Em muitos casos, antigas e enormes barricas de vinho foram transformadas em espaços aconchegantes e muito descolados.

Na área de tecnologia, destaque para a startup portuguesa que criou uma espécie de “Booking” do mundo dos vinhos. O portal, que vai virar APP, promete facilitar reservas para degustações, roteiros enogastronomicos, viagens temáticas e outras experiências.

Já a destilaria sueca Mackmyra e a consultoria em tecnologia Fourkind usaram inteligência artificial para criar o whisky perfeito. Um programa de computador combinou detalhes de diferentes lotes de whisky da destilaria, cruzou com informações sobre comportamento e preferências dos consumidores e elaborou uma receita de single malt considerada única.

As máquinas que automatizam o preparo de drinks também estão em alta. Uma delas é resultado de uma parceria entre Brastemp e AB Inbev (foto) e permitem preparar de forma instantânea (tal qual um café expresso),drinks como Gin Tônica e Spritz.

Outra inovação é um equipamento que transforma o sabor da cerveja de lata ou garrafa, e deixa com cara de um refrescante chopp. A Fizzics Way Tap foi desenvolvida por uma startup.

Sem contar a opção de contar com um barman robô, que prepara drinks para os visitantes. O Makr Shakr recebe os pedidos através de um aplicativo e mistura ingredientes com perfeição. Ele tem sido usado, por enquanto, para ações de marketing.

Em se tratando de novos produtos ou formatos, alguns destaques:

Um verdadeiro drink gelado, no palito. A parceria entre Smirnoff e Cacau Show resultou em um gelato diferentão com 3,4% de teor alcoólico.

A marca de cerveja australiana Victoria Bitter está adotando uma nova abordagem para clientes que buscam produtos com baixo ou nenhum teor alcoólico: chá com sabor de cerveja. O produto é uma mistura de folhas de chá preto do Ceilão e um lúpulo australiano.

Por destaque para a hop soda, uma bebida à base de chá preto, frutas e lúpulo. O desenvolvimento do conceito levou quase três anos. A bebida é gaseificada e está sendo posicionada como “politicamente correta”, já que não possui álcool.

Na linha de cervejas talvez a invenção mais curiosa dos últimos tempos é uma cerveja que promete servir como estimulante sexual. A ousadia é dos escoceses da BrewDog. A bebida foi batizada de “Royal Virility Performance” ou, traduzindo pro português, “desempenho Real de virilidade” e tem entre os ingredientes, chocolate e uma erva daninha chinesa.

A tradicional destinaria norte-americana Jack Daniels aumentou a família dos bourbons saborizados. A novidade é o Apple Jack, que está sendo lançado inicialmente no mercado norte-americano.

Destilarias começam a colocar no mercado um gin tônica em lata, pronto para ser servido. O produto foi idealizado para facilitar o consumo da bebida, principalmente nas baladas. Entre quem aposta no formato está a mineira Jungle e a inglesa Chapel Down.

Outras empresas nacionais tem apostado na linha de drinks pronto para ser servidos. Entre elas a gaúcha LeMuLe, que já servia drinks como Mojito, Gin Tônica e até o Moscow Mule “on tap”, tal qual um bom chopp.

Quem bebeu demais também tem uma opção bacana: O One More é a primeira bebida da categoria (balance drink) produzida no Brasil e combinou uma série de ingredientes que prometem hidratar, aumentar a concentração, diminuir a fadiga muscular e (claro) a ressaca do consumidor.

Uma destilaria inglesa muito famosa pelos gins que produz, acaba de lançar uma bebida destilada que tem cara de gin, cheiro de gin, gosto de gin. Mas que não é gin. A Temperance é criação da Portobello Road, e tem teor alcoólico que mais lembra uma cerveja pilsen – 4,2% contra os 40 ou 50% de um gin tradicional.

Uma cervejaria de Ribeirão Preto (SP) criou a receita da primeira cerveja instantânea do mundo. A solução permite prepara uma cerveja apenas com a adição de um copo de água com gás gelada. A Magic Booze tem como grande vantagem a economia de tamanho/espaço em relação às tradicionais garrafas. 

Por fim, uma criação 100% catarinense. A Don´t Worry, de Florianópolis, é a primeira do país a produzir uma cerveja no segmento low carb e, de olho no mercado fit ou de pessoas com restrições alimentares, está colocando no mercado uma Pilsen e uma America Session IPA livres de carboidratos (e por consequência, sem açúcar).

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Jefferson Douglas da Silva

Jefferson Douglas da Silva

Jefferson atuou por mais de 25 anos em jornais e emissoras de televisão de Chapecó, Blumenau, Joinville e Florianópolis. Foi repórter, editor, apresentador e gestor de equipes de TV, entre elas a chefia de redação da RBS TV. Como jornalista – e descendente de italianos – pode conhecer em detalhes a rotina de cantinas e alambiques que produzem vinho colonial e cachaça no Oeste do estado. Fez cursos de coquetelaria (Senac) e produção artesanal de cerveja (Escola Superior de Cerveja e Malte). Apaixonado por vinhos, estuda o assunto desde 2001.

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