Dezembro 08, 2019

O MELHOR E O PIOR DA TV POR ASSINATURA

O MELHOR E O PIOR DA TV POR ASSINATURA
Reprodução/ Cinemaginando

Como sabem todos que me leem, sou fã de séries. Assino todos os canais fechados e provedores de streaming que consigo pagar para ter acesso a essas produções. Vi ótimas séries em 2019 e fiz a tradicional listinha de final de ano para dividir com vocês. Esta é a parte boa. A ruim, digo a péssima, é o desrespeito generalizado da TV fechada com seus assinantes. TV paga é terra de ninguém: esta é a imagem que sempre me vêm à cabeça ao me deparar com séries que são interrompidas no meio, programas reprisados ad infinitum há anos ( Project Runaway, por exemplo, sempre na 12ª temporada, mesmo já existindo a 17ª), canais que só estão na grade para "fazer número" ( Universal tem única e exclusivamente os mesmos episódios de Whats On há uns 10 anos), boas séries que ficam só na primeira temporada, apesar de já existir novas ( Um galo para Esculápio, por exemplo) .

Pode piorar ? Pode. Noto que a HBO, por exemplo, que sempre foi sinônimo de qualidade no acervo de novos filmes agora disponibiliza filmes antigos. Cada vez mais há ofertas em que o assinante tem que pagar o filme à parte. Quer ver um filme mesmo velho? Pague por sessão. Um dos piores aspectos da TV fechada é: não há aviso prévio para as mudanças, fazem alterações e a gente tem que descobrir sozinho. Outra coisa ainda pior é não ter onde reclamar. Se faltou a legenda no filme, se interromperam a série na metade, se não colocam mais em OD o que antes estava disponível...reclama-se onde? A NET diz que só é transmissora, não produtora. Dane-se o assinante que paga bem caro e não recebe um serviço de qualidade. Contato em cada canal não existe. Enfim: reclame ao bispo!

Bem, vamos falar do lado positivo: a qualidade das séries. Como a quantidade de produções seriadas aumentou exponencialmente, tem muita coisa "meia boca", mas entre tantas há várias dignas de destaque. Aqui, estão ALGUMAS das minhas. Inclua as suas séries favoritas de 2019. Assim, a gente troca figurinhas e todo mundo sai ganhando.

Vamos a elas, em ordem aleatória. Boa leitura.

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PEAKY BLINDERS – 5 temporadas - Netflix

Comecei a assistir Peaky Blinders há vários anos, mas agora ela está na Netflix  e tive a agradável surpresa de descobrir uma nova temporada. Gosto muito de séries britânicas, mas é bom começar dizendo que esta não é para olhares sensíveis. O subtítulo já mostra: sangue, apostas e navalhas...no caso, as navalhas servem para cegar ( blinders)! Bem, trata-se da história de uma gangue de irmãos irlandeses, agindo na Inglaterra em 1919. Tommy Shelby ( o ótimo irlandês Cillian Murphy que também é cantor), mesmo não sendo o irmão mais velho, é o líder. Inteligente e torturado pelos traumas de guerra, é Tommy quem comanda a família e vai subindo na vida, aproveitando a proximidade até com Winston Churchill. Ah, falei em irmão mais velho? O personagem Arthur Shelby é assustador graças ao trabalho do ator inglês Paul Anderson ! Destaque também para fotografia e a trilha sonora ( ouçam no trailer da 5ª temporada que separei pra vocês).

 

SUCCESSION – 2 temporadas - HBO

Gostei da série desde a primeira temporada, mas parece que só agora – na segunda – ela começa a ser descoberta pelos cineseriéfilos. Que é ótima mesmo! Um patriarca dono de um império de comunicação e seus quatro filhos em luta para suceder o pai na presidência. Humilhações, puxadas de tapete, rivalidade pelo poder e pelo amor do pai autoritário...algo assim, meio Shakespeare revisitado. Ninguém é santo, embora o primogênito ative a compaixão da gente de vez em quando. Ótimo elenco, incluindo Kieran Culkin, irmão de Macaulin, interpretando o caçula irritante da família e Brian Cox, no papel do pai terrível.

 

MARAVILHOSA SRA.MAISEL – 2 temporadas – Prime Vídeo

Esta foi uma das séries que me fez assinar outro sistema de streaming, a Prime. E valeu a pena, pois Mrs.Maisel é ótima, cheia de humor, ironia e um elenco excelente. A senhora no caso é uma jovem dona de casa, judia, que incentiva o marido a se tornar um humorista. Até ele trocá-la pela secretária e ela acabar nos palcos, no lugar do marido. Nos anos 50, uma mulher fazer stand up era de uma ousadia imensa. O texto é ótimo, principalmente os do pai dela, ri muito!

 

CRIMINAL – 1 temporada – 4 blocos – Netflix

Esta foi uma das melhores surpresas que tive em 2019. São histórias de interrogatórios policiais ( sem ameaça física, ok ?) em quatro países: França, Alemanha, Espanha e Reino Unido. O cenário é o mesmo em todas as nacionalidades: a sala de entrevistas um pouco claustrofóbica e do outro lado, sem serem vistos, os outros membros da equipe. Os interrogadores seguem um padrão parecido, mas nas histórias espanholas o tom é mais assustador. Nunca sabemos no início se o interrogado é culpado ou não daquilo de que é suspeito. Às vezes nos surpreendemos muito com o desfecho. Para cada país, há 3 histórias, três entrevistados e um pouco das questões pessoas da equipe também.

 

O CONTO DA AIA – 3 temporadas – Canal Paramount/Net

A aterrorizante série baseada nos livros da australiana Margareth Atwood mostra uma distopia, onde o fundamentalismo religioso e o moralismo dominam a sociedade e oprimem as mulheres. Elas passam a servir de escravas sexuais e  diante da baixíssima taxa de natalidade, as poucas mulheres férteis são obrigadas a gerar filhos dos homens no comando. O pior de tudo é que a autora pegou dados reais de opressão para construir sua obra de ficção. The Handmaid`s Tale (título original) entregou sua 3ª temporada em 2019 e conseguiu ser ainda mais cruel. Muito do sucesso está baseado na interpretação incrível de Elizabeth Moss, que já tinha feito sucesso em Mad Men , uma das melhores séries já produzidas para TV.

 

THE DEUCE – 3 temporadas – HBO

O ano de 2019 trouxe a derradeira temporada de The Deuce. E que final, senhoras e senhores ! Dos mais brilhantes encerramentos de série que já vi. Bem, já comentei aqui várias vezes que acho The Deuce subestimada. Lembro sempre que não é uma trama bonitinha. Ela fala de prostituição de rua e do boom da indústria pornográfica nos Estados Unidos. A reconstituição de época, cenários e figurinos são espetaculares. Ótimo elenco, com James Franco interpretando dois irmãos gêmeos e Maggie Gyllenhall arrasando no papel de uma prostituta que se torna diretora de filmes.

 

VEEP – 7 temporadas – HBO

Este ano marcou também o fim da minha série de humor favorita. A maravilhosa Julia Louis-Dreyfus interpreta a vice-presidente dos EUA que tem ambições de chegar à presidência, claro. Cercada por uma equipe atrapalhada e ambiciosa, Celina Meyer deixará saudades com seus diálogos politicamente incorretíssimos e os bastidores da política tão terríveis quanto reais. Quem não viu, ainda tem chance de ver essa série várias vezes premiada merecidamente.

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AS MINIS

YEARS AND YEARS – 6 episódios – HBO

Num futuro recente, tão recente que mostra coisas do nosso passado e presente, uma família sofre vários reveses, como a quebradeira dos bancos, a perseguição ao namorado refugiado de um dos filhos da matriarca, a obsessão dos mais jovens pela tecnologia. Costurando tudo isso, uma candidata improvável à primeira-ministra da Grã-Bretanha que acaba se elegendo com promessas nacionalistas e populistas. Pra melhorar tudo isso, a política é vivida por Emma Thompson. O formato é bem inovador : a trama se passa durante 15 anos, mas a cada um dos episódios se passa um ou dois anos depois daquele que o precedeu. Assim mostra as mudanças pelas quais passaram os personagens nesse período de tempo. Uma história angustiante porque a gente se reconhece em algumas questões, mas muito bem contada.

 

CHERNOBYL – 5 episódios – HBO

Falei em história angustiante ali em cima? O que dizer então de Chernobyl? Confesso que custei a ter "coragem" de assistir a história de homens – e uma mulher - heróicos na luta para minimizar os danos do desastre da usina nuclear de Chernobyl, em 1986. Há cenas muito realistas dos funcionários afetados pela radiação, mas o mais importante é ver como os interesses políticos tornaram tudo pior para a população atingida. Entre muitos excelentes atores, um se sobressaiu: o britânico Jared Harris interpretando Valery Legasov, um dos que mais age para ajudar as vítimas e acaba "engolido" pela tragédia. A minissérie trouxe o assunto de volta e provocou até o dobro da procura de visitantes no Chernobyl-Tour, coisa de mais de 150 mil reservas. Digo que não entendo muito bem quem vai fazer turismo num lugar assim, mas confesso que estive em Roma e me recusei a entrar no Coliseu, um lugar que foi palco de tamanha dor e crueldade.

 

OUR BOYS – 10 episódios – HBO

Para fechar o trio de temas angustiantes cito essa minissérie americano-israelense que mostra o seqüestro e assassinato cruel do jovem palestino Mohammed Abu Khdeir, como retaliação ao assassinato de três jovens israelenses. A trama vai mostrando a luta dos pais de Mohammed, primeiro para saber o que houve com o garoto de 16 anos, depois para que a justiça - pendente para o lado dos réus- seja feita. As mortes dos quatro jovens desencadearam uma guerra de sete semanas entre Israel e o Hamas, que comanda a Faixa de Gaza. Destaco o trabalho do Johnny Arbid, um ator pouco conhecido no Brasil ( tive que pesquisar muito para saber quem era) que interpreta o pai do jovem assassinado. Ele me fez chorar várias vezes, interpretando o pai devastado e se sentindo culpado e impotente para fazer justiça ao filho.

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PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE CINEMA...

 

O IRLANDÊS – direção: Martin Scorsese - 2019

Ok, é filme de streaming, mas também foi exibido em salas de cinema. Scorsese, um dos mais importantes diretores em atividade, seguiu o mesmo caminho de Alfonso Cuarón com Roma no ano passado e fez O Irlandês para a Netflix. Aliás, três horas e meia de duração fica melhor no sofá de casa, dizem muitos espectadores. O filme pode ser assistido como uma minissérie em três episódios.

Bueno, Scorsese está de volta ao mundo dos gangsters ( quem não lembra de Os Bons Companheiros e Cassino), mas agora sob um ponto de vista que ele mesmo está vivendo: o envelhecimento. A história se dá em várias épocas e portanto vemos os atores envelhecendo, rejuvenescendo e envelhecendo ainda mais. Falei atores? O elenco é um verdadeiro arrasa-quarteirão: Robert DeNiro ( o irlandês), Al Pacino ( Jimmy Hoffa), Joe Pesci ( que hesiteou muito a sair da aposentadoria para trabalhar no filme) e Harvey Keitel (pouco aproveitado na minha opinião). A história gira em torno de Frank Sheeran, o irlandês que volta da guerra condecorado e acaba se integrando à máfia e virando faz-tudo de Jimmy Hoffa, o mais influente sindicalista dos EUA. Desaparecido sem que jamais encontrassem seu corpo na vida real, no filme ele é assassinado pelo irlandês.

Não perca a chance de assistir. O irlandês é sério candidato a várias indicações no Oscar/2020.

 

A VIDA INVISÍVEL – direção: Karim Ainouz – 2019

Expectativas grandes demais podem acabar causando frustrações. Longe de não ter gostado de A vida invisível, saí do cinema menos arrebatada do que imaginava que sairia, diante do entusiasmo da crítica e de algumas pessoas próximas com o filme de Karim Ainouz. A história é triste, muito triste, tanto que o diretor não tem pudor em chamá-lo de melodrama. Duas irmãs muito próximas acabam separadas quando uma delas foge com um marinheiro. A outra, sonha em estudar piano em Viena, mas acaba vivendo uma rotina limitada pelo casamento. Estamos falando dos anos 40 e de um forte domínio patriarcal. Elas passam o resto da vida tentando se reencontrar e no final do filme vemos a pianista, já velha, no corpo de Fernanda Montenegro. E aí eu digo: foram para mim os 15 minutos mais emocionantes do filme. Não vou ser redundante de falar que atriz espetacular é essa mulher, mas...bem já falei. A vida invisível disputou com Bacurau, de Kleber Mendonça, a indicação para representar o Brasil no Oscar. É a história das duas irmãs que está tentando uma vaguinha ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Vamos aguardar.

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E O TCHAUZINHO É DE LEONARDO DICAPRIO QUE ESTÁ NOS NOTICIÁRIOS NÃO PELOS FILMES, MAS POR SEU TRABALHO EM FAVOR DO MEIO AMBIENTE...


THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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