Maio 29, 2018

O ouro negro fonte de energia, fortunas, guerras e ... filmes

O ouro negro fonte de energia, fortunas, guerras e ... filmes

Há muitos assuntos na ordem do dia, mas escolhi um que já rendeu vários roteiros e comanda a vida das nações: o petróleo. Apoios e acordos políticos entre os países não se dão pela afinidade cultural, pela fraternidade universal ou ligações históricas. Quem comanda é ele: o ouro negro, gerador de muitas guerras. Quem tem mais, quem tem menos, qual a moeda de troca etc... Ter solo rico em petróleo não é garantia de povo sem pobreza. Angola, por exemplo, é o segundo produtor de petróleo da África, mas isso não se reflete na qualidade de vida dos cidadãos, como concluiu o relatório social do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola.

 O Catar que passou de muito pobre a um dos mais ricos do mundo e agora vê sua cultura, privacidade e tradições desaparecendo porque para cada catari há sete estrangeiros no país. (fonte: BBC). Isso sem falar na explosão imobiliária e no prejuízo ambiental.

Mesmo na velha e poderosa Europa, o petróleo deu nome a um "mal' da economia de um país, a "doença holandesa". Em termos sucintos e leigos, equivale dizer que por causa de um enorme ganho de exportação de um país produtor há um declínio da sua indústria nacional. 

Minha seleção abrange aspectos diferentes sobre o ouro negro. Há histórias romantizadas e outras mais críticas que tentam mostrar como funciona o mundo dos grandes trustes. No mais, fiquem à vontade para incluir os seus preferidos na lista, pois ela nunca está completa: cineseries@portalmakingof.com.br ou nos comentários no final da coluna ( é fácil comentar pelo Disqus, por exemplo). Podem ampliar o rol, criticar e, de preferência, elogiar a coluna. ;-)

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ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE ( direção: George Stevens – EUA – 1956)

Esse épico reúne um trio de estrelas de primeira grandeza: Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean. O eixo da história é a família Benedict, com Rock e Liz interpretando tradicionais fazendeiros do Texas. Enquanto a saga continua, tudo vai mudando ao redor com a descoberta do petróleo. Entra na trama  Jett Rink, vivido por Dean, um jovem pobre de origem irlandesa que será o pivô de uma reviravolta. "Giant", o título original, é um filme grandioso e as interpretações são primorosas. Foi o último trabalho de James Dean que não chegou a ver o filme pronto, pois morreu em um acidente de carro aos 24 anos. Liz e Rock se tornaram amigos pelo resto da vida. Ela o apoiou nos últimos anos de vida, quando Rock assumiu a homossexualidade e a doença que o mataria, a Aids.

"Assim Caminha a Humanidade" recebeu o Oscar de melhor direção e várias outras indicações.

 

SANGUE NEGRO ( direção: Paul Thomas Anderson – EUA – 2007)

Já quando vi Daniel Day-Lewis no trailer meu sangue gelou. Havia uma tal ferocidade naquele personagem que fui assistir o filme com certo temor. E Daniel Plainview, interpretado por Day-Lewis não é fácil, não. Ele é um modesto mineiro que, à beira do século XX, vê no petróleo a sua chance de enriquecer. Parte então para uma pequena cidade com o filho adotivo que ele utiliza para conquistar a confiança da comunidade. Seu sucesso financeiro não se repete na vida pessoal. Cada mais mais ganacioso, competitivo e obcecado, Plainview segue rapidamente rumo à loucura. A religião é outro ponto importante na história. Daniel Day-Lewis ganhou o Oscar de melhor ator e todos os outros prêmios que viu pela frente naquele ano. Atorzaço, filmaço !

 

VIRUNGA ( direção: Orlando Von  Einsiedel – Reino Unido/Congo- 2014)

Esse documentário foi rodado na República Democrática do Congo, onde o Parque Nacional de Virunga abriga o que resta dos gorilas da montanha no mundo. Quatro guardas florestais protegem o parque contra as milícias e os interesses da petrolífera em explorar petróleo, pouco importando que isso signifique a extinção da espécie. O Congo é um dos países mais pobres do mundo e os congoleses lutam desesperadamente pela sobrevivência, um terreno fértil para o suborno e a corrupção das grandes e gananciosas  petrolíferas.

"Virunga" recebeu vários prêmios como filme de não ficção.

 

HORIZONTE PROFUNDO (direção: Peter Berg – EUA – 2016)

Esse drama de ação se baseia em fatos e trata de um dos piores vazamentos de petróleo da história americana. O incidente aconteceu no Golfo do México, na plataforma de marítima Deepwater Horizon. A história mostra os trabalhadores embarcados lutando para sobreviver ao acidente. Na liderança está Mike Williams, interpretado por Mark Wahlberg.

 

LA CORDILLERA ( direção: Santiago Mitre – Argen /Fra/Esp– 2017)

Ainda não assisti, então repasso a vocês a sinopse sem avaliação: presidentes dos países da América do Sul e o do México têm um encontro marcado no Chile para discutir a Associação Petroleira do Sul,  organização que pretende fortalecer a posição desses países em relação à compra e venda de petróleo. O recém-eleito presidente da Argentina, segue para o encontro com certo temor, pois paira sobre ele a ameaça de divulgação  de um antigo desvio em fundo de campanha. Ele terá que decidir entre o jugo dos EUA ou o poder do governo brasileiro. Além disso, enfrenta problemas na vida pessoal com a filha que sofre um surto e para de falar.

O assunto é atual, os personagens lembram políticos da vida real que temos visto diariamente nos telejornais. Ah, ganha um doce quem adivinhar qual ator interpreta o presidente americano! Vou dar as iniciais: RD ...


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Outros filmes do tema: O Príncipe do Deserto, Horas decisivas, Hellfighters, A louca de Chaillot, Palavras ao Vento...

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O LIVRO QUE VIROU FILME

O LIVRO : SEE NO EVIL (DESERTO DO MAL) -  Robert Baer – 2002

Não cheguei a ler o livro, mas se trata de uma história verídica, relatada por um veterano da CIA, Robert Baer.  Ele esteve no Centro de Operações da agência no Oriente Médio e sustenta que Washington dificultou a guerra contra os maiores terroristas do mundo. O interesse dos EUA no petróleo da região, permitiu a ascensão de Osama Bin Laden e da Al-Qaeda, bem como as fugas constantes de Saddam Hussein no Iraque. Baer participou da caçada a Saddam, como relatou ao jornalista brasileiro, Geneton Moraes Neto : "Tentei matá-lo. Só lamento não ter conseguido. Porque não teríamos tido essas guerra desastrosa que temos no Iraque. A invasão do Iraque, em 2003, foi uma loucura. Nós – você, eu, todo mundo – vamos pagar por ela. Cem mil iraquianos foram mortos sem necessidade. O equilíbrio do Oriente Médio foi destruído. É uma catástrofe – ainda que consideremos apenas o número de mortos. E será uma fonte de instabilidade no Oriente Médio pelos próximos cem anos, graças a George W. Bush, a Dick Cheney ( vice-presidente no Governo Bush) e todo o resto. Aquilo foi uma loucura. Não há outra forma de descrever".

Sem dúvida, Bob Baer é um dos maiores especialistas nos conflitos do Oriente Médio e ainda tem muito o que contar. Não tenho certeza que "See no Evil" tenha sido traduzido no Brasil, mas há a versão de Portugal, intitulado "Deserto do Mal".

O FILME: SYRIANA – A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO (direção: Stephen Gaghan – 2005)

O livro serviu apenas de inspiração para o filme, tanto que "Syriana" acabou ganhando o Oscar de Melhor Roteiro Original. George Clooney , que também produziu o filme, interpreta um homônimo do escritor: Bob Barnes

Como descreve Marcelo Hessel, do site "Omelete" : "Barnes é um especialista em Oriente Médio há duas décadas, herói do famoso e intrincado seqüestro terrorista de um avião no Líbano em 1985, Bob não é um santo. Troca arsenal com terroristas em favor de cooperação. Numa de suas ações, porém, uma arma vai parar em mãos erradas. A CIA vira alvo do noticiário. Bob é colocado de molho. Até que surge uma nova tarefa: caçar um príncipe árabe, futuro emir, que tem ideias anti imperialistas."

É preciso que se diga que "Syriana" é um filme difícil que requer ser visto mais de uma vez e, de preferência, com leituras auxiliares sobre os interesses  políticos e econômicos das grandes nações nos conflitos do Oriente Médio. Para quem tiver paciência e atenção, " Syriana" é uma verdadeira aula de geopolítica.

Curiosamente, George Clooney recebeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante mesmo tendo o papel do protagonista da história. Matt Demon, Christopher Plummer e William Hurt também estão no elenco de "Syriana".

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É COISA NOSSA

O PETRÓLEO É NOSSO ( direção :  Watson Macedo  - 1954)

O título do filme é o mesmo do slogan da campanha do governo brasileiro no final da década de 40, culminando na criação da Petrobrás nos anos 50, já no governo Getúlio Vargas.

Mas, longe de ser um documentário, o filme é uma paródia musical, bem ao gosto do cinema brasileiro da época. A história gira em torno do inescrupuloso dono de uma companhia de petróleo, tentando se apossar das terras de uma senhora, D.Perpétua. O nome de sua empresa é "Petroneca", ou seja, de petróleo ?...neca! Ele acredita que haja petróleo na propriedade de D. Perpétua , então ela acaba chamando um geólogo estrangeiro para avaliar o solo do terreno.

O elenco é repleto de grandes estrelas da época: Emilinha Borba, Ivon Cury, Zezé Macedo, John Herbert...

Pode ser divertido, em pleno momento da venda de nossas reservas, ver como o tema era tratado quando a luta era exatamente contrária. No mais, muita música, muita euforia, muitas cenas engraçadas, a marca das comédias da época.

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FORA DA PAUTA

TEM CATARINENSE NO MAIOR FESTIVAL DE ANIMAÇÃO DO MUNDO

Já falamos sobre "Almofada de Penas" na coluna na época do lançamento e nosso entusiasmo não foi em vão. Parabéns à equipe!

O filme Almofada de Penas, animação em stop motion que teve sua produção desenvolvida em Florianópolis, foi selecionado para participar do Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy (França). O evento é considerado o maior e mais importante festival de animação do mundo e será realizado no mês de junho.  O curta, que tem 12 minutos, é o único filme catarinense selecionado para o festival, exatamente no ano em que o Brasil será homenageado por suas animações.

A estreia mundial acontecerá na França no Festival de Annecy, e a estreia nacional acontecerá no maior festival de animação da América Latina, o Festival Anima Mundi.

World Premiere no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy - Seleção Oficial de Annecy, 2018. 
De 11 a 17 de junho.

Festival Internacional de Animação Anima Mundi - Selecção Oficial Anima Mundi 2018.
De 24 a 29 de julho no Rio de Janeiro e de 1 a 5 de agosto em São Paulo.

Peças como cenários, bonecos, moldes e figurinos utilizados durante as gravações estão expostas desde o dia 22 de março no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC), na capital. A mostra, que segue até 17 de junho, já recebeu a visita de cerca de três mil pessoas. A pré-estreia do filme foi realizada junto com a abertura da mostra, em três sessões na Sala de Cinema do Centro Integrado de Cultura (CIC).

Trailler oficial:
https://vimeo.com/260687004

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BEIJO DE CINEMA

Procurei um beijo da dupla estelar Rock Hudson e Elizabeth Taylor e não encontrei. São sempre afagos, rostos próximos, QUASE beijos. Provavelmente isso fazia parte do Hays Code , um Código de Normais Morais aplicadas aos filmes, a partir dos anos 30. Essa onda conservadora  , onde cada estado americano podia decidir o que censurar a seu bel prazer, durou até 1968 ! O Code foi criado por Hollywood como forma de evitar a censura oficial mais rigorosa. Quem gosta dos clássicos já deve ter notado que em muitos filmes antigos os casais dormem em camas separadas. Quando eu era criança achava que era um hábito do povo americano, mas na verdade isso se dava apenas no cinema.

Tudo que pudesse, minimamente , lembrar sexo deveria ser evitado. Claro, alguns diretores usavam recursos  para juntar os dois amantes, como dividir a tela e reuni-los na edição. O casal acabava se abraçando no sofá, na cadeira, no chão...menos na cama, que às vezes, apareciam em dupla ao fundo da cena, vazia e inúteis as pobrezinhas ...rs. Ou então, se fosse uma cama só, o ator deitava e a atriz ficava sentada ou vice-versa.

Bem apesar de tudo, os fotógrafos dos estúdios eram tão incríveis e Liz e Rock tão maravilhosos que as fotos acabavam lindas e sensuais, mesmo sem beijo explícito! Por isso, decidi mostrá-los.





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HASTA LA VISTA, BABY!

Frases de Cinema

 

Americanos gostam de fazer buracos no país dos outros. (Syriana)

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Capitalismo não existe sem desperdício. (Syriana)

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"E você acha que eu não sei disso? Quando aceitei a melhor oferta da China para explorar meus poços, o fiz pensando em meu povo, em usar o dinheiro para melhorar a condição de vida de todos, investir em infraestrutura e bem estar social. Por isso, agora sou chamado pela mídia e pelo seu governo  americano de terrorista, comunista e ateu!". ( Príncipe Nasir, personagem de "Syriana" respondendo sobre o inevitável fim das reservas petrolíferas e as consequências para os povos do Oriente Médio)

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"Corrupção? Corrupção é a intrusão do governo no mercado na forma de regulação. Temos leis contra ela justamente para que possamos sair impunes. Corrupção é a nossa proteção! Corrupção nos mantém salvos e aquecidos! É graças à corrupção que você e eu viajamos o mundo ao invés de brigar nas ruas por um pedaço de carne! Corrupção é o motivo da nossa vitória!". ( Político conservador flagrado em ato de corrupção)

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MENS@GEM PARA VOCÊ

De: Dedé Ribeiro

Minha teoria é de que assalto a banco dá aquela ilusão de roubar de quem tem demais, explora o povo e ainda rouba um pouco da gente. Se o plano é bom e não tem vítimas, então, impossível não torcer pro assaltante! Grandes filmes!

R.: É bem isso, Dedé. A tal Síndrome de Robin Hood...acho que o espectador se sente um pouco vingado por causa dos juros exorbitantes.

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De: Juliana Bergmann

Já adicionei "A casa de papel" no Netflix. Realmente, vejo todos comentando muito sobre ela, e falando bem. Fez sucesso aqui. Mais uma série para assistir! :)

R : Juliana, a série nem é isso tudo, mas há algo nela que prende. Como será que um golpe tão louco vai acabar ? Como o original era uma minissérie, espichar a trama deixou furos no roteiro. Mas, tem que conferir...

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De: Mário Antonio

Cara Brígida,

Obrigado por transcrever o comentário sobre 'Waterworld'.

Lembrei do filme canadense com Elliot Gould e Christopher Plummer - "O Sócio do Silêncio" - que foi citado aqui num comentário da coluna como filme de natal, e que também pode ser classificado como um enredo de assalto a banco (de fato uma pequena agência (PB) dentro de um grande shopping)!

Boa lembrança! E Elliot Gould e Christopher Plummer já fazem valer a pena.

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Só pra me desmentir, olhem o que encontrei bem no fim...sim, Liz e Rock Hudson!



THE END

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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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