Junho 19, 2020

O padrão catarinense chega aos respiradores

O padrão catarinense chega aos respiradores
SECOM

O governador Carlos Moisés da Silva se emocionou ao discursar durante a visita à WEG, em Jaraguá do Sul, enquanto conhecia de perto a produção de respiradores da empresa de excelência catarinense que virou uma solução e capítulo à parte em um dos mais delicados problemas no combate à pandemia.

O elogio direto à qualidade do povo catarinense se aplica e está longe de ser um ato de xenofobia.

A demonstração eloquente de respeito contrasta com o que se ouviu na CPI dos Respiradores, na Assembleia, quase que ao mesmo tempo, o empresário Rafael Wekerlin, da empresa Brazilian International Bussiness, de Joinville, confirmava um fato nada abonador, umaprática nefasta.

WEkerlin explicou aos deputados que, ao ser contatado por seu representante, Cauê Martins, de que a empresa Cima pretendia fornecer os ventiladores pulmonares, adiantou uma proposta, depois copiada pela Veigamed, mas retirou-se da negociação ao ouvir que, para garantir a participação, teria que pensar “na comissão de R$ 3 milhões dela”, segundo Samuel de Brito Rodovalho. A conversa terminou por aí.

 

O fato

De acordo com Wekerlin, que desistiu da negociação após ouvir a provocação, debatida em um grupo de WhatsApp, ele já havia informado que os R$ 33 milhões não seriam suficientes para fechar a operação de importação e pagamento dos impostos que seriam gerados pelo ato jurídico, além disso, poque pagar comissão em um negócio onde a Brazilian International Bussiness nada levaria de lucro ou vantagem financeira.

A figura que personifica “dela” deveria ser esclarecida por Rodovalho, que foi dispensado do depoimentos minutos antes porque estava em Florianópolis, via aplicativo Zoom, mas no escritório dos seus advogados e poderia ter se deslocado à Assembleia, na opinião do relator Ivan Naatz (PL), o que foi confirmado pelos demais integrantes da CPI. Agora, seu depoimento tornou-se essencial.

 

Deu de tudo

Da desistência da testemunha, que ficou evidente desagradou os deputados por não gostarem de um pedido em função da gravidez da esposa e da idade da mãe de Rodovalho, à queda de energia elétrica, que interrompeu por alguns minutos, o depoimento desta quinta teve de tudo.

A CPI começa a entrar na fase de reuniões para início da confecção do relatório, mas antes terá que ouvir Rodovalho, de novo o controlador-geral do Estado Luiz Felipe Ferreira, o advogado Leandro de Barros e as duas novas figuras, Cauê Martins que avisou Wekerlin da pressa do Estado e seu amigo identificado apenas por Germano, que alertou sobre a pressa na compra.

 

De goleada

Pela segunda vez foi negado um habeas corpus para soltar o ex-secretário Douglas Borba (Casa Civil).

Ele está detido no Centro de Ensino da PM, depois de ter sido preventivamente por supostamente estar destruindo provas, de acordo com o Gaeco.

 

DENISE LACERDA/DIVULGAÇÃO

DEVE AJUDAR

A defesa de uma investigação feita pelo Tribunal de Contas da União sobre as denúncias de corrupção na compra de respiradores e outros equipamentos no combate à pandemia foi feita pela deputada federal catarinense Carmen Zanotto, do Cidadania, relatora da Comissão Mista Externa do Congresso, que analisa os gastos e ações contra a Covid-19. Para Carmen, estamos diante de um momento ímpar no país, onde o pior erro está em favorecer o enriquecimento ilícito em contraponto à necessidade de salvar vidas. O fato está entre os preços superfaturados e os que agiram de má-fé, verdadeiros criminosos diante de uma crise se precedentes na história recente da humanidade.

 

Esperançoso

O senador Dário Berger (MDB) comemorou a aprovação pelo Senado do projeto de suspender temporariamente o pagamento das prestações de crédito consignado durante a pandemia, que deve beneficiar aposentados e pensionistas.

Dário havia apresentado um projeto semelhante e conseguiu que o presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) retornasse com a matéria à pauta. Agora, falta a votação na Câmara.

 

Paroquial

Está fervendo a disputa paroquial entre o deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT) e o federal Daniel Freitas (PSL), coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, ambos com base em Cricíúma.

Minotto disse que a bancada federal no Congresso não tem feito a intervenção junto ao Ministério da Saúde para beneficiar Santa Catarina, enquanto Freitas rebateu e disse que, até agora, além do empenho dos deputados e senadores, o Ministério liberou mais de R$ 1 bilhão, metade para o Estado e a outra parte para as prefeituras e ainda conta a entrega de equipamentos e insumos para o combate da pandemia. O outro ponto da discórdia foi a habilitação de leitos de UTI, placar favorável ao governo, de acordo com Freitas.

 

Cara de pau 1

Fabrício Queiroz, ex-assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje senador, na Assembleia do Rio de Janeiro, não era foragido da Justiça mas estava em Atibaia, interior de São Paulo, onde se submetia a um tratamento de um câncer, quando foi preso. Queiroz se diz um negociante, mas a movimentação de R$ 1,2 milhão em sua conta corrente, em 2018, levantada pelo Coaf, esquentou a investigações de outros 74 servidores e ex-servidores do Legislativo fluminense, mas a sua prisão vira um problema pela proximidade que o ex-policial militar e sargento do Exército tinha com a família presidencial, sem contar que o advogado que os atende deu guarida ao fujão.

 

Cara de pau 2

Fabrício Queiroz era hóspede e não de agora na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, no interior paulista.

Sério candidato a cara de pau do ano, Wassef sempre negou qualquer envolvimento com Queiroz e chegou a afirmar desconhecer o paradeiro dele por, no mínimo, duas vezes, no ano passado em entrevistas à imprensa. "Não sei. Não sou advogado dele", dizia.

 

Vitória maiúscula

Daquelas para emoldurar e pôr na parede foi a do prefeito Gean Loureiro (DEM), que, depois de um ano, viu a turma criminal do TRF-4, com sede em Porto Alegre, não aceitar a denúncia contra elena Operação Chabu.

O que era uma suposta ação para atrapalhar investigações e vazar fatos investigados pela Polícia Federal, morreu na casca e triou a retórica dos adversários de Gean, que, se antes apelavam para São Chabu, agora terão que trabalhar em outras frentes para desestabilizar o prefeito candidato à reeleição.

 

Reação

Do escritório do advogado Diogo Pítsica e Mauricio Natal Espilera, Gean disparou agradecimentos aos que entenderam o momento que viveu há um ano, as denúncias de uma suposta sala secreta, que impedia a interceptação de escutas pela PF, que nunca se comprovou, e o desgaste ao ser detido, convidado a depor e ter que adiar um compromisso com um ministro d e Estado, que daria o start para a triplicação da Via Expressa, a BR-282.

Gean foi afastado do cargo, foi condenado pelas redes sociais, em minutos, sentença “transitada em julgado”, e agora, passada a grande cobrança, promete dar uma cópia da decisão a cada uma das quatro filhas em um envelope e pedir desculpas pelo que elas passaram.

 

Mais ineditismo

Não é pouca a comemoração a que Gean, seus correligionários e advogados têm direito, já que quebraram uma tradição, a do desembargador federal Leandro Pausen, que jamais deixou de aceitar uma denúncia contra um detentor de mandatou ou servidor público acusado de qualquer crime, vide as diversas condenações da Lava Jato.

E o que era uma mancha para as eleições, agora virou redenção e um troféu para o prefeito.

 

GUTO KUERTEN/DIVULGAÇÃO

FISCAL DAS PONTES

Não é só a foto, em tom quase que dramático, que marca preocupação do deputado Bruno Souza (NOVO) com a situação das pontes que ligam a Ilha de Santa Catarina à parte continental da Capital Florianópolis. Foi Bruno quem propôs a CPI da Ponte Hercílio e foi ele também que denunciou ao TCE e órgãos do governo do Estado a necessidade de reforma das bases de fundação das Pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos. Com base em laudos técnicos da empresa que realiza a manutenção das duas obras de arte, Bruno conseguiu que o TCE cobre providências do governo do Estado e que a obra fosse acelerada. O deputado criou inclusive um canal nas redes sociais, pelo número (48) 99925-8035 e no #Fiscaliza SC para receber outras denúncias.

 

Vai tarde

Ministro Abraham Weintraub (Educação) mais incomodou do que ajudou ao governo de Jair Bolsonaro, apenas jogou para a torcida mais radical em declarações contra os ministros do STF e o Congresso Nacional.

Foi tanta lambança, com direito a multa por andar sem máscara pela Esplanada dos Ministérios em dia de protesto, que também estava proibido, fora os erros de português nas mensagens nas redes sociais, que é melhor ir para longe, nos Estados Unidos, no Banco Mundial ou mais além. Foi tarde!

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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