Março 29, 2018

O papel mais difícil ficou com Marun

As notícias eram positivas para Santa Catarina, o aumento mensal de R$ 10 milhões por mês de repasse à Saúde em 12 parcelas – R$ 120 milhões no total – e uma visita ao Centreventos de Balneário Camboriú, uma maneira de sensibilizar o Palácio do Planalto para mais recursos à obra, R$ 16 milhões, porém esta agenda não livrou o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) de tratar de um assunto nada palatável: a prisão dos amigos do presidente Michel Temer, o advogado José Yunes, o coronel PM João Batista Lima Filho e o ex-ministro Wagner Rossi (Portos), na Operação Escala, da Polícia Federal. Marun, que, no primeiro compromisso, fez o anúncio da verba para a saúde no gabinete do governador em exercício Eduardo Pinho Moreira, foi direto ao ponto e declarou que as investigações sobre supostos benefícios à empresa Rodrimar, que opera em Santos, por um Decreto de Portos “é como investigar o assassinato de alguém que não morreu. Estão investigando um decreto que – já está comprovado – não beneficia a empresa”. O caso rumoroso atinge diretamente Temer e as especulações de que seria candidato à reeleição, principalmente porque a oposição, a partir das ações da PF, da Procuradoria Geral da República e do Supremo, quer novo pedido de investigação com autorização da Câmara, que, se aprovado, levaria ao afastamento da Presidência.  

 

Sem prejuízo

Independentemente da saia justa do Planalto e de Michel Temer, o assunto não interferiu no anúncio positivo à saúde catarinense. A verba extra começa a ser liberada no mês que vem e atenderá os serviços de média e alta complexidade incorporados do SUS pela Secretaria Estadual, que causaram um prejuízo de R$ 17 milhões por mês e já contabilizado pelo governo federal que admite a dívida com Santa Catarina de R$ 212,9 milhões, valores apurados a partir de cálculos apresentados pelo Fórum Parlamentar Catarinense.

 

Dica

Que os governos estaduais e dos municípios evitem qualquer agenda com figuras do governo federal em vésperas de feriadões ou nas sextas-feiras. Os grandes escândalos na área da PF ou do Judiciário estouraram entre esses dias, sem contar as repercussões de julgamentos na sessão extraordinária mais ordinária da história no Supremo Tribunal Federal.

 

Grande

Com dois metros de altura e uma circunferência respeitável o ministro Carlos Marun torna-se um problema, às vezes, bem mais físico do que auditivo, quando dispara sua metralhadora giratória. Tanto que, na passagem por Santa Catarina, foi responsável por dois assessores do governador ficarem fora do helicóptero que levou as autoridades de Florianópolis para Balneário Camboriú.

 

Amigo velho

Gaúcho de Porto Alegre, embora tenha feito carreira política no Mato Grosso do Sul, Marun encontrou uma amizade antiga dentro do governo do Estado catarinense. Foi colega do secretário adjunto da Fazenda, Marco Aurelio Dutra, no Colégio Militar na Capital gaúcha.

 

Pedido

Não é a primeira vez, mas o deputado federal Rogério Peninha Mendonça (MDB) pediu agora ao ministro Carlos Marun que o catarinense Vinícius Lummertz, presidente da Embratur, seja nomeado ministro do Turismo. Uma das justificativas, além da qualidade técnica de Lummertz: desde 1988, com Luiz Henrique da Silveira (governo de José Sarney, na Ciência e Tecnologia), e  1993, com Dejandir Dalpasquale (Governo de Itamar Franco, na Agricultura), os emedebistas não emplacam um ministro. O contexto não poderia ser mais político, pois Marun disparou, depois de passar boa parte do dia com Eduardo Pinho Moreira, que “como emedebista, não tenho dúvida: a candidatura do MDB ao governo de Santa Catarina é inquestionável”. Para bom entendedor.

 

Vale para todos

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo, afirmou que deve se ter cuidado nas investigações ao defender as prisões da Operação Escala, que teve 13 prisões temporárias decretadas pelo ministro Luís Roberto Barroso. O problema é que depois do espetáculo e da intensidade como são divulgadas as tais detenções, como alguém não passa por culpado diante da sociedade, um pré-julgamento que cerceia o direito do cidadão, mesmo antes de denúncia pelo Ministério Público Federal ou por uma condenação pelo Judiciário.

 

EDUARDO CORREIA/DIVULGAÇÃO

PAVAN SAI DIA 6

Depois que a Volvo Ocean Race fizer a aberturta oficial na passagem por Itajaí, o secretário Leonel Pavan (Turismo, Esporte e Cultura) deixará a pasta para retornar à Assembleia. Isso tudo em tempo de se desincompatibilizar para concorrer em outubro. Se dependesse dele, o tucano que já foi governador estaria na chapa majoritártia ao lado do MDB. Na foto, Pavan em uma das muitas comemorações que devem marcar a despedida, com os servidores e integrantes do Conselho estadual de Turismo: Eduardo Loch, Volnei Koch, Raphael Kalil Dabdab Neto, Rogério Siqueira, João Eduardo Amaral Moritz, Fabrício Medeiros de Medeiros e Carlinho Bogo.
  

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