Novembro 19, 2019

O PSDB abre as portas para Merisio e Lummertz

O PSDB abre as portas para Merisio e Lummertz
DIVULGAÇÃO

Há pouco mais de um ano, antes e durante a campanha eleitoral, o então deputado Gelson Merisio (PSD) era execrado dentro do PSDB e apontado como o causador de muitos males da sigla que demorou a construir uma aliança com o MDB, de Mauro Mariani, e partiu para uma derrota com repercussão na diminuição das bancadas na Assembleia e na Câmara dos Deputados, além da perda de um senador.

Vinicius Lummertz era ministro de um governo tapa-furo de Michel Temer, enquanto estava de carona no MDB, sigla a que por mais tempo pertenceu pelas mãos de Luiz Henrique, o que não lhe dá, necessariamente, votos, porém tinha seu valor no Turismo - sempre foi um bom quadro executivo, daí o interesse de Doria.

Por isso, o anúncio da presidente estadual do tucanato, deputada federal Geovania de Sá, da filiação futura de ambos, feito com certa pompa, na noite desta segunda (18), junto ao “principado” de João Doria Júnior (foto), em São Paulo, e ao lado do presidente nacional do PSDB, o ex-deputado federal Bruno Araújo, mais parece uma aposta em um futuro que o partido perdeu em Santa Catarina.

Nesta linha está a saída de sua principal estrela, o ex-prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes, circunstancialmente filiado recentemente no mesmo PSD, que Merisio abandonou por não ter mais espaço.

 

Em resumo

Merisio trabalha há meses para criar um fato político, ensaia concorrer à prefeitura de Joinville, onde é um peixe fora d’água, e reativou todos os seus consultores estratégicos, na mídia principalmente, quando obteve generosos espaços para chamar o governo de Moisés de “preguiçoso”.

Faltava um partido, depois de negativas do PP, do Podemos e do Republicanos, justamente pela proposta ser concorrer ao governo, depois de um trampolim na eleição municipal, um passo tão arriscado que ninguém quis topar, afinal as fraturas expostas do passado recente deixadas por Merisio ainda espetam.   

 

O quadro

Lummertz concorreu à prefeitura de Florianópolis, em 1996, pelo PFL, com o bordão “O Vinícius é querido (quirido, no manezês), que pegou mais do que a candidatura que não decolou na disputa vencida por Angela Amin (PPB, depois PP, sucedâneos do PDS).

O catarinense de Rio do Sul mostrou enorme competência à frente do Ministério do Turismo e já era “quase tucano” quando foi convidado por João Doria para exercer a secretaria da mesma pasta.

 

DIVULGAÇÃO

TUDO COMEÇOU AQUI

Em 16 de setembro passado, em uma cafeteria no Ceisa Center, no Centro da Capital, a coluna captou este encontro que nada tinha de premonitório, mas de decisivo para a ida rumo ao PSDB, algo que nenhum tucan o teve coragem de desmentir. Dele participavam Gelson Merisio; o secretário-geral do PSDB catarinense, o ex-presidente da Assembleia Gilmar Knaesel; e o ex-senador Dalírio Beber. Minutos antes, o que a câmera do celular não conseguiu captar, houve a passagem relâmpago do deputado estadual Marcos Vieira, ex-presidente do tucanato no Estado, e um antigo desafeto das ações truculentas de Merisio, que não deixaram saudade em lugar algum. Parece que tudo foi deixado para trás em nome de um projeto que passa por 2020 e aponta para uma candidatura ao governo em 2022. Mas se os adversários, novos ou antigos, esquecem, a aposta é que o eleitor também o faça. Ah, há algo que pesa: Merisio tem fama de ter muito dinheiro e bancar os projetos que deseja, embora tenha deixado a dívida da campanha ao governo para Gilberto Kassab, da cúpula do PSD nacional, pagar.

 

A ação já teve início

As frequentes ações do deputado Marcos Vieira, presidente da poderosa Comissão de Finanças, contra o governo de Carlos Moisés da Silva mostram que a articulação que envolve Merisio, o derrotado em 2018, de forma acachapante, passe necessariamente pela preparação de um ambiente de eventual fracasso da atual administração.

Neste bloco, fica a dúvida em relação a atuação do PSD, principalmente de seu presidente estadual Milton Hobus, que sabe que estar com Merisio seria um duplo erro, mas é possível entender os interesses do PP, que tem demonstrado apreço pela causa contrária a Moisés, uma estratégia política interessante, que, de tão óbvia, pode até dar certo se não der em nada.

 

Combinaram com eles

O ex-senador Paulo Bauer, hoije asessor especial da Casa Civil no Congresso, pretendia testar seu nome nas urnas em 2020, em Joinville quem sabe. 

Já o prefeito de Criciúma, o praticamente reeleito Clésio Salvaro, nunca escondeu de ninguém o interesse de concorrer à majoritária em 2022.

Será que disseram o que Merisio veio fazer no PSDB para ambos?

 

Ainda faltam os estados e municípios na reforma

Por duas vezes, o presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) adiou a votação em segundo turno da chamada PEC Paralela da Previdência Social, a que pretende incluir estados e municípios nas regras já aprovadas para o serviço público federal e o Regime Geral (INSS), e tentará fazê-lo nesta terça (19).

Sem os entes federados, que debaterão a matéria em lei ordinária e não como PEC, além de diminuir a economia pretendida pelo Ministério da Economia em cerca de R$ 500 bilhões – a reforma obtida até agora significou R$ 800 bilhões em 10 anos -, permite a preservação de privilégios que, ao longo de décadas, foram transformados em benefícios.

 

À míngua

As prefeituras e os governos dos estados estão quebrados, e, mesmo os equilibrados como Santa Catarina, já contabilizam um rombo de mais de R$ 3,7 bilhões nas contas para pagamento de aposentadorias e pensões ao funcionalismo este ano.

A resistência que havia na Câmara e no Senado diminuiu, mas no o suficiente, mesmo que tenha sido incluído um artigo na PEC Paralela que obriga assembleias legislativas e câmaras de vereadores a ratificarem o que foi aprovado pelo Congresso, uma forma de retirar o ônus somente a deputados federais e senadores.

 

Não se impressionem

Se na Mini-Reforma da Previdência que o governador Carlos Moisés da Silva pretende enviar à Assembleia haja mudanças significativas nas aposentadorias dos regimes próprios, a partir do que já foi alterado em 2015, quando o teto de quem entrou no serviço público ficou o mesmo do INSS (hoje R$ 5.839,45) e foi criado um fundo complementar para quem pretende ganhar mais.

No Tribunal de Justiça, já existe a preocupação de como o texto poderá impactar para juízes de primeiro grau e desembargadores, reação que não para por aí e passa pelos órgãos com autonomia financeira (TCE e MP) e as corporações: Polícia Civil, Polícia Militar, Bombeiro Militar e IGP.

 

Semana decisiva

Para a análise, na CCJ do Senado, do projeto que prevê a execução da pena a partir da condenação em segundo grau.

O assunto promete muitos lances e muitas polêmicas, em ritmo pré-eleitoral.

 

LUCIANA CARDOSO/DIVULGAÇÃO

O GRANDE DESAFIO DO PT

Liderada pelo ex-prefeito de Blumenau, deputado estadual e candidato ao governo Décio Lima, a nova direção estadual do PT tomou posse no Plenarinho da Assembleia em pleno feriado de 15 de Novembro. O desafio prossegue enorme e não se modifica com a saída da prisão do ex-presidente Lula, que ainda responde por corrupção e foi condenado no caso do Apartamento do Guarujá e ainda aguarda uma nova sentença no Caso do Sítio de Atibaia. Em 2016, o PT elegeu 20 prefeitos no Estado, um tombo, pois quatro anos antes havia garantido 45 prefeituras. Décio sabe que só com muito trabalho recuperará espaço na política catarinense, o território mais bolsonarista do país, e este será o contraponto que os petistas deverão assumir.

 

Magistrado na berlinda

O ministro Gilmar Mendes tornou-se uma das figuras mais execradas no país e não só pelas manifestações dos movimentos nas Ruas, Conservador e Brasil Conservador, que, no domingo, pediram em passeatas e concentrações o impeachment do magistrado do Supremo Tribunal Federal.

Chamado de traidor pelos manifestantes, Gilmar tem ao lado dele a independência do juiz e a lei, que não obriga ser exatamente um reflexo da torcida popular, o que transformaria justiça em justiciamento, como ocorreu por várias vezes em condenações da Operação Lava Jato, e que sempre se volta contra a sociedade.

 

O Cunha, ó!

O ministro Edson Fachin, do STF, abriu inquérito para saber o que até os postes já conhecem muito bem: Eduardo Cunha (MDB), hoje preso por corrupção, pagou para ser eleito presidente da Câmara.

Cunha, então reeleito em 2014, correu o país para pedir votos para sua apoteótica condução ao cargo, mas nem precisaria ir tão longe: era só lembrar os cutucões e empurrões entre políticos catarinenses, de A a Z, que lotaram uma área, que ficou pequena no Hotel Majestic, no Centro de Florianópolis, dia 6 de dezembro do mesmo ano, para, digamos, assim agradecer a ajuda na campanha e honrar o compromisso.

 

É guerra

Sem conseguir ainda aprovar a PEC na Assembleia que extingue as Taxas de Preservação Ambiental, o deputado Ivan Naatz (ainda no PV) anunciou que entrará com uma Ação Civil Pública, na Comarca de Biguaçu, contra a cobrança em Governador Celso Ramos, que iniciou no feriadão.

Em outra frente, a Associação Catarinense de Defesa dos Direitos Constitucionais (ACDC), do qual Naatz é presidente licenciado , já havia ingressado com ação semelhante na Comarca de Porto Belo contra a TPA de Bombinhas sob a alegação de que não transparência da  prefeitura na utilização dos valores.

Isso só acirrará a “guerra” aberta contra a deputado Paula da Silva (PDT), que foi a responsável pela implantação da medida quando era prefeita da cidade litorânea.

 

Ladeira abaixo

Todos os argumentos alegados pelo Instituto de Desenvolvimento e Integração Ambiental (Ideia) para suspender, de forma liminar, o contrato para a construção e exploração de uma instalação para receber navios de cruzeiros de grande porte, em Balneário Camboriú, foram negados pelo juiz federal Tiago do Carmo Martins, da 2ª Vara Federal de Itajaí.

O alvo do Ideia é o contrato entre a União e a empresa Ports Developed by Shiphandlers Participações Ltda (PDBS), mas nem quanto a autorização ambiental ou falta de autorização da prefeitura a judicialização rendeu.

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
  • Youtube

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!