Janeiro 10, 2019

O PSL precisa ouvir a base

O PSL precisa ouvir a base
DIVULGAÇÃO/PSL

Um dos três deputados federais eleitos e diplomados (na foto com o presidente Jair Bolsonaro e com o governador Carlos Moisés da Silva) que assinam o pedido de destituição da executiva estadual do PSL, Luiz Armando Schroeder Reis, o Coronel Armando, é enfático ao dizer que esta medida não era a pretendida, mas se torna necessária, por regimento partidário, para oferecer novos nomes ao presidente nacional da sigla, Luciano Bivar, para compor uma direção provisória em Santa Catarina. Caso contrário, Lucas Esmeraldino permaneceria à frente da legenda, alegam os parlamentares. O centro da polêmica foi a ausência de conversas do presidente Esmeraldino com a bancada federal eleita - exceto o eleito e diplomado Fábio Schiochet, ligado ao presidente -, suplentes e líderes municipais. Havia um acordo para que a composição da executiva passasse por uma conversa ampla, que contemplasse a bancada federal, o que nunca ocorreu, além de que a homologação da cúpula e das executivas municipais, prevista para 19 de fevereiro próximo, teria sido antecipada para 29 de dezembro. A crise era gestada e a nota oficial divulgada por Esmeraldino, na última segunda-feira (7), tinha como finalidade prevenir a carta protocolada junto ao comando nacional do PSL, em Brasília. O problema está criado e só não e mais nocivo porque os deputados federais reiteram o apoio ao governo de Carlos Moisés da Silva.

 

Bola de cristal

A coluna já havia alertado sobre as fragilidades políticas do partido de Moisés, no dia da posse dele. Uma delas era justamente a necessidade de unificar a sigla, que emergiu de um projeto ligado a Jair Bolsonaro e não tinha exatamente um sentido de corpo, mas aglutinava vários tipos de ativistas, estrelas individualistas. Não é metáfora dizer que resolver o quadro delicado precisará de muitos bombeiros e da habilidade do governador Carlos Moisés da Silva.    

 

Interlocutores

Luciano Bivar está em Miami e o grupo dissidente do PSL catarinense foi ao líder interino na Câmara, deputado Delegado Waldir (PSL-GO), para dar detalhes do problema. Mesmo que na carta a Bivar, os que pedem uma nova executiva provisória no Estado ponderem que Lucas Esmeraldino, atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Turismo, teria dificuldade em tocar as questões partidárias pelo compromisso no governo, reconhecem nos bastidores que o atual presidente é forte e tem méritos pela reformulação do PSL.

 

Queda de braço

Coronel Armando lembra que o PSL deve ser transparente e não um partido igual aos outros, marcado por gente que pulou de uma sigla para outra. Lucas Esmeraldino era vereador pelo PSDB e migrou para o partido que Bolsonaro escolheu. Os pesselistas nacionais contam com o apoio dos deputados federais, segunda maior bancada na Câmara e que deve crescer com a cláusula de desempenho que afetará muitas siglas, porém Esmeraldino tem canal direto com Bivar, o que torna as consequências da carta imprevisíveis. Resumo: a crise que atinge o PSL é a que sempre rondopu a velha política.

 

E o Fundo Partidário

Ao largo do embate interno no Estado, o PSL também passa a ter fundo partidário, a partir da segunda bancada na Câmara, o maior repasse em valores, embora tenha conquistado menos cadeiras que o PT. Sem a modificação da executiva, os recursos ficarão sob a ordenação de Lucas Esmeraldino, o que não agrada os descontentes que pedem a destituição dele. Em valores, o PSL teria direito a disponibilizar R$ 2 milhões por parlamentar.

 

Os nomes

Pela proposta encaminhada pela maioria da bancada federal, a deputada federal Caroline de Toni seria a nova presidente do PSL no Estado, ela que figura na atual executiva provisória, comandada por Lucas Esmeraldino. Curiosamente, a maior reclamação dos deputados federais que assinaram a carta a Bivar também não valeu para o grupo: alegam, que não tiveram tempo para conversar com as bases para sugerir os novos nomes para o comando do PSL.   

A carta enviada a Luciano Bivar, presidente do PSL nacional na íntegra:

 “Diante dos mais recentes acontecimentos envolvendo a direção e a condução do PSL em Santa Catarina, os deputados federais eleitos que subscrevem, depois de ouvir o clamor da base da sigla e também de militantes pró-Bolsonaro, manifestam discordância e estranheza acerca de alguns fatos.

Os parlamentares discordam veementemente da forma como foi “definida” a nova executiva estadual do PSL. No apagar das luzes de 2018, sem critérios, sem diálogo e de forma personalista. Os nomes foram escolhidos pelo presidente estadual da sigla, de forma unilateral.

Um líder partidário deve dialogar com a base para que disponha de legitimidade e, assim, tenha capacidade de mobilização da militância, de lideranças regionais e de eleitos. Isso não está acontecendo. Muito embora reafirmamos total apoio ao governador Carlos Moisés da Silva, eleito com a maior votação da história de Santa Catarina, os parlamentares não concordam a exclusão da base das decisões do rumo do PSL catarinense.

O grupo entende que os eleitos, suplentes, filiados e militantes precisam estar sintonizados com o projeto partidário claro e abrangente, projeto que este que precisa estar sintonizado com o Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Ademais, o atual presidente estadual do PSL assumiu uma Secretaria importante no novo governo estadual e dificilmente conseguirá dedicar o tempo que a administração do partido merece e necessita neste momento tão delicado de transição política no Estado e no país.

Diante do exposto, e também de outras questões internas que ameaçam a estabilidade e o futuro do PSL catarinense, na forma como fora concebido, os deputados e líderes aqui nominados solicitam a imediata substituição da comissão provisória estadual de Santa Catarina, a ser composta da seguinte maneira:

Presidente: Caroline Rodrigues De Toni 

Vice-Presidente: Luiz Armando Schroeder Reis 

Secretário-geral: Daniel Costa de Freitas 

Primeiro-Secretário: Suelen Lara dos Santos 

Tesoureiro-Geral:  José Carlos Carvalho Lucas 

Primeiro-tesoureiro: João Vitor dos Santos Cechinel 

Vogal: Edgar Lopes  Vogal: Julia Zanatta Vogal: Júlio Cesar Lopes Vogal: Marcelo Marcel Franco José da Silva Vogal: Rutinéia Rossi

Por fim, os deputados federais eleitos abaixo assinados ficam à disposição para fornecer o rol completo de documentos dos novos membros integrantes da executiva estadual provisória do PSL-SC.

Termos em que pedem deferimento. Brasília-DF, 9 de janeiro de 2019.”

 

DIVULGAÇÃO/FECAM

CONSENSO NA FECAM

Em um momento que a rediscussão do Pacto Federativo pode ganhar força, o prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli (Progressistas), na foto com a colega Sisi Blind (Progressistas), de São Cristóvão do Sul, será o presidente da Federação Catarinense dos Municípios (Fecam), na eleição prevista para o próximo dia 15. O consenso favorece a entidade, que representa as 21 associações de regionais e os 295 municípios catarinenses. O municipalismo deve ganhar força no governo de Jair Bolsonaro.

 

A chapa da Federação Catarinense de Municípios:

 

CONSELHO EXECUTIVO

Presidente: Joares Carlos Ponticelli, Tubarão – AMUREL

1º Vice-presidente: Leonel José Martins, Balneário Piçarras -AMFRI

2º Vice-presidente: Marlon Roberto Neuber, Itapoá - AMUNESC

3º Vice-presidente: Jorge Welter, Itapiranga- AMEOSC

1º Secretário: Ércio Kriek, Pomerode - AMMVI

2º Secretário: Wellington Roberto Bielecki, Mafra – AMPLANORTE

 

CONSELHO FISCAL (titulares)

Alcides Mantovani, Zortéa – AMPLASC

Isamar de Melo, Presidente Nereu – AMAVI

Lírio Dagort, Xaxim - AMAI

Ramon Wollinger, Biguaçu – Granfpolis

Ricardo Rolim de Moura, Águas Frias – AMOSC

Saulo Sperotto, Caçador – AMARP

Thiago Costa, Rio Rufino – AMURES

 

CONSELHO FISCAL (suplentes)

Ademir Madella, Coronel Martins- AMNOROESTE

Emerso Ari Reichert, Ipira – AMAUC

Gianfranco Volpato, Ibicaré - AMMOC

Jaimir Comin, Treviso – AMREC

Jairo Rivelino Ebeling, Cunha Porça – AMERIOS

João Carlos Gottardi, Corupá – AMVALI

Roberto Biava, Timbé do Sul – AMESC

Roberto Molim de Almeida, Ponte Alta do Norte - AMURC

 

* Alex Carrero, nomeado para a Apex, que promove produtos e serviços brasileiros no exterior, além de atrair investimentos, pediu demissão, a primeira baixa do governo de Jair Bolsonaro.

 

* Alguém do Palácio do Planalto manda a ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos parar de dar palpite infeliz o que já a transformou em um bonde fora de controle dentro do governo federal, certamente por se posicionar sobre assuntos que não fazem parte de sua atribuição administrativa, como debater e arriscar posições sobre criacionismo e evolucionismo.  

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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