Janeiro 18, 2020
SÃO JOSÉ EM AÇÃO

O silêncio do governo dura até segunda

O silêncio do governo dura até segunda

O retorno do governador Carlos Moisés da Silva ao cargo, depois do descanso em Laguna por 15 dias, nesta segunda-feira (20), será marcado por uma série de articulações, como o objetivo de esclarecer a posição sobre a equiparação dos salários dos procuradores do Estado aos da Assembleia, que n;ao deve ser resumida a uma nota oficial já divulgada.

O ideal passaria por ele ocupar o mesmo espaço dado ao vivo ao denunciante, o defensor público Ralf Zimmer Júnior, que participou de programas de TV, situação que garante atingir uma grande escala de moradores do Estado.

Calar-se ou valer-se tão somente das redes sociais será um erro de estratégia de Moisés, que também deve se reunir com advogados, procuradores do Estado e assessores para, em um primeiro momento, encaminhar seus argumentos de defesa à Assembleia, juntamente com os da vice Daniela Reinehr e do secretário Jorge Eduardo Tasca (Administração).

Em suma, Moisés deve falar ao maior número de catarinenses possível, esclarecer e, se necessário, revelar o quanto está por trás da manobra que não se encerra em uma leitura jurídica controversa, que ignora a necessidade de cumprimento de sentenças transitado em julgado sobre o assunto.

 

Pano de fundo

Eleição municipal, o corporativismo do defensor público, o apelo de segmentos do funcionalismo por reajuste salarial, a votação da Minirreforma da Previdência na Assembleia, que afeta algumas categorias do serviço público tal qual no âmbito federal, e até, no pior cenário, o embate de votação do impeachment em plenário, circundam a série de obstáculos que precisam ser vencidos pelo governador.

Um bom caminho seria lembrar que, em última instância, a ação de crime de responsabilidade, protocolada por Zimmer Júnior, mira em uma nova eleição para o governo do Estado, para ratificar um desejo de revanche a partir do fato de que Moisés bateu de frente com tantas estruturas outrora mal-acostumadas pelo Poder Executivo, com benefícios, regalias e privilégios, que isso atrairia uma avalanche de apoiadores à causa.

 

Em números

A composição da comissão especial, com nove deputados, que será responsável pelo parecer favorável ou contrário à sequência do processo de impeachment de Moisés, deve ter configuração semelhante à da CPI da Ponte Hercílio Luz.

Lá estavam dois deputados do MDB e dois do PSL (as duas maiores bancadas), enquanto PSD, PT, PP, PSB e PSDB indicaram um integrante cada, mas o cálculo da nova comissão considerará os blocos parlamentares, em processo de agrupamento, e ainda que houve pelo menos duas mudanças nas bancadas: Bruno Souza deixou o PSB e foi para o NOVO (os pessebistas são apenas dois agora), e Ivan Naatz sai do PV para encorpar o PL, que ficará com quatro cadeiras em plenário, mesmo número das dos petistas.

 

Posição 1

Líder do PSL na Assembleia e um dos quatro parlamentares que romperam com Moisés, o deputado Sargento Lima considera “uma pena” Santa Catarina estar passando pelo pedido de impedimento do governador e conclui: “O Estado não merece isso”.

Para Lima, Moisés acumula uma série de erros, como conseguir transformar situação em oposição, um isolamento desnecessário, cercar-se de pessoas completamente desconhecidas da base que o elegeu, além do distanciamento da direita Bolsonarista.

 

Posição 2

Ainda na avaliação dos equívocos do governador, o deputado pesselista, que rumará para a Aliança Pelo Brasil, afirma que “enfim, não sei se foram propositais (o que seria preocupante), ou não, todos estes acontecimentos, o certo é que vai precisar do apoio do Legislativo, e que este apoio venha de forma ‘republicana’, termo que ele (Moisés) mesmo gosta muito de usar.”

Perguntado sobre quem pretende indicar para a comissão especial, Lima afirma, categórico: “Eu mesmo”. O outro nome, sem confirmação pelo líder, deve ser o da deputada Ana Caroline Campagnolo, também contrária a Moisés.

 

Entre garfadas

Já o líder do MDB, deputado Luiz Fernando Vampiro, que está no Balneário Rincão, não tem ideia dos nomes da maior bancada na Assembleia que deverão compor a Comissão Especial, momento que interessa ao governador Moisés.

Vampiro declarou que este e outros assuntos serão debatidos pelos parlamentares na casa da deputada Ada de Luca, em Jurerê, Florianópolis, durante um jantar, na próxima terça (21).

 

REPRODUÇÃO/SITE DO PT

SANGUE NOVO NO PT

A experiente ex-deputada estadual, senadora e ministra dos governos Lula e Dilma, Ideli Salvatti (no destaque, à direita), terá ao seu lado sangue novo catarinense na direção nacional do partido. São as duas únicas representantes de Santa Catarina na cúpula da sigla, comandada pela deputada federal Gleisi Hoffmann, empossada nesta sexta (17). A arquiteta e urbanista Karine Collelo (no destaque, às esquerda), de 25 anos, veio de Xanxerê, no Oeste do Estado, para oxigenar e debater a inclusão e a renovação, duas bandeiras da sigla, que passa por reestruturação, nada complicado para quem pertence a uma família de militantes de esquerda e pertence ao Movimento Fortalecer o PT, conhecido por sugerir mudanças dentro da política interna partidária.

 

Foi tarde

Secretário Nacional da Cultura, Roberto Alvim conseguiu unir todos e tudo contra ele depois de citar frases comparadas as de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda Nazista de Hitler, em um discurso para diretores de teatro.

Não restou muito ao presidente Jair Bolsonaro senão exonerar Alvim, que cumpre o boquirrotismo que se espalhou por muitos assessores do Planalto, verdadeiros inconsequentes, seja do ponto de vista ideológico ou moral.

 

Muito grave

Apologia ao nazismo no Brasil é crime, assim como se valer de símbolos e textos do nacional-socialismo para difundir um dos períodos mais abomináveis da história humana, não adianta pedidos de desculpas de Alvim após fazer as infelizes declarações, tendo um dos temas preferidos da propaganda de Adolf Hitler, ao fundo, a música do compositor alemão Richard Wagner, que viveu no século XIX.

E Alvim o fez ainda durante o lançamento do importante Prêmio Nacional das Artes, algo tão gritante que não houve vivalma, sequer os mais radicais do conservadorismo, que acudiu o agora já ex-secretário de Cultura, também duramente criticado pelo governo da Alemanha e pela Comunidade Israelita no Brasil, já que Goebbels defendia o genocídio de judeus em nome de uma “raça pura”. Alvim será substituído, interinamente, por José Paulo Martins.

 

VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

COM FUNDO ELEITORAL E TUDO MAIS

Acabou o mistério: o presidente Jair Bolsonaro sancionou, nesta sexta (17), o Orçamento da União de 2020, aprovado pelo Congresso Nacional, sem nenhum veto. Isso significa que Bolsonaro ratificou o Fundo Eleitoral de R$ 2 bilhões para os partidos políticos e candidatos que disputarão o pleito deste ano. O valor, embora sugerido pela própria equipe da Fazenda do governo Bolsonaro, virou uma polêmica nas postagens do presidente nas redes sociais.

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
  • Youtube

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!