Maio 11, 2020

O velho jornalismo morreu. Viva o Jornalismo!

O velho jornalismo morreu. Viva o Jornalismo!
Reprodução

Foi preciso se readequar na marra. Desde o ano passado as redações enfrentavam demissões sistemáticas. No caso da NSC, com o fechamento dos jornais impressos. A ND só agiu mais fortemente agora em abril, aproveitando a legislação da pandemia, reduzindo fortemente em todas as áreas. Internamente os executivos diziam que era preciso, mais cedo ou mais tarde, mexer no número de pessoas, porque a equipe estava grande demais para a receita e o resultado de audiência longe do desejado. Programas de TV foram extintos.

A Rede SCC foi a que menos demitiu dos três, pois se mexesse mais teria graves problemas para entregar o conteúdo. A Barriga Verde usou a lei para mexer em salários e jornada, reduzindo em 50%, tornando mais difícil o que já era.

 

Tensão

Nesse período, de extrema tensão, cobrir a pandemia se tornou um desafio mais espetacular. O pessoal da área de risco teve que ficar em casa, revezamentos foram efetuados para dividir desgaste, repórteres passaram a trabalhar remotamente. Nesse caso, devido ao perigo de contágio, mas também para dar conta da carga reduzida. Muita conversa sem imagens externas.

Ao mesmo tempo, as redes nacionais tiveram que interromper a produção de novelas e programas nacionais; e jogaram no colo das afiliadas a obrigação de ocupar mais tempo. No começo da crise, a solução contentava melhor a audiência. As pessoas, em casa, tinham que se informar sobre a pandemia, tratada à exaustão. Ainda é assim, mas há indícios que o público está cansando do tema (que fica cada mais forte devido as mortes que já superaram 10 mil e a crise hospitalar em muitas cidades).

Ou você não cansou da Maju Coutinho até as 15 horas, no Jornal Hoje, dizendo para os repórteres umas cinco ou seis vezes por dia “conta pra gente”? 

 

Formato

Uma parte dos que curtem vídeo, deixou de assinar as TVs fechadas, para diminuir custo, passando para a TV aberta ou streaming. Só a Netlix ganhou 16 milhões de assinantes. Globoplay e Amazon Prime cresceram muito também. O pessoal dá uma espiadinha rápida para ver o que está acontecendo nos noticiosos e parte para algo mais leve.

Há um novo formato de fazer jornalismo. De máscara, mais testemunhal, sensível, apresentadores se emocionando no ar. Tudo indica que esse modo terá que ser adaptado e vai surgir um novo jornalismo depois da pandemia. As pessoas se acostumaram com o “fazer diferente”. Não será possível voltar à formalidade anterior.

As equipes de campo estarão reduzidas, será permitido entrevista online, por exemplo. Mas será exigido mais qualidade técnica de sinal e relevância no tema.

Outra demanda será o jornalismo investigador. O repórter testemunha, aquele que só vai ao local confirmar a pauta que recebeu, está com os dias contatos. Essa foi uma das grandes lições da pandemia, já que a reportagem mais significativa do período foi feita por repórteres freelancers para um site.

O jornalismo da mídia profissional, pressionado por chefias que se reportam a diretores cortadores de despesas, não vai morrer. Precisará se reinventar.

Então, viva o jornalismo!

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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