Setembro 01, 2017

O crime usa as mesmas armas do terror

Há muito as facções criminosas agem para afrontar o poder constituído e adotam táticas do terror para provocar o pânico com o pior dos elementos, o da surpresa. Tal qual os “lobos solitários” que agem em ações internacionais, os vários “soldados” do crime são doutrinados ou, via de regra, obrigados a mostrar fidelidade com atos jocosos que demonstram a falta total de respeito às leis e à vida humana quando atentam contra agentes de segurança. Em menos de um mês, quando ocupava nas estatísticas oficiais do país uma invejável ausência de mortes de policiais e agentes prisionais, Santa Catarina assistiu à triste realidade de quatro mortes em agosto, além de duas execuções de detentos na Penitenciária de São Pedro de Alcântara.

Quando a autoridade é atingida por determinação deste ou daquele grupo criminoso a reação deve se dar pelos amplos trabalhos que tenham investimento em inteligência. Esta é a arma mais poderosa das forças de segurança pública , nas ruas e no sistema prisional, para se antecipar aos atos que espalham o sentimento de intranquilidade, que, admitamos, não está centrado nos fatos recentes de tiros em fachadas de órgãos e prédios públicos, que não pouparam sequer a guarita do Centro Administrativo do governo do Estado. O contribuinte sente, a cada dia, que a sensação de insegurança é maior.

 

Reação

O governador Raimundo Colombo está certo em um ponto ao afirmar, na manhã desta sexta-feira, que o governo e as forças de segurança estão em alerta máximo. Não basta a ação isolada do Estado. Das guardas municipais à Polícia Federal as informações de inteligência devem ser compartilhadas, afinal a mesma onda de crimes já fez autoridades do Poder Judiciário, estadual e federal, no território catarinense, a tomarem providências para proteger servidores em função de sinalizações que vinham das facções criminosas, principalmente de dentro do sistema prisional.  

 

REPRODUÇÃO MPSC

SE NÃO BASTASSE

O crescimento da violência por parte das facções criminosas já era foco na madrugada quando a sociedade foi impactada por mais uma estúpida sequência de mortes provocada por um atropelamento. O procurador de Justiça Aor Steffens Mirada (foto), que iria fazer 51 anos neste sábado, foi morto ao lado de um amigo, João Carlos Schultz, quando saia de um jogo de futebol, em São José. O motorista de uma Mercedes, de 35 anos, que aparentava estar embriagado, permaneceu no local do atropelamento. O corpo do procurador está sendo velado no Cemitério Jardim da Paz, na SC-401, no Monte Verde, onde será sepultado neste sábado, às 9h.

 

Continuou

Os duros debates que se verificaram em plenário, em função da análise pelo pleno do Tribunal de Contas do desvio de quase R$ 1 bilhão em impostos da Celesc para o Fundo Social pelo governo do Estado, prosseguiram depois da sessão. O auditor substituto de conselheiro Gerson Sicca, relator do processo, foi cobrado pelos seus pares por atacar, de acordo com outros conselheiros, a classe política, de onde veio a maioria dos componentes da corte administrativa. E foi confrontado com o apoio que os conselheiros dão aos servidores de carreira, inclusive sobre vantagens recentes que são impopulares.

 

Aliás

O presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Dado Cherem, determinou a abertura de sindicância para apurar responsabilidade sobre os vazamentos de informações de investigações ou processos dentro da corte administrativa. A preocupação não está em impedir a divulgação, mas no momento em que processos recém-abertos em que sequer houve a manifestação do contraditório por parte do órgão ou pessoa investigada, o que provoca um pré-julgamento na sociedade. “E se for inocentado depois da lambança feita, como fica?” questiona Cherem, já que a responsabilidade recai sobre o TCE. 

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
  • Youtube

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!