Abril 01, 2020

Os cavaleiros do apocalipse na TV

Os cavaleiros do apocalipse na TV

"Apocalypse now" é um filme que retrata fielmente a guerra do Vietnã. Os personagens principais são os coronéis Willard e Kurtz, e os vietcongs, o som dos helicópteros e a música poderosa "As Valquírias", de Richard Wagner.

A situação caótica, de certa maneira, reflete o momento de pandemia. Há um bombardeio de informações sobre a Covid-19, agravado pelo medo e isolamento.

Na TV, como se fossem cavaleiros do apocalipse, âncoras garantem o jornalismo regional ao meio-dia. Raphael Faraco, na NSC TV, Fernando Machado, no SBT e Raphael Polito, na NDTV. Eles seguram sozinhos centenas de minutos ao vivo, enquanto outros trabalham em casa, repórteres e cinegrafistas nas ruas – sob risco – e fontes entram via internet.  

É um momento totalmente novo na comunicação. Tudo será diferente depois, mas até lá, é importante o desempenho, a correção e a garra desses jovens apresentadores. 

 

Demônio

Apresentador tem se dedicado nos últimos dias a demonizar a internet, como se fosse um sinônimo de fake news. É uma ação injusta, na medida em que o trabalho dele é home office, justamente por causa das facilidades de internet. O próprio meio rádio, que sofreu enormes impactos negativos nos últimos anos, só reavivou por causa da web. Problemas de alcance, equipamentos, foram superados, incluindo o achatamento de público. Hoje o rádio pode ser ouvido em qualquer parte do mundo via aplicativo.

Então, xô demônio!

 

Atores

Culpar o meio e não as pessoas que o usam indevidamente é uma prática de quem não refletiu bastante sobre o tema. Tanto quanto trocar de emissora é possível bloquear autores de fake news e se livrar deles. Agora, se tem gente que não sabe quando a notícia é falsa, está na hora de voltar a estudar.

 

Falta

É complicado, mas é preciso manter o viés crítico dos jornalistas no caos na saúde. Cobrar das autoridades a falta de material para o pessoal da saúde e de leitos para atendimento das vítimas. As intenções são boas, ninguém deve criar pânico, mas tem que colocar pressão.

A situação não é cômoda, como querem dar a entender. Por isso os jornalistas precisam ser mais incisivos. A hora é agora. 

Tags:
multimidia claiton selistre bastidores comunicação TV rádio jornal
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!