Maio 30, 2019

Os 'sem noção' e os filmes sobre adoção

Os 'sem noção' e os filmes sobre adoção
Jessica Lange em O Destino de uma Vida

Juro pra vocês, cineseriéfilos, que eu pretendia abordar um tema mais leve esta semana. Mas, entre as muitas notícias absurdas, deprimentes e quase inacreditáveis que infestaram as redes sociais nos últimos dias, uma levou o troféu "sem noção", ou pior, o prêmio de crueldade humana, travestida de boas intenções. Acabou até virando reportagem em horário nobre. Não tive como fugir do assunto. Leiam vocês mesmos:

 

Crianças para adoção "desfilam" em passarela de shopping no MT

Evento está na segunda edição e recebe o apoio da OAB-MT e de marcas de roupas para expor crianças a possíveis adotantes.

Na passarela, a exposição não era de roupas ou produtos, mas sim de crianças para adoção. Em evento organizado pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara) e pela Comissão de Infância e Juventude da OAB do Mato Grosso, crianças e jovens de 4 a 17 anos desfilaram em shopping da capital matogrossense em campanha para incentivar adoção. (Carta Capital – 22/05/2019)

O gancho para esta edição foi sombrio, mas o assunto em si é fundamental e tem a ver com escolha amorosa. Sábado, 25, foi o Dia Nacional da Adoção e como estamos aqui para falar de cinema, a seleção é de filmes que abordam o tema.

Se quiser acrescentar, reclamar ou elogiar, escreva em comentários no rodapé da coluna ou pelo e-mail: cineseries@portalmakingof.com.br

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REMOVED – Nathanael Matanick, Tony Cruz– 2013

Esse curta-metragem já dá o tom no título: Removida. Ganhador de vários prêmios, mostra o ponto de vista de uma garotinha de nove anos dentro do sistema de adoção. Em apenas 13 minutos, o filme toca em questões dolorosas como a retirar a menina de casa e quando famílias adotivas "devolvem" as crianças ao abrigo o impacto negativo que isso causa na vida delas. 

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UMA NOVA CHANCE – Chris Menges -  1994

Graham Holt é um homem de meia-idade solitário que administra um subestação postal de uma pequena cidade inglesa. Ele decide adotar um filho. James é o jovem com problemas que Graham consegue adotar, com a ajuda da assistente social Debbie. James está no orfanato há anos, desde que sua mãe cometeu suicídio. Ele adora seu pai fora-da-lei, John, que está na prisão desde pouco depois da morte de sua esposa. Conseguirá James aprender a amar Graham? E conseguirá Graham aceitar ser a "segunda opção"? (Sinopse oficial).

O elenco traz dois grandes intérpretes: William Hurt e John Hurt (não, não são parentes).

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UM LUGAR PARA ANNIE – John Gray – 1994

  1. Um bebê com 3 meses, Annie Morston (Leslie Anderson), entra num hospital diagnosticada como HIV positivo. Ela foi abandonada pela mãe, um viciada. Ninguém queria adotar uma criança que morreria de AIDS, assim seria mandada para Tremont, um hospital para os indesejáveis, que ficavam lá esperando o momento de morrer. Susan Lansing (Sissy Spacek), uma enfermeira do hospital onde Annie estava internada, não se conforma com esta situação e resolve cuidar do bebê, sabendo dos riscos desta situação. Susan contrata Dorothy Gilmore (Joan Plowright) para ajudá-la a cuidar de Annie. Após um certo tempo a mãe de Annie, Linda (Mary-Louise Parker), reaparece subitamente pedindo sua filha de volta. Isto deixa Susan desesperada, pois legalmente falando ela, que cuidou do bebê, não tem direito nenhum e a mãe, que o abandonou, tem todos os direitos. (Sinopse oficial)

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O DESTINO DE UMA VIDA –Stephen Gyllenhaal – 1995

Aqui o X da questão é com quem deve ficar Isaiah, um bebê esquecido numa lixeira pela mãe biológica, viciada em crack ou a adotiva, uma assistente social, que junto com o marido pode dar uma boa e afetuosa vida ao garoto. Jessica Lange ( na foto que abre a coluna) interpreta a mulher que se afeiçoa a Isaiah e o adota; Halle Berry é a mãe que larga a vida das drogas e quer recuperar o filho. O debate é honesto e sem apelação.

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SEGREDOS E MENTIRAS – Mike Leigh – 1996

Gosto muito desse filme inglês que conta a história de Hortense, uma jovem negra que, ao morrerem seus pais adotivos, resolve procurar pela mãe biológica. Ela descobre que a mãe é branca e que ninguém da família materna atual sabe de sua existência.

Para tornar as atuações mais espontâneas, o diretor Mike Leigh deu poucas informações para os atores. Brenda Blethyn, por exemplo, não sabia que sua filha no filme seria interpretada pela atriz negra, Marianne Jean-Baptiste. Pelas mãos de Leigh, Brenda acabou ganhando os grandes prêmios naquele ano: Cannes, Globo de Ouro, Bafta...Foi indicada também ao Oscar, mas perdeu para Frances McDormand em Fargo. Segredos e Mentiras acabou abocanhando a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

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PATRICK, IDADE 1.5 – Ella Lemhagen – 2008

Baseado numa peça de teatro, esse filme sueco conta a história de um casal gay, Goran e Sven, que decide adotar um bebê. Eles esperam um garoto de 1 ano e meio, mas houve uma confusão nos papéis e quem chega para eles é um jovem de 15 anos. Goran e Sven se vêem diante de um adolescente homofóbico e com um passado de pequenos crimes. E agora ?

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APROVADO PARA ADOÇÃO-COR DA PELE: MEL – Jung, Laurent Boileau  -2011

O filme é baseado na série de quadrinhos de Jung, que também assina a direção da animação. A história é inspirada na trajetória de vida do diretor.

O órfão Jung nasceu na Coreia do Sul em 1965, e foi encontrado vagando pelas ruas de Seul até ser resgatado por um policial e adotado por uma família belga. Seu formulário de adoção continha pouquíssimas informações, pouca coisa além do nome e da menção "cor da pele: mel". Décadas mais tarde, ele retorna pela primeira vez ao seu país de origem e reflete sobre sua trajetória, sobre as dificuldades de adaptação e sobre sua difícil questão identitária... Como Jung se tornou cartunista, ele decide compor sua biografia tanto com imagens de arquivo quanto com desenhos feitos por ele mesmo. (Sinopse oficial).

Cor da Pele: Mel mistura animação com filmagens reais e arquivos familiares em Super 8.

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A ESTRANHA VIDA DE DE TIMOTHY GREEN – Peter Hedges- 2012

Depois de receber a notícia de que não poderá ter filhos um casal (Jennifer Garner e Joel Edgerton) encontra um jeito para extravasar a dor: anota em pequenas folhas todas as qualidades que seu filho teria e enterram no quintal. Milagrosamente, no meio de uma tempestade, surge uma criança, Timothy, os chamando de pais. Era esse o nome que eles tinham pensado se tivessem tido um filho. É preciso embarcar na fantasia, mas o filme se mostra sensível sem ser babaca. É bom deixar uma caixinha de lenços à mão...

Disponível na Netflix.

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LION-UMA JORNADA PARA CASA – Garth Davis – 2017

Já falamos sobre esse filme aqui. Ele conta a história real do indiano Saroo,  que se perdeu do irmão numa estação de trem de Calcutá quando era menino e enfrentou grandes desafios para sobreviver sozinho até de ser adotado por uma família australiana. Aos 25 anos, ele decide procurar pela família biológica e, com o apoio dos pais adotivo, inicia uma jornada incansável de resgate de suas origens na Ìndia. Dev Patel, o ator indiano mais famoso de Hollywood depois do mega sucesso Quem quer ser um milionário, interpreta Saroo na vida adulta.

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O LIVRO QUE VIROU FILME  

UM VERÃO PARA TODA A VIDA – 2007

Publicado originalmente em 1963 e indicado ao Prêmio Miles Franklin, Um verão para toda vida, de Michael Noonan, é um clássico da literatura australiana que chega às telas de cinema numa produção estrelada por Daniel Radcliffe. Eles são conhecidos como "os garotos de dezembro", por terem nascido no último mês do ano. Quando deixam para trás o orfanato decadente no qual cresceram para um verão na costa, o futuro se enche de esperanças. Porém, o encontro com o casal Foley, disposto a adotar apenas um deles, se transforma na verdadeira atração dessas férias. A disputa pela atenção do casal leva os garotos a uma rivalidade intensa, e até por vezes desleal, conduzindo a um desfecho totalmente surpreendente. Do interior da Austrália à primeira visão do oceano, Maps (Mapas), Spark (Fagulha), Misty (Névoa), Spit (Cuspe) e Fido passarão um verão inesquecível e revelador, modificando tudo o que pensavam saber sobre si mesmos e sobre os outros. Retratando com cores vivas os conflitos da transição da infância para a adolescência, Um verão para toda vida permanece como uma das mais celebradas histórias sobre crescimento, mudança e amor. Os laços da amizade encontram aqui um caminho, superando rivalidades e selando de uma vez por todas as fortes amarras que sempre ataram os "garotos de dezembro". (Resenha Saraiva)

Este adaptação de 2007 , dirigida por Rod Hardy, foi o primeiro filme de Daniel Radcliffe depois de Harry Potter, onde ele vive o personagem mais famoso do cinema infanto-juvenil das últimas décadas.

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FORA DA PAUTA

Oh lá, lá... o Brasil fez bonito em Cannes !

O filme Bacurau, de Kleber Mendonça Filho (foto), ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, junto com o drama francês Les Misérables. É a primeira vez que o Brasil ganha esse prêmio, o terceiro mais importante do festival.

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, do cearense Karim Aïnouz, venceu o prêmio principal da mostra paralela Un Cert Regard (Um certo Olhar) . O longa concorria com outras dezessete produções. O diretor dedicou sua vitória às mulheres, com destaque especial a uma delas: a maravilhosa Fernanda Montenegro, que integra seu elenco.

Tivemos ainda a participação de sucesso de outros brasileiros em Cannes: Rodrigo Teixeira foi o produtor do longa de terror The Lighthouse, do americano Robert Eggers, vencedor do prêmio da crítica na seção paralela Quinzena dos Realizadores; também a atriz Maria Fernanda Cândido arrasou no tapete vermelho, como parte do elenco de O Traidor ( sobre o mafioso Tomaso Buschetta que viveu no Brasil), filme dirigido pelo prestigiado diretor italiano, Marco Bellocchio, co-produzido pelos irmãos Caio e Fabiano Gullane.

Obs.: Meu querido diretor espanhol, Pedro Almodóvar, fez sucesso com Dolor y Gloria, mas apenas o protagonista Antonio Banderas levou o prêmio de Melhor Ator. Banderas que faz aqueles filmezinhos bem comerciais em Hollywood, sempre cresce na atuação quando é dirigido por Almodóvar. Olha a alegria do bonitão quando foi receber o prêmio!!!

Agora é aguardar a estreia desses filmes no Brasil. Não vi, mas já gostei de quase todos ;-)

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Mens@agem para Você !

De: Dilma Beatriz Rocha Juliano ( sobre a edição da participação do Brasil em Cannes)

Como não admirar o cinema brasileiro!?!? Meu preferido: O pagador de promessa.

C&S : Sim, Dilma, O Pagador é um filmaço!

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Para fechar em alto astral, uma imagem de Burt Lancaster (fumando !!!!) e Claudia Cardinale na 35ª edição do Festival de Cinema de Cannes, 1963, quando o ma-ra-vi-lho-so "O Leopardo", filme dirigido por Luchino Visconti e estrelado por eles, ganhou a Palma de Ouro.

E na terça-feira que vem, um novo tema aqui em Cine&Séries...Au revoir!

THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

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Redação Making Of

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