Outubro 11, 2019

Pais reclamam e escola anula prova com crítica a Bolsonaro

Pais reclamam e escola anula prova com crítica a Bolsonaro
Reprodução/Estadão

O Colégio Loyola, em Belo Horizonte, cancelou uma prova do segundo ano do ensino médio, aplicada na última segunda-feira, 7, após um grupo de pais reclamar de conteúdo partidário. O que irritou os pais foram textos do ator e escritor Gregório Duvivier e do cientista político Mathias Alencastro, ambos colunistas do jornal Folha de S. Paulo contendo críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PSL).

A questão da prova focava em aspectos relacionados à língua portuguesa e não pedia em momento algum para que os estudantes opinassem sobre o conteúdo do texto. As reclamações dos pais de alunos, que viralizaram nos grupos de WhatsApp, recaem principalmente sobre o texto de Duvivier, assumidamente contrário ao governo Bolsonaro.

No artigo que consta no teste de Língua Portuguesa, o autor aponta que o governo é um "gatilho poderoso para a depressão" e que o presidente "parece eleito pela indústria farmacêutica para vender antidepressivo". Também afirma que "se tivesse votado nesse governo contra a corrupção estaria comprando um chicotinho da Opus Dei e passaria dias me mutilando em praça pública".

E escreve que, se estivesse tentando o concurso do Itamaraty e visse o presidente nomeando o filho embaixador, "talvez desse um tiro no coco", em referência à indicação de Eduardo Bolsonaro (PSL-MG) para a Embaixada dos Estados Unidos. Já o texto de Mathias Alencastro abordou, em especial, a participação de Bolsonaro na Conferência da ONU e criticou a política ambiental do mandatário.

O ator e escritor se pronunciou em uma rede social lamentando o que chamou de "censura". "Colégio Loyola em BH usou um texto meu numa prova e um grupo de pais de direita conseguiu cancelar a prova. Sinto muito pelos professores e alunos da escola. Dia 1 estou indo a BH, se quiserem encontrar pra debater a crônica e a censura", escreveu ele.

Em comunicado, Juliano Oliveira, diretor do colégio, afirma que a avaliação foi anulada e que a escola está averiguando o contexto da aplicação do exame para tomar as providências devidas. Ele também reafirmou o "posicionamento apartidário" da instituição.

De acordo com o Estadão, cerca de 450 estudantes e ex-estudantes do colégio assinaram carta de repúdio ao cancelamento da avaliação. Segundo com os alunos, "nenhuma das questões da avaliação exige posicionamento político dos alunos. Não há teor ideológico em nenhum dos exercícios propostos".

A anulação ocorre no mesmo momento em que a Câmara Municipal de Belo Horizonte vive dias agitados com a tramitação de projeto de lei conhecido como Escola sem Partido, que proíbe professores de dar opiniões e visões políticas em sala de aula.

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Redação Making Of

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