Setembro 07, 2017

Palocci entrega Lula e Dilma

Os problemas dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, são muitos maiores dos que as duas denúncias apresentadas pelo procurador-geral da República por organização criminosa e obstrução de Justiça, em menos de 24 anos, que também atingem parte da cúpula do partido. As declarações do ex-ministro Antonio Palocci em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, nesta quarta, foram suficientes para abalar o projeto político de Lula e incluir Dilma em fatos delicados, pois, de acordo com Palocci, ela sabia de todas as armações entre Emílio Odebrecht e o Palácio do Planalto, que prosseguiram nos governos dela. Sentenciou que Lula e Odebrecht tinham um “pacto de sangue”.

Sem ter feito um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, Palocci pôs fogo nas estratégias petistas de defender que as investigações da Operação Lava Jato sobre integrantes da sigla não passavam de perseguição. Íntimo de Lula e Dilma, o ex-ministro de ambos e ainda coordenador da campanha da petista, em 2010, fez a “confissão da máfia”, de dentro para fora. Participou de muitos dos fatos e estava ali, sentado diante o juiz Moro, como co-réu. Não, portanto, como um mero espectador ou especulador.

 

Ave Fux!

Ministro Luiz Fux, na presença do procurador-geral da República Rodrigo Janot, fez uma declaração, na sessão do Supremo Tribunal Federal, que exprime o sentimento de boa parte dos brasileiros, em relação aos boquirrotos irmãos Joesley e Wesley Batista e o lobista Ricardo Saud. Para Fux, está na hora deles passarem do “exílio nova-iorquino para o exílio da Papuda (Penitenciária em Brasília)“. Quem ouviu as gravações de Joesley com Saud fica com náuseas tal a arrogância e prepotência de um homem que é um dos mais importantes empresários do país, um bronco que insultou a nação e os poderes constituídos.

 

Já pensou

Os atropelos do procurador-geral da República que deram guarida às provas dos irmãos “Freeboys” Joesley e Wesley podem enfraquecer a Operação Lava Jato em um das fases mais fundamentais do combate à corrupção, a formalização dos processos criminais no Judiciário. A delação premiada, instrumento válido e absolutamente essencial para a obtenção de provas de réus confessos, está desmoralizada e muitos envolvidos até o pescoço em outras denúncias valem-se da fragilidade que os irmãos da J&F provocaram no sistema. Janot está desmoralizado.

 

Quase

É tanta iniquidade na vida política do país que até esquecemos da relevância da data desta quinta-feira. Declarar a independência de Portugal foi um passo gigantesco. mas vale lembrar que muitos brasileiros, entre eles quase 14 milhões de desempregados hoje, ainda esperam por outras formas de libertação: econômica e social. 

 

Disputa inócua

Quanto mais delegados da Polícia Civil e oficiais da Polícia Militar debaterem atribuições sobre a quem cabe cada papel constitucional, um de fazer a investigação na figura Judiciária e o outro de ostensividade no combate à criminalidade nas ruas, ambos concorrem para a ideia da unificação das forças. Episódios onde PMs assumiram papel de investigadores no recolhimento de provas acirraram os ânimos com delegados de Polícia. A pergunta é: são duas corporações do Estado e a sociedade ganha o quê se não se detiverem nas suas habilidades específicas?

 

Comemorou

Além de ser o único deputado federal da bancada catarinense a entrar na cobiçada lista dos 100 mais influentes da Câmara, de acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Esperidião Amin (PP) faz uma avaliação interessante sobre a reforma política. Comemora a aprovação, em primeiro turno, dos itens que acabam com as coligações nas eleições para vereador, deputado estadual e federal, institui a cláusula de desempenho e a federação para partidos que não alcancem o percentual mínimo exigido, todos contidos na PEC 282.

 

O desafio

Amin avalia que o maior embate deverá ser, a partir da semana que vem, com a análise da PEC 77, que aponta para o Distritão (acaba com o voto proporcional para o Legislativo e vence quem garantir maior votação) e o tal Fundo bilionário com dinheiro público para financiar as campanhas eleitorais. Tem razão em afirmar que serão malvadezas em debate.

 

LUIZ GUSTAVO DEBIASI/AGÊNCIA AL

PASSAGEM DO BASTÃO

O deputado Aldo Schneider (PMDB), à direita, assumiu a presidência da Assembleia interinamente com a viagem que o titular Silvio Dreveck (PP) fará durante 14 dias. O tratamento de saúde não impediu o peemedebista de encarar a tarefa. Mas o assunto sobre a troca de comando no Legislativo Estadual no ano que vem é tratado com reserva e muita cautela nos bastidores da casa. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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