Agosto 17, 2019

Parque Gráfico - muito além da produção independente

Parque Gráfico - muito além da produção independente
Fotos Mariana Boro

Na foto, Camila Petersen e Thiago Bazinga, que também é idealizador da Parque Gráfico e hoje cuida da parte de webdesign. Este registro foi na primeira edição da feira, sucesso absoluto no Museu da Escola.

 

Muito além da produção de artistas independentes e o fortalecimento da arte gráfica no Brasil, a Parque Gráfico - Feira de Arte Impressa - traz na seleção, formada por 96 expositores, e na programação de performances, intervenções e espetáculos o debate e reflexão de temas urgentes.

Totalmento gratuito, o evento segue os planos da designer e idealizadora do projeto, Camila Petersen, de não apenas ser um espaço de conhecimento, trocas e exibição de trabalhos, mas um território potente de ideias e discussões.

Aqui ela fala sobre esses assuntos e tudo que forma a quarta edição do evento, que será realizado nos dias 17 e 18 de agosto, nas salas Lindolf Bell I e II, do Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis.

 


Como surgiu a ideia da feira? Vocês já visitavam outras no mesmo estilo?

A ideia, basicamente, nasceu da vontade de replicar aqui esse formato de evento já consolidado tanto no Brasil como no exterior.

Como exemplos, temos principalmente a NYABF - New York Art Book Fair e a LABF - The London Art Book Fair e, claro, as feiras brasileiras que costumo visitar, como a Plana e a Tijuana, de São Paulo, a PÃODEFORMA, do Rio de Janeiro, e a Parada Gráfica, de Porto Alegre.


Percebem que os profissionais daqui sentem a necessidade de expor seus trabalhos mas não sabem por onde começar? 

Sinto que falta exatamente esse tipo de evento em Florianópolis, que se torne anual e seja inserido no circuito das feiras de publicações independentes e arte impressa já consolidadas no Brasil.

Queremos proporcionar maior visibilidade a esses trabalhos e, portanto, o objetivo principal da Parque Gráfico – Feira de Arte Impressa é reunir esses profissionais (expositores) com público entusiasta, consumidor, curioso, apreciador das artes impressas; e até mesmo com quem não sabe do que se trata, a fim de fomentar, incentivar e promover o mercado alternativo das produções gráficas independentes.

 


Chegamos à quarta edição da Parque Gráfico. Qual seria o depoimento após olhar para todo esse tempo de criação, organização e também resistência. Como a Parque Gráfico chega a este momento?

A Parque Gráfico vem se aproximando, a cada edição, do formato que sempre sonhamos. Eu nunca quis fazer só uma feira, mas sim algo que se aproximasse mais de um festival, com uma programação paralela acontecendo ao mesmo tempo que a feira.

Essa construção é bastante consciente e cuidadosa, pois nos preocupamos em manter e inflar pouco a pouco o que vem se consolidando até aqui: apoio a novos artistas, valorização dos artistas catarinenses e espaço de intercâmbio cultural destes com artistas de todo o Brasil.

E também estímulo à criação, produção e consumo no setor da arte impressa e das publicações independentes, aumento da participação do público infantil através da Parquinho, ampliação do acesso à cultura por meio de um evento gratuito, 100% aberto à comunidade e sem restrições de público.

E ainda, o fomento ao empreendedorismo e ao turismo cultural em Florianópolis e promoção de atrações multiculturais diversas por meio de uma programação paralela cada vez mais consistente e destinada tanto às crianças quanto a adultos. Fazer a Parque Gráfico em Florianópolis, sem muito apoio financeiro, é na base da resistência mesmo. Mas hoje eu nem consigo me imaginar não fazendo a Parque Gráfico.

 


Você tem uma média de quantas pessoas circulam pela feira e qual o impacto de vendas a cada edição? Qual a estimativa de público para este ano?

Em 2016 tivemos público estimado em 5 mil pessoas. Em 2017, em 6 mil pessoas. E em 2018, 8 mil pessoas. Em média, cada expositor vende cerca de R$2.000,00, o que significa a movimentação de pelo menos R$100.000,00 durante o evento (já que sempre mantemos o mínimo de 50 expositores).

Sobre o público para este ano, sempre me baseio nos indicadores das edições anteriores. De 2016 para 2017 tivemos um aumento de 20% de público e de 2017 para 2018, mais de 30%. Por isso, acredito que neste ano chegaremos perto de 10 mil pessoas circulando pelo evento.

 


Uma das decisões para este ano foi a ampliação da Parquinho. Quantos expositores teremos na feira e fale sobre o por quê desse incremento de espaço para as produções voltadas para o público infantil?

Temos 96 expositores selecionados para a Parque Gráfico. Destes, 18 estarão na Parquinho. Parece pouco, mas é mais que o dobro de qualquer uma das edições anteriores.

Criar uma seção totalmente dedicada às crianças no evento é um propósito muito meu e foi uma das minhas exigências ainda no planejamento da primeira edição. Isso está super relacionado com a minha paixão pelas crianças e suas formas encantadoras de ver o mundo, com entender que toda criança é artista e também com o objetivo de aproximar as crianças da arte impressa, de oferecer a elas experiências artísticas que potencializem sua criatividade e expressão.

Mas representa também o olhar atento que busco ter ao meu redor, ao redor da Parque Gráfico e às demandas da sociedade.

Acredito que a Parque Gráfico pode ser uma ferramenta para criarmos uma sociedade menos desigual e, por isso, uma das características mais fortes que o evento tem é ser totalmente aberto à diversidade e àqueles que não são tão notados em outros cantos.

Isso se configura de várias formas, como, por exemplo: quando dedicamos ao menos 60% das vagas para expositores a mulheres, quando conscientemente nos preocupamos em trazer pessoas LGBTIQ+ para exporem seus trabalhos, quando buscamos maior participação de pessoas negras no evento, quando priorizamos a contratação de produtos e serviços realizados por mulheres e pequenas produtoras. 

A sociedade em geral não aceita bem a presença das crianças em espaços públicos, em espaços que não são feitos só para elas. As crianças choram, gritam, correm, fazem xixi, cocô e birra e as pessoas simplesmente não têm paciência com elas. A sociedade isola e marginaliza as crianças e, por consequência, isola e marginaliza também todo um núcleo familiar - e, ainda mais, as mães, as mulheres.

Essa edição especial para as crianças, então, é para reforçar e escancarar de vez que a Parque Gráfico é um espaço acolhedor para elas e para toda a família. E que seríamos todos muito melhores se nos lembrássemos de que também fomos crianças e que podemos cultivar para sempre a nossa criança interior.

 


Teremos, inclusive, uma representante da criançada entre os expositores?

Eu descobri a Clara Medved no Instagram. Ela tem um perfil gerenciado pela mãe, a Julia, só para publicar os desenhos e intervenções urbanas (!!!) dela - o @claqueeh.

Quando encontrei essa produção feita por uma criança de 06 anos, com um estilo muito próprio, pensei: Ela precisa estar na Parque Gráfico! Um dia a Julia mandou uma inbox através do próprio @claqueeh querendo saber mais sobre a Parque Gráfico e na hora eu já fiz o convite para trazer a Clara pro evento de alguma forma.

Para minha surpresa e total alegria, a Clara se interessou em ser expositora. E confesso que eu ainda não consigo acreditar nisso, acho que só vai cair a ficha quando eu encontrá-la pessoalmente. Em conversa com a Julia, ela me contou que o padrinho da Clara é artista gráfico e que já expôs em eventos similares à Parque Gráfico.

É ele quem vai ajudar a transformar os desenhos da Clara em produtos para a Parque: pôsteres, cartões, imãs, adesivos e etc. Além disso, a Julia super incentiva a Clara nas artes. Recentemente ela colocou a Clara para fazer aula de desenho, inclusive.

 

Tags:
social entretenimento Floripa Florianópolis gente festas eventos agenda
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!